Deixa o Facebook! Não Passa o Exame de Farinha

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Nova, mas não entendo porque considera-se notável: Usuários planejam saída em massa do Facebook.

Dois usuários planejam isso. Dois.

Revoltados com as alterações nas políticas de privacidade da rede de relacionamentos, dois usuários criaram uma página a fim de programar uma fuga em massa do site. A data seria o próximo 31 de maio.

Ora, até hoje alguns 5.000 usuários assinaram embaixo.

A rede social tem 400 milhões de contas cadastradas.

Se a iniciativa de dois usuários para mudar o mundo é notável, eu não entendo porque a reportagem de Exame — na verdade, a matéria é sindicada da Info Online (abril.com.br) — ainda não ligou para me entrevistar sobre minha campanha contra propaganda clandestina, «Não Acredito em Fantasmas».

Info Abril — reportajabaganda somos sós — não consegue soletrar os nomes do responsáveis pela campanha, dificultando a busca um pouquinho.

A agência onde um dos autores é o chefe se empolga hoje por causa da repercussão dada à campanha por  ReadWriteWeb … uma empresa cujo produto a campanha sub-repticiamente promove.

Quem é QUITFACEBOOKDAY.COM?

O responsáveis são as contas de Twitter de um sócio de uma agência interativa canadense — promovendo um evento sobre propaganda interativa — e um cara que trabalho no Citibank, além de duas agência digitais, Critical Mass e Organic Inc.

Critical Mass se especializa em campanhas de marketing de zumbido, como o nome sugere.

Ora, sete homens de Florida teve planos para explodir e derrubar  a Torre Sears em Chicago. Não tinham a mínima perspectiva de realmente fazé-lo.

Não tinham explosivos. Não tinham dinheiro. Não contavam com uma rede de colaboradores.

Eram um bando de perdedores, fumando baseados no porão e viajando.

Mas era reclamados pelo governo Bush como um caso de sucesso na GWOT — «Global War on Terror», nossa guerra sem-fim global contra uma emoção difusa. Eu, hein?

Se a campanha conseguisse uma porcentagem significativa de usuários do serviço, seria notícia.

Não enxergo outros valores noticiosos na matéria.

Vocês?

Vocês S/A?

diagnose: puro factóide estilo reportajabaganda.

A mídia repercute uma «tendência surgindo espontâneamente de baixo para cima» do mundo de samizdat digital.

Os autores presumidos da campanha minimizam a importância da pergunta, quem somos nós?

Nós não importamos. São os princípios que importam!

Oferecem ajuda aos usuários para localizar uma alternativa.

Pessoalmente, eles estão empolgados com o projeto Diaspora!

Eu lhes ofereço a comunidade do Bicho, Preguiça.

E muito mais que uma comunidade de Ning, criada dentro de três minutos!

É um detector quase mágico de novas tendenciosidades!

E dái?

Seria trivial demonstrar que trata-se aquí de uma campanha de propaganda semi-clandestina.

Se quissesse-se dar um ar de maior credibilidade à campanha, a mídia de qualidade teria aguardo a produção de mais adesões, fazendo um melhor base para poder dizer que tratava-se de uma tendência.

Manda o robô recolher os seguidos dos caras no Twitter, por exemplo.

Mas seria um gasto de tempo.

Tal como é um gasto do tempo dos leitores da Exame — revista perfeitamente capaz de fazer jornalismo bom sem recurso à reportajabaganda.