FENAJ: Fiscal do Poder, Portavoz do Poder, Lobista ao Poder

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Comunique-se entra com reportagem burocrática —  quer valer que não é simplesmente um Ctl-C, Ctl-V de um «release» do sindicato? — sobre as eleições por vir entre os profissionais da FENAJ.

A eleição acontecerá entre os dias 27 e 29/07, com participação de filiados de todos os 31 sindicatos da entidade. A chapa da situação é “Virar o Jogo! Em defesa do Jornalismo e do jornalista”, coordenada por Celso Schröder, atual vice-presidente da Fenaj. A chapa de oposição, “Luta, Fenaj!”, é dirigida por Pedro Pomar, editor da revista Adusp, da Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo.

Segundo uma nota de Jusbrasil, Schroder também e superintendente de Comunicação Social da AL.RS.GOV.BR desde o ano passado.

Diz tudo ao respeito do jornalismo brasileiro: Quem quer liderar os fiscais do poder é um assalariado do poder,  e quem quer representar as praças da profissão é um coronel.

Ele começou participando de organizações clandestinas durante a ditadura militar. Com o retorno da democracia ao país, engajou-se na construção do Partido dos Trabalhadores [ainda milita no partido?]. O primeiro contato com o Sindicato dos Jornalistas [qual? o nacional?] foi em 1986, quando foi eleito delegado sindical. …. Em 1989, foi eleito vice-presidente do sindicato [qual? o nacional?]. Com a licença de Vera Spolidoro, Schröder assumiu, durante dois anos, a presidência pela primeira vez. Posteriormente, foi eleito como presidente para mais dois mandatos (1992-95 e 1998-2001).

Essa vez, é vitalício ou nada.

A nota não diz onde Schröder trabalhava enquanto representava os trabalhadores naqueles tempos turbulentos.

Atualmente, Celso Schröder é vice-presidente da Federação Nacional do Jornalistas (Fenaj), presidente da Federação de Jornalistas da América Latina e Caribe (Fepalc) e coordenador do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC). Além disso, é o representante da Fenaj no Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional e continua como diretor do Sindicato dos Jornalistas do RS.

Quer dizer que o homem é lobista de uma entidade de classe de entidades de classe que relata, como jornalista, na página que ele edita, a votação sobre um assunto sobre o qual tem uma posição conhecida e representiva de interesses.

Eu não julgo o mérito da política defendida pelo homem, nem a ética dele, entendam.

É o estilo de governança que estou enfocando — um estilo praticado por atores de todos os partidos e tendências, que eu possa ver. Eu sempre achei o Zé Dircéu uma figura nos moldes de Tony Blair, por exemplo.

É simplesmente isso que me surprende: O homem deve ser o bicho de sete cabeças, usando tantos chapéus à mesma vez.

No outro lado, tem o redator de uma revista de uma entidade de classe que mostrou-se menos que comprometido com o sindicalismo ultimamente: a professoriada de USP. Dele preciso pequisar mais.

Eu sei: estou fechando a nota sem dar o outro lado! Olha, é um blog, ninguém lê, e quase estamos na hora de House M.D.

Não duvido da boa vontade ou das vidas e obras exemplares de nenhum dos dois, não me levem a mal.

Realmente não é da minha conta, uma vez que jamais serei integrante do sindicato. Primeiro, me falta a diploma significando quatro anos gastos aprendendo o que a gente aprende em dois, se bem que optarmos pelo mestrado.

Da minha turma de faculdade, so conheço uma jornalista que o fez — e arrependiu-se logo no primeiro ano. O resto — New York Times, CNN, revistas conceituadas nacionais — aprenderam fazendo, no bom e velho sistema de aprendizagem. Todo mundo começa com «ás 1:30 da manhã, um cavalheiro intoxicado foi persuadido que a cela foi um bom e seguro lugar para dormir, até voltar a sua capacidade de ambulação».

Ora — isso de começar o frase com ora está perdendo seu charme — é só que o Brasil é um pais das maravilhas no meu olhar estrangeiro, quando ao marco institucional da profissão de jornalismo.

Assessor de imprensa pode virar jornalista, como fez Bill Moyers após servir como portavoz de Lyndon Johnson.

Pode-se ir no sentido contrário, como Franklin Martins, mas sem a mesma facilidade. Uma metáfora de «Guerra nas Estrelas» explica: «Após atravessar ao lado escuro da Força, não há retorno». Uma piada pronta, mas é séria também.

Por isso, a noção de ganhar a pão trabalhando de um lado enquanto lidera o sindicato do outro é uma coisa positivamente extraterrestre para mim. Tive um sonho menos estranho ontem anoite.

Meu Preconceito Revelado

Tenho que admitir eu perdi qualquer respeito pela FENAJ por causa da sua posição sobre a morte de Barbon.

Este foi o jornalista sem-diploma executado no interior de São Paulo após revelar  um esquema de — a frase delicada — aliciamento de menores por autoridades eleitas e PMs.

Houve orgãos respeitáveis que abriam espaço para uma campanha de calúnia post mortem do falecido. Debatia-se com aparente seriedade, no estilo escolástico de di Marco, se somente os bons jornalistas merecessem a proteção da lei.

Foi um debacle.

Fizeram questão de destacar que o cara, que deixou uma família que segundo o Estadão ainda recebe ameaças, não era jornalista carimbado pelo Ministério de Trabalho e indoutrinado pela Cásper Líbero.

Por inferência, deviamos entender que o Brasil não era tal mal como, digamos, México na matéria de jornalistas mortos por criminosos — diplomados pelos TREs ou os donos do diplomado, a diploma importa pouco.

Um ato de pura idiotice e insensatez. Se é isso o nível de comunicação social dos liíderes da classe — uma profissão pela qual um mínimo de tato é amiúde muito útil — Deus salve a classe.

Digo isso com toda sinceridade.

Deus salve a(o) jornalista brasileira(o)!

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