Recriando o Big Ja(ba(n)g)anda: Nota no Caderno de Laboratório

Padrão

Um dos assuntos que me interessa nessa série é a atuação do CIMA, o centro pela promoção de mídias independentes do NED, fundo do governo americana pela exportação de democracia.

Mandei minha aranha explorar a teia da enorme burocracia desta entidade. Enquanto corria os fios da rede, notei o projeto Global Voices Online, ao lado de várias fundações ditos estratégicas nesse campo — em ordem alfabética logo após a fundação Bill & Melissa Gates, braço filantrópico de Microsoft.

Resolvi tentar usar as ferramentas disponíveis para examinar a rede desse projeto da faculdade de direito em Harvard, que tem parceria estreita com a FGV, aliás.

Usei SocNetV para recolher 5.000 páginas.

Exportei a diagrama nos formatos GraphML e Pajek.net.

O problema de formatos de dados é o mais sério obstáculo para quem quiser fazer exploraçãoes amadoras deste tipo. Bill Gates quer as coisas assim.

Com SocNetV, também a configuração da aranha apresenta problemas. O ideal seria uma amostra ampla e rasa — poucas páginas do alvo e uma ampla amostra de sites com enlaços de, e a, este — em vez do que temos aqui, uma amostra restrita e funda.

O melhor jeito parece ser utilizar o NetworkWorkbench para escanear uma hierarquia de diretórios criada por um robô mais configurável, mas nesse caso, a exportação de GraphML é deficiente, e o GUESS — visualizador interativo — exporta tão somente no formato GDF.

Ainda não posso fazer senão as transformações mais básicas. Eu coro os nós representando minha «ontologia» — as categorias de sites — e depois mando o editor mostrar as etiquetas somente daqueles nós que não tem o cor padrão.

Vou debruçar sobre o manual.

O Oráculo de Gephi

Nesse caso, eu importei o arquivo GraphML recolhido pelo SocNetV na Gephi, projeto ainda na etapa alfa de desenvolvimento, mas que promete muito.

No começo, os dados foram sem forma, e vazios.

Depois, eu sujeito a diagrama a uma tranformação Fruchtman-Reingold.

Mudo de ideia, no entanto, e aplico o modelo Force Atlas — essencialmente trocando o centro e a periferia, como se mudando de uma cidade americana, onde os subúrbios são ricos, a uma cidade brasileira, onde a marginalidade fica mesmo.nas margens.

Agora, ativo um algoritmo que representa o grau de interconexão dos nós por meio do tamanho do ponto na diagrama.

Pretendo também aplicar um algoritmo que identifica comunidades ou «cliques» dentro dos dados, mas este falha.

Não consegue processar o volume de dados em meu pobre e estressado laptop.

No próximo passo, eu aplico uma ferramenta que cora os nós ligados ao ponto de partida dentro de um certo grau de relacionamento.

Esse método funcionou na diagrama de uma visão rasa e ampla, além de bem menor, da rede de ABRANET, lá encima.

Aqui, todos os enlaços são de uma estrutura centralizada — uma visão funda e pouco abrangente.

Também tento filtrar os dados como um REGEXP — expressão regular — para ficar somente com nós do nível mais alto — http://www.osite.org, filtrando tudo embaixo do «root» — noutras palavras, sem qualquer http://www.osite.org/css/images/gifs/*.gif ou  www.osite.org/*.

Não consigo, mas o Gephi também tem um mecanismo, ainda rudimentário, para trabalhar com os dados crus. Acho que brincando mais com aquilo, eu consigo fazer algo interessante em futuras sessões.

Em fim, acabo com a seguinte diagrama, mostrando os principais patrocinadores do projeto:

É muito trabalho para constar o que é dito logo na página de abertura do projeto!

Recebe patrocínio das fundações Ford — patrocinador do Observatório da Imprensa aqui no Brasil — MacArthur, Soros, e Hivos, de Holanda. Já ganhou prêmios da fundação Knight, hoje parceiro com a Corporação Carnegie na Iniciativa Carnegie-Knight para inovações no ensino de jornalismo.

O site da inciativa é News21.com.

Também entre os fundadores, aparentemente, é o MDLF, fundo de empréstimos para desenvolvimento de mídia ligado ao CIMA, USAID, e NED.

Relacionado na rede de NED-CIMA: O WMD, o WYMD, fundos do Banco Mundial e tantos outros equivalentes funcionais — granadutos para influenciar o equilíbrio de forças de mercado em paises-alvos.

