Diplomacia 2.0: Um Raio-X de State.Gov

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É verdade, a burocracia da diplomacia pública não é adequada, especialmente na Oriente Média e o mundo árabe.  Nossas soluções para montar uma campanha ágil e coordenada de comunicação social ainda não estão robustas. Não me entendam mal, temos servidores talentosos e dedicados … mas o sistema vim a ser entrincheirado e falta-lhe um corpo coesivo de mensageiros dedicados dentro do serviço público. Para realmente comunicarmos nossa mensagem, precisamos os meios de espalhar nossas ideias e políticas desde uma única fonte por times dedicados de comunicadores treinados em assessoria de mídia e idiomas locais e contando como as ferramentas mais modernas de relações públicas. –James Glassman, diretor de Diplomacia Pública, depoimento ao Congresso, 2008.

Ontem, eu estava tentando chupar o conteúdo do site 2001-2009.STATE.GOV, um arquivo de documentos do Itamaraty dos EUA durante o governo Bush.

Houve alguns dados dos quais me lembro ficar saber na época que eu queria confirmar.

Uma busca tipo «site:URL.COM +”a coisa da qual eu quis saber” não estava dando certo. Estou me perguntando se o arquivo esteja realmente completo. Alias, o antigo ministro da justiça de Bush, Alberto González, está sob investigação por suspeita de destruição de dados oficiais, uma violação da Lei Hatch.

Tentei o Wayback Machine, mas não consegui o que queria.

O site também não gosta de robôs.

Hoje, pórem, eu descubri que o código seguinte funciona para meus propósitos:

pavuk -dont_leave_site -noRobots 2001-2009.state.gov

Mandei o Pavuk ignorar os mandamentos do arquivo robots.txt.

Eu sou contribuinte, porra, eu tenho o direito de possuir todo o conteúdo público gerado pelo departamento federal, para análise com ferramentas utilizadas na linguística de corpus.

Ler o manual cuidadosamente sempre ajuda, mas eu sempre me esqueço disso. Agora está fazendo o que eu quis:

Entretanto, acabei baixando uma boa parte do novo site da diplomacia americana, e achei alguns pontos interessantes. Depois eu comparo os dois.

Primeiro, a diplomacia 2.0 está presente na rede social. Flickr, Twitter, Facebook, YouTube, AddThis — tudo do que eu chamo a «plataforma social» ou «câmara de eco». Os dutos de conteúdo sindicado em todo que é canal para ser repercutido. É quase obrigatório hoje em dia, como Edu Guimarães notou recentemente, anunciando uma renovação do seu bom e velho embora feioso blog.

Durante o regime de Bush ibn Bush, também estava — é isso que me interessa, rede de blogueiros fazendo propaganda clandestina pela democracia — mas ainda será interessante ver a evolução.

Li ontem, por exemplo, uma coletiva do chefe de diplomacia pública que substituiu Karen Hughes com blogueiros do mundo livre. Um blogueiro iraniano notou que a diplomacia american tinha montada um site estilo Facebook para Iranianos, sem divulgar o patrocínio.

O blogueiro quis saber como o State pretendia conquistar a desconfiança de usuários sobre ingerências de agentes clandestinos nos foros.

O secretário desconversou. Acho que fiz um «clipping», talvez eu traduzo depois.

Nos bons e velhos tempos, eu correspondia bastante com Hoder — Editor:Myself — avisando ele contra aquela turma de Harvard. Um cara admirável. O mundo será muitomais rico quando podemos acessar o capital humano de Irã. Já viu o cinema povera de lá? Impressionante. É o que lhe falta ao Brasil.

E de fato, os ativistas pro-democracia secular de Irã não são necessariamente fãs do Consenso de Washington. Apesar de ser jovens, são bem informados. Sabem do golpe contra Mossadegh, e a «formula para caos» utilizada.

Hoder — Hossein Derkhshan — está censurado no país hoje, que eu saiba. Acho que mora na Canadá.  Nos últimos anos, no entanto, vivia fustigando quem ficava perto demais a gringos duvidosos, o que tende a desmoralizar o movimento e justificar a repressão do governo.

Aqui, critica um colega por omitir uma bolsa de estudos nos EUA do seu currículo.

Hillary é Mac

Continuando com o mapeamento agora, o ciberHillary — nossa Celso Amorim, embora sem a barba — é Mac.

Ora, o fato de existir um laço a uma empresa não diz respeito à natureza de qualquer laço institucional, mas decerto nos convida a ir mais fundo.

