IAB: Diplomacia Pública Na Cíberterra de Ninguém

Padrão

Acima, o modelo PROMEDIA pela «promoção e desenvolvimento de mídias livres e sustentáveis» do USAID, agência que hoje em dia tem o papel de coordenar atividades de diplomatas e as forças armadas em implementando este modelo, sob o título de «diplomacia pública».

Mas em que consiste a diplomacia pública do meu pais?

Um relatório de RAND Corporation preparado logo após os ataques de 2001 tentou afastar mal-entendimentos e pensamento distorcido sobre o assunto — sem resultado, como logo ficava evidente. Pagamos uma fortuna aos melhores pensamentologistas do mundo e depois passamos por alto dos seus conselhos.

Como contribuinte, eu estou com uma baita duma raiva, testemunhado aquilo.

Nós não fumos tatú!

Segundo Wolf e Rosen, a definição clássica é o seguinte, produzida pelo Centro Edward R. Murrow de Diplomacia Pública na Universdidae Tufts. Tem a vantagem de uma honestidade intelectual total.

… a diplomacia pública trata-se da influência de opinião pública sobre o planejamento e realização de políticas externas. Abrange aspectos de relaçãoes internacionais além da abrangência da diplomacia tradicional … Inclui a cultivação de opinião pública em outros paises,  a interação de grupos e interesses privados de nosso páis com aqueles de outros paises  … e fluxos internacionais de informação e ideias.

E dinheiro.

Basicamente, se governo alheio pretende adotar políticas públicas que serão ruins para United Fruit ou General Electric, temos que nos aliar com as elites econômicas locais e dissuadir aquele governo de seguir o caminho errado.

Faltando isso, mandamos metralhadoras na bolsa diplomática para assassinar os Schneiders do mundo.

Vocês tiveram extensas consultas públicas sobre políticas de democratização de comunicações no Brasil — boicoteado pelos grandes latifúndios de mídia e seus anunciantes.

Chamava-se CONFECOM. É visto como um cáncer e um casus belli.

Está na hora, portanto, de importar um pouco da verdadeira democracia.

Por essa finalidade, o USAID tem um modelo pronto: o programa PROMEDIA, mostrado acima e descrito na minha nota

De CIMA para Baixo: Dois POLITICAR-INFOTENS e a Mãe de Todas as MOSCOUs

O Instituto Millenium é um programa estilo PROMEDIA. Olhem só.

Aqui desenhei  o processo de baixo para cima. Não sei porque. Estraga meu trocadilhao sobre mídia e democracia de CIMA para baixo. Do ponto de vista do usuário, teria sido melhor progredir de esquerda para a direita, apropriadamente.

O lobby de mídia digital, o Interactive Advertising Bureau, serve como a ponte entre lá e cá, e um ponto de referência externo para políticas públicas desejáveis. (Estão escrevendo sua legislação na Rua K, Índio Tupi.)

Talvez vocês se lembrarão do estudo produzido pela Pentágono, «Convocando a Avenida Madison»? Estavam perfeitamente sérios.

Não tenham dúvidas: O Brasil é um teatro de operações militares — um exercício de «soft power», como iColin — eu estou adotando esta grife em vez do pronome da primeira pessoa — estava lendo no site do iFHC no meu iPad.

Um ensaio sério sobre o significado geopolítico do iPhone nas páginas da revista Foreign Policy. Não é brincadeira não.

O maior problema com o modelo PROMEDIA como foi aplicado nos países do antigo URSS e Iugoslávia foi mantendo o devido controle sobre os «movimentos espontáneos da sociedade civil» sem deixar as impressões digitais de Tio Sam no projeto.

Este projeto, com a participação do governo e dos institutos de pesquisa da extrema direita, nem está lixando para este problema, porém.

A solução é atacar o respeitado presidente dethte paíth thoberano e tropical por pretender uma carreira na diplomacia internacional pós-mandato sem entender inglês.

Muitos daqueles que fazem esta crítica tem eles próprios o inglês mais mambembe que já se ouviu. Me desculpem, mas li um resumo hoje de uma pesquisa sobre jornalismo, de SCIELO, que podia ter escrito pelo famoso autor de «English as She Is Spoke, sendo um guia à língua inglesa por um autor que não sabia nada da idióma».

Ora, eu tenho orgulho da minha língua-mãe, mas é um pesadelo de aprender se você não começar antes de ser desmamado. É o dialeto de um tribo de bárbaros germânicos, distorcido pelo latim e pelo francês dos conquistadores que chegaram em 1066.

Eu acho natural que vocês teriam orgulho da sua língua também. Linguagem é cultura, liga-nos ao mundo e faz dele um lugar habitável.

É uma bela idioma para poesia, a sua, aliás, mantendo alguns dos rasgos do velho provençal ou o dialeto de Dante.