Em Tempo: O Jornalismo de Inovação

Eu e a boa e ainda mocinha Neuzona assistimos um BloggerCon na Stanford alguns anos atrás onde essa noção do «jornalismo de inovação» estava começando a ser promovida pesadamente.

A cara desse estilo de jornalismo — «o jornalismo de inovação é jornalismo sobre inovação» proclama o fundador desse suposto novo campo de conhecimento — é o seguinte, do blog do fundador desse tal de Innovation Journalism:

O inovador em chefe elogia um jornalista de inovação que publica uma resenha do iPad ainda antes do lançamento da bugiganga e sem ter tido acesso prévio a ela.

Cem laudas só imaginando como seria o aparelho quando chegasse.

Hoje em dia, divulgamos eventos que ainda não aconteceram — a divulgação mesma servindo de estímulo para que acontecessem.

Explorando o «ecosistema digital» desse Insituto pelo Avanço da Reportajabaganda de Stanford, descubro vários projetos típicos do gênero: Gizmodo, por exemplo, de Gawker Media — reportajabagandas somos nós! — e THEINSIDER.COM, um site de fofoca de celebridades que faz com que o PAGESIX.COM de Rupert Murdoch apareça candidato pelo prêmio Pulitzer.

Assim como o CPLABS.ME — montadora de Campus Parties e World Camps e todo mais — se diz uma ponte entre o mundo empresarial é o submundo de hackers, o INJO parece ser a ponte entre a academia, o capital de empreendimento («venture cap») e a mídia tanto geral quanto especializada.

Eu achei este último caso, da suposta «fuga em massa» de Facebook, orquestrado no Twitter por dois publicitários semi-anônimos semi-covardes, bem típico.

Eles promoviam um projeto para uma plataforma social código-aberto — sem uma linha de código entregue até agora que eu saiba– em busca de financiamento. Já recolheu $1.8 milhões

Então, eles alavancaram a ansiedade geral sobre a privacidade no Facebook — o criador do qual foi investigado enquanto estudava na Harvard por invasão de privacidade virtual, fato destacado na biografia dele na Wikipédia, mas sem mencionar o desfecho do caso — para incentivar investimento nessa dita alternativa.

Chegou ao ponto de que ontem, uma fonte na mídia espanhol, me esqueço de qual, citou uma pesquisa de uma agência da qual Google jamais ouviu falar dizendo que 60% de 1.600 entre os supostos 400 milhões de usuários estão pensando em sair do site.

Na campanha repercutida inexplicávelmente aqui no Brasil pela Exame — a única explicação que eu sei oferecer: reportajabaganda muito provável — os dois publicitários semi-clandestinos tinham conseguido 5.000 adesões.

Isto é 0.00125% da população do site, segundo a empresa.

InJo: Novalíngua e Faith Popcorn

InJo, como esse pessoal gosta chamá-lo, é a profecia autorealizadora do método Faith Popcorn, e depende da «destruição criativa» dos velhos filtros críticos.

O «meme» — um conceito, geral ao ponto de ser quase vazio, que vira a marca registrada de uma campanha de propaganda clandestina, assim como «terror» durante o regime Bush ibn Bush ou «liberdade» na ideografia do Instituto Millenium — conta com o apoio da Casa Branca, que declarou uma semana da «economia de inovação» ainda nesse ano.

Para mim, porém, o «InJo» não passa do termo Novilíngua  — lembra um pouco o «IngSoc» de 1984, não lembra? — para reportajabaganda.

Em tempo: note-se que a fundação Carnegie — patrocinador do Iniciativo Carnegie-Knight —  é um laço em común ligando o nó sob estudo com o InJo.

Eu gostaria poder apresentar estes entrecruzamentos como uma diagrama Venn.

Não deveriamos esquecer de que a o Instituto Hoover da Stanford — homenagem ao presidente que presidiu a Grande Depressão, em cuja honra as enormes favelas que brotaram, por exemplo, em Central Park, tomaram o nome de Hoovervilles  —  produziu a pior diplomata na história a república, Condoleezza «achando as armas nucleares de Saddam nos vindicará nos livros de história» Rice.

Uma diplomacia da mentira descabida. O diplomata-chefe antes de Rice, o respeitado general, Colin Powell, deixou o cargo após ser enganado por assessores, contando algumas dessas mentiras descabidas ao plenário da ONU.

A madame Rice não teve tais escrúpulos.

Ora, só jabaculê explicaria como uma marca de «tablet» entre muitos — eu me lembro de ver os primeiros prototipos uma década atrás, de várias empresas — conseguisse cem laudas por cada lauda dedicada a uma visão mais ampla e objetiva das opções no mercado, hoje e amanhã.

