Aula de Inglês: NASDAQ:AAPL e o Trabalho do «Tout»

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Nova e notável Apple passa Microsoft em valor de mercado | Luis Nassif.

Apple ultrapassa Microsoft e se torna a maior empresa de tecnologia.

É mesmo?

Como assim?

O esquisito é que a notícia vem após uma queda pronunciada no preço da ação — acima, de Google Finance.

Nos meiados de abril, um ganho de 32% sobre o preço no começo do ano.

Hoje, um ganho de 20% no mesmo período. Está perdendo valor de mercado neste momento, mas MSFT está perdendo mais nas últimas semanas. Vai saber porque.

Desculpe minha cautela — eu sou um daqueles cuja filosofia de investimento é «quando tem sangue nas ruas, compre imóveis» —  mas o valor de mercado é um jeito muito impreciso de medir o valor de uma empresa.

Era uma vez que a Enron foi a maior empresa de energia no mundo, segundo o mesmo critério.

Pode-se argumentar que, em contraste, a Apple tem um produto sólido — que não duvido.

Mas Enron também oferecia serviços muito avançados, como gestão de energia de grandes instalações industriais.

O valor de mercado tem nada a ver com o número de liquificadoras ou secadoras de cabelo vendidas, mas com a expectativa de vendas futuras — ou melhor, de uma taxa de crescimento de vendas no longo prazo (CAGR) que apoiará o aumento do preço da ação.

Aqui mais uma vez a língua portuguesa — tão rica em outros aspectos — falta uma palavra que nós, os inovadores de toda e qualquer falcatrua para impedir o bom funciamento de mercados livres, temos para a figura que deveriamos temer nessa situação: o «tout».

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  1. Cambista, revendedor de ingressos
  2. Alguém que promove um produto de uma maneira marcadamente descarada
  3. Quem vende conselhos sobre jogatina ou investimentos especulativos

Um exemplo do uso como verbo:

O produto foi touteado com uma inovação revolucionária.

Lembrem-se da cena em A Day at the Races, do Irmãos Marx.

Chico oferece vender um livro para Groucho com todos os ganhadores.

Só que o livro é cifrado, e precisa-se de um segundo livro para entender o primeiro.

E assim por diante.

Chico, o malandro de sempre, é um «tout».

Uma palavra relacionada é a boa e velha «hype» — substituida hoje em dia pela «buzz», o zumbido.

Um dicionário de gíria de investidores em português dá uma definição errada.

A definição certa, do WordNet:

  1. n. promoção descarada e sem-vergonha
  2. v. promover com alarde e exagero

Sinônimos: «hoopla» e «ballyhoo»! Ambas uma pura delícia filológica!

Ora, a capa da Veja sobre o lançamento do iPhone.

Falando em ballyhoo, hoopla, e o trabalho de hype feito pelo tout. Né?

Deixei o comentário seguinte com o blog de Nassif.

Postando duas vezes, multiplico os chances da nota ser lida.

Assim é a «toutaria» da indústria de SEM-SEO.

Melhor montar seu próprio motor de pesquisa, só para ter uma perspeciva independente.

O maior em termos do valor das ações, mas ainda representa uma fatia muito menor do mercado do desktop, eu estava lendo: Microsoft ainda detém 75% do mercado global.Alémém disso, o NYSE:MSFT espera vender bastante software na plataforma Mac OS X, e portanto tem interesse direto no crescimento dessa plataforma.

O ponto se aplica também ao fabricante de processadores Intel. Em 2005, Apple começou a substituição do processador PowerPC pelo Intel, processador que hoje utiliza com exclusividade.

Então, a pretensa rivalidade entre Mac e Windows não passa de um mito. O que é bom para Steve Jobs é bom para Wintel.

O golpe de marketing de Apple pode ser inédito, porém, além de qualquer questão de qualidade técnica.

O lançamento do iPad ganhou a capa de Time, Newsweek, Veja e Época na mesma semana, por exemplo, com cobertura ampla nos semanários gringo igual à cobertura do Brasil inteiro desde 1964. (Exagero, mas não muito).

A Veja disse do «smartphone» de Apple que «parece mágica», antes mesmo do começo da campanha publicitária. Eu, hein?

Quando o cangaço de chapeu-negros invadiiu o foro de Caros Amigos no Orkut, picharam «Veja, a melhor revista do Brasil. PARECE MÁGICA!!!!!»

Pelo mais puro ocaso, a campanha de marketing do aparelho chamou-o de «essa bugiganga mágica». Steve Jobs não sabia abrir a boca sem dizer a palavra mágica, «mágica».

Foi o último trunfo da reportajabaganda.

Apple é e sempre era um logotipo representando diferença, uma alternativa, a luta contra o Grande Irmão — se lembrem da propaganda de 1984 — mas na verdade não passa de uma coletânea de componentes cartelizados Tem um sistema operacional bacana, não duvido — meu amigo programador da empresa garante.

Entre todas as opções disponíveis, no entanto, como é que essa marca, com fatia reduzida de mercado, chegou a dominar as manchetes assim? Tem um bom livro na pergunta.

Eu me lembro de ver os primeiros prototipos de computadores tipo «tablet» uma década atrás, por vários fabricantes. Como é que o iPad chegou a ser sinômino com esse formato, como se não existisse concorrência — fora uma menção de vez em quando do Android, de Google?

Ora, software é cada vez mais barato, e por isso hardware é cada vez mais donde vem o dinheiro.

O preço da ação de Intel talvez teria sido um indicador mas representativo da situação.

O mundo não vai ser pior se o número de usuários do Mac crescer. Longe disso.

Eu cheguei a brincar com o OS X.

É legal.

Minha mulher está cobiçando um laptop Mac faz tempo.

Tão elegante. (Tão caro!)

Mas design não é tudo, apesar dos ensinamentos da ESPM.

Pois vamos ser realistas: bolhas feitas de pura mercadologia sempre acabam fritando o investidor pequeno.

Minha dica sobre NASDAQ:AAPL: venda logo, ainda no auge.

Compre um sitio em um município pacato com sólida economia local e boa banda larga. Se consiga achar.

«Ice cream! Getcha tutsi-frutsi ice cream!»