Os Novos Baianos Exilados: Eleitor2010

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Novo e nótavel do Portal IMPRENSA:

Blogueiros pretendem monitorar denúncias das eleições presidenciais.

Fiquem com pé atrás. Depois eu explico.

Paula Góes e Diego Casaes, dois editores brasileiros da comunidade internacional de blogueiros e tradutores, a Global Voices Online, pretendem monitorar as eleições presidenciais por um site e um pefil no twitter, o @eleitor_2010.

A ideia é que as páginas agrupem denúncias de fraudes, compra de voto e outras infrações, através de informações enviadas via e-mail, celular, twitter e outras redes sociais por qualquer pessoa. A iniciativa foi apresentada na conferência da Global Voices Online, que terminou no último domingo (9), em Santiago, no Chile.

Primeiro, já contei a minha experiência logo no começo do projeto. Ora, sou tradutor, tenho interesse em jornalismo cidadão em outros paises, porque não ir lá e ser voluntário? Mas à pergunta «vocês recebem verbas do governo» eles só podiam responder, «não podemos nem confirmar nem negar».

Lembre-se também que a faculdade de direito de Harvard, que hospeda o Berkman Center, foi patrocinador do evento sobre liberdade de expressão do Instituto Millenium — uma fachada mal disfarçada para grupos neoconservadores estadounidense.

Tampouco confio no responsável pelo projeto, Ethan Zuckerman, um dos fundadores do bom e velho Tripod nos anos ADEBI — antes do estouro da boiada da Internet.

Foi fundador de Geekcorps, que fundiu-se em 1999 com o International Executive Service Corps, fazendo de Ethan um vice-presidente, onde ficou até 2004.

Hoje em dia, o conselho administrativo da empresa sem fins lucrativos são todos lobistas, «private equity» ou propandistas — Edelman Worldwide (BR).

Quem financia o IESC são os departmentos de Estado, Defesa e Agricultura, além da USAID, PNUD, e «tanto empresas nacionais e multinacionais quanto fundações e indivíduos, assim como agências de governos estrangeiros», segundo SourceWatch.

No passado, os fluxos RSS do projeto Globo Voices foram hospedados com destaque nos sites de embaixadas estadounidenses no mundo inteiro. Terei que me atualizar sobre a situação presente do projeto, que parece ter crescido muito.

Fontes de financiamento assumidos do Centro Berkman, entretanto, são

Reuters foi um patrocindador âncora do Global Voices logo no começo, e continua sendo. Eu fiz um estudo sobre as sinergias entre a Reuters Foundation e o grupo global de mídia e dados. Vou ver se ainda tenho meus cadernos de então.

Microsoft e a Fundação Knight, entretanto, como já vimos, são os pesos-pesados na formação de Jornalistas 2.0, segundo a CIMA — outro motivo para ficar com polegar atrás a orelha.

Tem alto grau de entrecruzamento entre estes doadores e os financiadores de Internews, que gastou $29 milghões em programas em 2008, segundo seu Formulário 990 do Fisco gringo.

Como é de costume — preciso de um bom contador para me explicar o fato — recipientes no estrangeior e doadores não têm que ser divulgados ao público.

O diretor-presidente de Internews, David Hoffman, é egresso do Global Forum de Media Development — Foro Global para Desenvolvimento de Media — uma rede guarda-chuva com patrocínio de

  1. National Endowment for Democracy
  2. John S. and Jame L. Knight Foundation
  3. Open Society Institute
  4. Lodestar Foundation
  5. USAID
  6. UNDP (PNUD)
  7. UNDEF
  8. UNESCO
  9. OSCE
  10. Council of Europe
  11. CAF Latin America

Ora, vocês sabem a minha militância: Sou em favor de desmantelar o NED e pôr fim as safadezas da «diplomacia pública» do meu país. E tem Republicanos que concordam comigo.

Os Caetanos e Gils de Hoje

Quanto ao projeto Eleitor2010.com, mora em vários servidores nos EUA, enquanto a responsável mora em Londres.

Trata-se daquela nova geração de tropicalistas exilados que nem Caetano e Gil nos anos de chumbo.

A infraestrutura do site é bastante complicado, com o conteúdo espelhado em vários servidores. O patrocínio é do Global Voice Online, onde ambos — Paula Góes e Diego Casaes — trabalham como voluntários. O assim entendi. Parece que entendi errado.