Zemanta: Propaganda No Espaço Íntimo de Escrever

Outro exemplo: enquanto eu verificava os sites na «ecologia» do InJo, eu cruzei com uma extensão social para Chrome chamado de Zemanta.

Instalei. Eu tenho o hábito de experimentar qualquer coisa pelo menos uma vez. Quase me matou em algumas ocasiões, mas geralmente não faço o mesmo erro mais que três vezes antes de desistir.

O que oferece?

Entre outras coisas, dentro da minha conta de WordPress, «sugestões de conteúdo» para repercutir.

Estou convidado a repercutir as relações públicas de Microsoft, basicamente.

O robô pegou uma única referência — desfavorável — a empresa como uma oportunidade de vender um OS que já detém 90% do mercado.

Antes de publicar a nota, estou convidado a inserir enlaços a tópicos mencionados nela.

The current logo of Microsoft Windows, the com...
Image via Wikipedia

Eu repercuto essa propaganda sem-vergonha, então, deixando um comentário para os mercadologistas que acompanham e medem o sucesso desse tipo de campanha:

Bill Gates é o rei da reportajabaganda. É exatamente o cara em que Bill Moyers estava falando quando discursou em 2004 sobre «os novo inimigos do jornalismo no interesse público».

«O interesse público é qualquer coisa que me interresa a mim, plutocrato que sou».

Eu não tenho usado nenhum produto da empresa de Gates desde meu último emprego de tempo integral, dentro de uma consultoria de relaçãoes com investidores que tinha Microsoft como parceiro estratégico.

Como tal, estava sempre rasgando a roupa lidando com um monte de sites programadas em .NET-ASP que eram pesadelos de navegar, com falhas frequentes na conexão ao banco de dados.

Uma vez que entregando informações desse tipo ao investidor é da mais alta urgência durante a temporada de resultados, não é para se estranhar que bolsas de valores mudaram para Linux — acho que o CME utiliza Red Hat, e a NYSE teve um pane sério na sua plataforma Windows uns anos atrás no meio da sessão.

Qualquer outra coisa — pode ser OpenOffice no Mac, que meu amigo programador de Apple diz ter várias capacidades em común com UNIX que me agradaria — uma vez que não seja Microsoft.

E tire essa sujeira de uma extensão do meu navegador.

Daqui por diante, estou fazendo todas as minhas sessões de navegação salvo o mínimo necessário no modo «incognito» de Chrome.

Maginem!

Spam dentro do meu espaço íntimo de escrever!

Se eu quissesse propaganda, eu ligava a televisão ou rádio, uai.

O Estado da Caixa de Ferramentas

Após um censo extenso das ferramentas disponíveis — filtrando ferramentas que só rodam em Windows na medida possível — estou chegando à conclusão de que eu terei que aprender R, o pacote código-aberto para estatística, parecido com o custoso S, com seu formato proprietário SPSS.

Sou velho demais para aprender Python ou Perl. Mal consegui passar o curso de PASCAL na faculdade.

O projeto R tem módulos — SNA, iGraph, Networkx, Metamatrix, NetTheory — capazes de processar um alto volume de dados e produzir um leque de visualizações mais sofisticados de redes sociais.

GUESS tem sintaxe parecido no CLI — linha de comando — para manipular diagramas, mas olha, não sou programador.

degree.sort(g, cmode = "outdegree")

Quase entendo o que quer dizer o «snippet» acima.

Como de sempre, no entanto, o maior problema continua sendo a importação dos dados.

Também consegui rodar Pajek — a ferramenta mais común de pesquisadores nessa área mas infelizmente programado só para Windows — com WINE, o emulador de Windows para Linux.

É muito complicada, tenho muito aprendizagem pela frente.

Outrossim, os arquivos Pajek.mat e Pajek.net exportados por SocNetV não prestam para Pajek de verdade, na minha limitada experiência.

Também estou testando Tulip e yEd — de novo, com bastante perplexidade quanto aos formatos de dados utilizados por ambas.

Realmente, o melhor jeito, estou achando, continua sendo o uso de CMapTools para desenhar os dados descobertos à mão. A ferramenta mais confiável e rápida, com capacidade limitada de manipulação da diagrama, qu dispunho é a Prefuse, instalada na Network Workbench.

Se eu fosse um adepto talentoso de Graphviz, eu utilizaria esta para todo.

Me formei em poesia, porém.

Uma opção desafortunada.

Hoje em dia, palavras são baratas.

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