Ora ora, o presidenciavel do partido do governo em 2000 e vice de Clinton entre 1992 e 1999 é um diretor de Apple Computers além de sócio na mais poderosa firma de lobistas na capital federal.

Também não deve ser esquecido que hoje em dia, Mac = Intel-Microsoft. Até tem piada sobre isso no nome de um servidor da empresa: APPLE.COM.PWNED.BY.M1CROSOFT.COM.

«PWN» é gíria para «ainda pior que 0wn». 0wn é quando, digamos, alguém utilize um iFrame malicioso para escrever «PSDB em 2010!» no PT.ORG.BR. Então: Microsoft maliciosamente tomou conta de Apple.

Interfaces 007 no Porto 443

Outro coisa que venho aprendendo: muitas vezes, os sites não escondem interfaces de HTTPS — protocolo de segurança, como você vê, por exemplo, quando edita uma nota do seu blog.

No caso de agências de propaganda, por exemplo, dá para descobrir interfaces utilizados para vender e encomendar projetos, ou inserir conteúdo. É um fato muito interessante que diz algo sobre as relações institucionais, por exemplo, com a mídia. Pode-se até mandar robôs decobrir esses interfaces exclusivamente.

No caso da diplomacia 2.0, há — dentro da minha amostra, que foi limitada pelo tempo — os interfaces seguros seguintes:

  1. Uma intranet para ex-funcionários do departamento
  2. Um dispositivo para pessoal militar entrar as despesas remuneradas («per diem»)
  3. Um interface parecido para autorização de despesas de viagens
  4. Um interface a um serviço de entrega de bens — grampos, papel, cartuchos de imprensora, Post-Its ..
  5. Um interface à CIA

Nada sinistro fora do esperado aqui. Se a diplomacia não viajasse e não tivesse acesso aos dados levantados pela CIA, eu, o contribuinte, estaria bem zangado. Para que existe a CIA senão para isso? Como vai fazer diplomacia sem viajar? Blogando?

Ainda assim, realmente dá para chegar a uma página de «log-in» da CIA em porto 443?

Vou tentar, numa janela discreta de Chrome [Shft-Ctl-N].

Demorando. Demorando. Demorando.

Desistindo.

Neuza tem medo da CIA ir me ferrar — eu acabaria no Guantanamo ou num jatinho decolando de Mallorca para Egito, onde eu seria torturado, como liamos ontem no noticiário.

Eu não tenho esse medo — sou longe mas longe de ser capaz de aprontar com os CIOs do governo federal, e aliás, a CIA reclutava pesadamente na minha faculdade, provavelmente tenho companheiros de turma trabalhando lá ainda hoje.

(Eu tentei ser contratado como tradutor pela FBI após o 11 de setembro, embora não passei à etapa de entrevistas: Eu tinha fumado maconha demais vinte anos atrás. Vinte nos atrás! Não fumo mais! Os mormons mandam na policia federal da gente. Acabaram contratando um israelense tradutor da língua árabe que passou dados ao Mossad. E preocupavam-se mais com meus baseados juvenis!)

Ainda assim, este medo da minha querida mulher — manifesta-se como uma piada nervosa sem muito graça — diz muito ao respeito de crescer no Brasil nos anos 1970s.

Finalmente, evidência de continuismo entre os governos Bush e Obama: o uso pesado de «marketing de políticas públicas» do governo.

Na minha amostra limitada, cruzamos com

  1. Uma campanha divulgando a resposta do governo à emergência no Golfo de México
  2. Uma campanha promovendo a compra de bens e serviços «Made in the USA»
  3. Uma campanha de turismo

A melhor experiência do meu país: Alugue-se um carro e pega estrada entre Nova York ou Boston e Los Angeles.

E após ver o Hollywood — eu levei a minha futura mulher à loja de departamento onde Winona Ryder foi presa por furto, perto do QG da revista Penthouse, com sua estátua de John Wayne — pega estrada de novo na Pacific Coast Highway para San Francisco.

Na verdade, eu errei em classificar dois desses sites.

Real Clear World é um agregador de notícias, sem ligação aparente com o governo.

Mais um site nebuloso cadastrado com GODADDY. Hum.

WHOIS@Godaddy é uma piada de mal gosto.

T-Sciences é Thermopylae, uma empreteira militar de TI.

WAYFARER.T-SCIENCE.COM, vai saber porque, mora em servidores em Korea. Terceirização, provavelmente.

Parceiros da empresa:

Próximos passos: Eu gostaria de fazer um censo de marketing do governo e quem faz. Blue State, sem dúvida, tem verbas.

America.gov, por exemplo — em:

… me põe nervoso.