Nota Técnica: Medindo Mudanças na Indústria de Cultura

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Inovei!

Provavelmente não inovei, mas para mim, é fato novo.

Você pode manda seu robô — «spider», «crawler» — ler arquivos de versões passadas de determinado site no «Wayback Machine» do site ARCHIVES.ORG.

Depois, pode-se analizar os dados com o comando «diff» ou, melhor, o software MELD, que consta em vários repositórios de Linux.

Assim, eu pude responder uma pergunta que surgiu enquanto eu pensava no império bizantino do moleque Constantino.

O quanto tem mudado o bom e velho agregador de notícias e críticas culturais, Arts & Letters Daily?

Eu lia-o cada dia entre 2001 e 2005, e depois desisti de ler. Não me lembro do porque. Eu trabalhava 15 horas por dia as vezes na época.

Acontece que mudou bastante.

O núcleo de fontes apresentadas na primeira página não mudou muito, mas — acima — dá para ver quais fontes foram acrescentados no intervalo. Incluem fontes do Brasil — BR.REAL.COM, BR.MSN.COM, BR.YAHOO.COM — e nova fontes domésticas — o Boston Globe, o CBS Marketwatch, o Chicago Tribune.

Melhor ainda é fazer um documento de texto do diretório resultando das viagems do robô.

ls entao > entao.txt
ls agora : agora.txt

Mostra, mais ou menos, que o cerne de 228 fontes foi mantido, mas que 2.000 fontes foram abandonadas e mais 1.106 acrescentadas.

Na época, as fontes escolhidas pelos editores do site foram bem equilibrado entre várias tendência e tinham em común um nível de excelência editorial.

Continuam no conteúdoduto os bons e velhos The Onion, The Nation,  U.S. News & WorldReport (de Mort Zuckermann), Three Penny Review, The New Republic, assim como Atlantic, USA Today, Wired, Wall Street Journal …

Muitos desses veículos passaram por mudanças no intervalo, porém. O W$J de hoje não é o W$J do passado. Nenhum Pulitzer ganhou no ano passado, por exemplo.

A Evolução de um Cara que Nem a Gente

O análise de textos é bastante legal. Eu estava pensando, por exemplo, do bom e velho blogueiro Cris Dias, um dos primeiros blogueiros brasileiros dos quais ouvi falar.

Que aconteceu com aquele cara? O nome dele aperece muito hoje em dia ligado a causas reacionárias, assim como Interney.

M

Além do político, as mudanças registram a morte de uma geração de empreendimentos de rede e a chegada de novos, assim como o crescimento e maturidade de várias tecnologias sociais.

Dos mortos mostrados acima, me lembre bem de bloggingstocks, um empreendimento de AOL-Time Warner logo após a nova regulamentação do setor de analistas, que recommendam ações para comprar.

O setor sofreu de um conflito de interesses estrutural entre o analista e o «sell side». O caso mais famoso foi o

Uma vez erigida a «muralha chinesa», muitas corretoras deixaram de apoiar um departamento de análise desse tipo. Em si, a venda de análise e pesquisa não rendava.

Assim foi que Blodgett virou blogueiro e muitos outros foram para projetos como Seeking Alpha — superlativo no sentido de apresentar dados financeiros de várias maneiras bacanas, e depois imitado por, por exemplo, o DealBook do New York Times — e BloggingStocks.

Um fio de continuidade em ambos os casos: Cris continua promovendo Apple Computer enquanto AL Daily dá cada vez mais destaque a «indústrial de cultura» de Microsoft — representado na última década com o lançamento de Slate, revista cultural paga por Bill & Cia, com influência visível sobre a pauta.

Plus ça change, plus ça la meme chose.

Só que ainda mais dela hoje.