Aos amigos gringos que querem experimentar preconceito linguístico, vai até Québec e tenta conversar no seu francês mamembe de colégio público. Eu fiz isso durante o happy hour de uma conferência nos anos 1990 — onde palestrei sobre Middle English, aquele de Chaucer. Nunca fui tão humilhado na minha vida.

Mais estou divagando.

A Mão Visível e Pesada das Entidades de Classe

Apesar de não constar entre os patrocinadores do IMIL, o ABRANET tem todo um histórico de alianças com as entidades dos meios hoje convergentes e migrando para plataformas digitais, como é de esperar.

A redistribuição de renda para a propaganda interactiva inteligente, capaz de alvejar o usuário segundo o contexto, é o que está matando aquela massa — no meu caso — molhada e difícil de manejar que o motoboy jogo embaixo do carro logo de manhã.. Os latifúndios de servidores estão cotovelando-se para grilar quantas glebas desse admirável mundo novo que possam.

Primeiro, as fábricas de ideologias consultam com a Avenida Madison sobre a tradução para o nhemnehem dos bárbaros que quando falam parecem estar dizendo barbarbarbar. Em árabe,  os bárbaros são os timtim, pela mesma razaõ.

Segundo, contratam uma baita de uma agência digital para atravessar as fronteiras virtuais e derrubar todas as barreiras — inclusive a barreira de linguagem. É só botar em Google Translator e pronto!

Vivemos na época de Jornada nas Estrelas, onde o Tradutor Universal foi utilizado para evitar ter que explicar porque inglês é falado até por criaturas verdes e otopóides que respiram metano e vem de um universo paralello.

Nesse caso, a Atlas Economic Research Foundation contratou um núcleo dentro do Harris Interactive, Wirthlin, cujo sócio fundador foi o principal arquiteto da Revolução Reagan, servindo o «Gipper» — um notável papel cinemático do primeiro ator-presidente — de 1968 para 1988.

Foi uma escolha natural, uma vez que esse núcleo já representou partidos na rede Atlas, como os Tories de Inglaterra e a versão de torismo que têm na Australia.

A vantagem é que Wirthlin vem embutido no maior mecanismo de distribuição no mundo, o Grupo WPP, cujos componentes e clientes dominam o poderoso lobby e zaibatsu que é o Interactive Advertising Bureau.

Pode-se chamar essa camada do «middle office», como dizem no ramo financeiro.

E finalmente temos a camada de inovação — uma palavra positiva para descrever as infinitas possibilidades de libertigagem com a coisa pública que reina embaixo do equador — a casa da Mão Joana, como disse Paulo Francis, de «elites sub-reptícias que fazem o que querem.».

O resultado: reportajabaganda sobre o potencial (contra)revolucionário do iPhone em todo canal.

Novo Domínio: iCOLIN.US.BR

Ora, vocês tem uma empresa, Dozen eAgora, cujo domínio .ORG é cadastrado por uma fundação ideológica-partidária, IDS.ORG que vive em um servidor Boca Raton, Florida — assim como são campanhas politicas interactivas desenvolvidos por agências integrantes da IAB. O responsável é um secretário do governo estadual e deputado federal licenciado.

Os  vários avatares .COM de eAgora, entretanto, são todos dominados pela empresa do mais poderoso lobista pela industria no Brasil — que não tem receio de contratar sua própria empresa para hospedar o site da entidade de classe.

L’etat, c’est moi!

O jogo .ORG-..COM-.GOV chega ao ponto de que alguns dos projetos comercias de eAgora são hospedados em servidores .ORG, enquanto o samizdat digital destacando a individualidade dos candidatos viram Você S/As — TONINHOMALVADEZAS.COM.

O último elemento é a organização de movimentos guerrilha com alta capilaridade e o sagrado direito de covardice anônimo.  Dozen eAgora tem com clientes outras agências que tem como clientes outras agências ….

E assim o círculo começa a fechar.

Eu não sabia até hoje mais o ABRANET, por exemplo, tem parceria com SAVVIS.NET — um dos mais poderosos e avançados redes de operações financeiras do mundo, ja frequentei várias coletivas dela em Times Square — desde 2001, acho que li.

Terei que atualizar meu conhecimento do setor. Eu sei, por exemplo, que Pearson — querendo concorrer com Bloomberg, Reuters, e Thomson — utiliza a rede Savvis, até para FT.COM. Não se esquece que Pearson e Abril tem algo cozinando no ramo editorial …

Próximos passos: Eu realmente gostaria de entender a função da dupla GODADDY-THEPLANET.

Isso envolverá estudando políticas de privacidade «inovadoras» — inovadas no submundo de spam, imagino — e coisa e tal.