Uma Nota Sobre a Lógica dessa Loucura e o Gênero Literário «Blog»

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Recentemente comentei a reportagem de um jornalista conceituado sobre alguns assuntos que eu comento aqui no blog. Mandei a nota para ele e recebi uma boa resposta. O repórter se disse fascinado mais confuso e propus uma conversa dia desses.

Pois é.

Como expliquei para ele, o blog me serve de um caderno de laboratório do dia a dia.

Poucos se lembram do fato hoje em dia, mas no começo, antes de motores de pesquisa, um «Web log» era literalmente isso: Um registro de recursos descobertos na rede, em ordem cronológica.

Quando eu estava na faculdade, a gente so teve um «mainframe» IBM com BitNet, que não prestava para muito senão bater papo com finlandêses sofrendo de insômnia. Depois vim gopher:// …

Foi por isso que os blogueiros da Universidad de Navarra, logo no começo, resolveram traduzir «Web log» como «bitácora» — literalmente, o jornal mantido pelo capitão de um navio.

Se um dia, mirabile dictu, nada acontecesse, um jornalista tirava um dia de folga. O capitão, porém, registraria o fato: «Hoje aguardei algum evento, mas não houve. » É assim comigo: comecei hoje com uma pergunta mas não consegui respondé-la. Mas aqui são os dados brutos. Deveria haver alguém menos denso que eu que poderia progredir no assunto.

Com a passagem de tempo, pórem, o contexto fica perdido, deixando o leitor sem bússola.

Já escrevi vários rascunhos de uma introdução geral, e um dia eu publico algumas conclusões, vou desenterrar e retrabalhar esses como o primeiro capítulo. Por enquanto, só tenho anotações, rascunhos, e um base de dados simples.

Ainda asim, o jornalista tem razão . Falta-nos uma página permanente explicando os contornos gerais do projeto do blog — que aliaś começou sem propósito definido além de «prose um pouco em português cada dia é chegarás a ser menos mambembe na sua lusofonia».

Sempre me agrada quando surge, entre os «top posts», meu cordel sobre a verdadeira natureza de Homer Simpson. Tenho orgulho daquele texto, que eu escrevi na Praia Brava de Alamada.

Já montei um wiki para isso, mas só como uma sugestão, um modelo. Eu deveria trabalhar um pouco nele.

Basicamente, eu proponho a tropicalização do projeto SourceWatch — um observatório de fontes de informação no mundo de propaganda e relações públicas.

Se vocês brasileiros tivessem SourceWatch, FactCheck e OpenSecrets próprios, seu mundo mudaria muito.

Os projetos que existe nesse sentido aqui ou são politizadas e partidárias ou faltam recursos. Se eu fosse um bilionário de software, eu daria um monte a Edu Guimarães para montar algo realmente «cutting edge».

Quem são? Quem paga o salário? Cui bono? Só isso. Precisamos construir um contexto para poder avaliar o que nossas fontes nos dizem.

O Estilo Neocon

Nesse projeto, eu busco amassar e contar casos sobre as observações de Luis Nassif sobre o «estilo neocon». Para mim, não trata-se somente de um gênero de discurso parajornalístico, como diz Nassif, mais todo um aparelho de organização em rede.

Como sou velho conhecedor desse movimento nos EUA — acompanho-o desde sua infância — achei que seria legal, para variar, traduzir lá pelo benefício de cá, em vez de traduzir coisas de cá para inglês ver.

Assim, eu ando demostrando a ligações entre o movimento neoconservador dos EUA e movimentos com o Instituto Millenium, que serviu de ponto de partida para essas travessuras na rede.

Novo fato do dia, por exemplo: Sabian que o site do IEE – Instituto de Estudos Empresariais — o IPES de hoje — fica hospedado nos EUA? Assim diz o ROBTEX.COM, e confirma meu robô TRYSTERO.

Agora, com o «feedback» útil desse profissional, acho que eu deveria voltar a e aprofundar na investigação dessas redes. Sei como funcionam, sei as agências de propaganda que contratam, conheço a burocracia governamental que faz uso delas, e como trabalham.

A tarefa chave em qualquer análise de redes, no entanto, é identificar os jogadores de peso — que muitas vezes ficam escondidos, como o minotauro no seu labirinto. Para pegar emprestado um conceito de Garcia Marquez …