Tem tudo, pois, para ser uma campanha «astroturf» ou «falsos raizes de caipim» — pessoas credenciadas como jornalistas-cidadãos com uma grande infraestrutura institucional ofuscada atrás, uma rede que quase sempre remete a interesses privados buscando influência sobre políticas públicas no país-alvo.

Vou ver se consigo achar mas detalhes.

O Clarescuro do Eu Virtual

Se as práticas do passado da GVO forneçam um guia, descubriremos que a divulgação — eu sou redator do GVO — é uma meia-divulgação escondendo outros laços institucionais.

Quando José Murilo Júnior foi o reponsável pelo Brasil do projeto, por exemplo, divulgou a sua ligação com o Santo Daime mais não o fato dele ser servidor público do Ministério de Cultura — o de vocês, quer dizer. Nós não temos, per se.

Diego Casaes — tem um blog WordPress estilo MeuNome.com na mesma rede do que Eleitor2010 (embaixo) — se diz antigo funcionário da Secretária de Turismo do Estado de Bahia.

Se diz tradutor frila, e de fato é um ótimo tradutor.

Será que ele recebe de GVO por isso?

Deveria divulgar o fato, se for o fato.

Eu e Diego temos dois amigos em común no Facebook — um deles José Murilo Júnior, que aparentemente não sabe o quanto eu falo mal dele! Nada pessoal, bicho. Mas pega leve com o Chá, viu?

Parece passar o tempo todo blogando, porém, em vários sites, como

  1. ThinkAboutIt
  2. Trezentos
  3. LoggedIn — do outro amigo de Facebook que temos em común
  4. CulturaDigital.br

… e tudo que é rede social. Eu sei, eu sei, eu também faço muita blogagem, mas só aqui é– só faço twit de quantos 3twits ignorei hoje (1.300) só porque não tenho que trabalhar muito agora.

Paula Goes tem um bloco de eu sozinho parecido, com vários blogs coletivas e pessoais, com

  1. Tal Qualmente
  2. Paulas Goes

… e assim por diante ad nauseam — embora concordo, eu não posso criticar!

Eu também tenho um blog de tradutor, meio abandonado agora. Eu tinha esquecido. Eu pretendia alimentá-la tão somente com resultados de um Google News Alert sobre o argumento «lost in translation» — um dos lugares comuns mais abusados na língua de Bob Dylan e Alexander Pope.

A Paula fez as legendas de um filme produzido por David Sasaki — uma voz global que ainda desperta escarnho no meu coração.

Foi Sasaki que reproduziu factóides sobre a morte do fotojornalista novaiorquino Brad Wills em Oaxaca, sugerindo que ninguém sabia nada por certo sobre o incidente e passando por alto de amplas provas de que Brad, meu concidadão de Brooklyn, foi assassinado por um miliciano político do governo estadual, aliado com «La Maestra» Gordillo do SNTE e o partido político PANAL.

Existe um foto do assassino apontando a pistola a um fotógrafo ao lado de Brad no momento da sua morte.

David Sasaki é um canalha, um puxa-saco de interesses escusos.

No currículo dela, voltando ao assunto de Paula — contra a qual não abrigo sentimentos pessoais, não a conheço — o trabalho com o projeto Global Voices consta como um emprego.

Até abril de 2010, trabalhava no iGlobalMedia Marketing UK — tem algo a ver com a indústria de póquer online, sediada no paraíso fiscal de Gibraltar.

Aperfeiçoava-se na profissão — mirabile dictu! — como repórter para Globo na Bahia, em 2001-2 — bem antes da queda do Carlismo.

De 1998 para 2001, foi produtora na TV Gazeta em Alagoas.

Sua formação profissional inclui um curso curto em 2009 no Knight Center for Journalism in the Americas e treinamento no Uniglobo …

… part of Globo’s programme of excellence in TV broadcasting;

Segundo ela. Quer dizer: segue o Padrão Globo de Qualidade.

Se fosse eu, eu deixaria o fato fora do meu currículo..

Embora isso, eu deveria dizer que a transparência de um currículo online merece elogios. A moça é esperta, pensando «e depois, o quê?»

Fosse eu o rei da indústria — indústria podre — de tradução, eu contratava ela dentro de um «New York minute» — ditado nosso para «numa pisca do olho» — embora só após ela aprender padrôes de excelência não-Globais.

Em fim: jornalismo cidadão uma ova.

Tem gringo atrás.

Se ACM III fez campanha para um vereador de Prospect Heights, ele não somente ia preso, teria que ser resgatado de uma turba raivosa. Os haitianos do meu bairro não gostam de brasileiros, infelizmente.