Di Franco: De indignatione et movimentibus

Padrão

Uma denuncia de um jornal de Curitiba, fruto de investigação jornalística exemplar, dá luz a um movimento espontâneo de indignação popular. Que história linda.

O estudo de caso é de Carlos Alberto di Franco, escrevendo no Estado de S. Paulo. Deu no Portal ClippingMP do MiniPlanej federal, onde fica mais fácil a leitura.

Eu não confio no consultor-editorialista Carlos Alberto, que já foi o professor de deontologia jornalístico da minha mulher no Casper Líbero — quase a mesma turma que Bonner.

Minha desconfiança não quer dizer que o caso não seja exatamente como ele o descreve, porém. Vamos estudá-lo como um estudo de caso sobre um estudo de caso sobre a suposta credibilidade da mídia 1.0, comprovada pela repercussão dada pela mídia 2.0.

A Assembleia Legislativa do Paraná escondeu 56,7% de seus atos em diários avulsos, inacessíveis ao público, muitos sem numeração e publicados em datas aleatórias, desconectadas da época dos fatos publicados. A prática encobria uma impressionante máfia administrativa. Os repórteres tiveram acesso a mais de 700 diários editados entre 1998 e 2009 e durante dois anos cruzaram o conteúdo das publicações. Não foi dossiê encaminhado à redação. Foi um formidável investimento em jornalismo investigativo.

De onde veio o acesso aos diários?

Di Marco está consciente que o jornalismo de vazamentos praticado por tantos veículos clientes da consultora afiliada a sua, Innovation International, está cada vez mais enxergado tal como ele é: uma podridão sem fim e marca registrada do jornalismo brasileiro.

Caso exemplar: o delegado Edmilson «Cadê Trali?» Bruno «Surfistinha» da Política Federal, 2006.

Outro, indicando que a prática não sumiu: Blat, Veja e Bancoop, 2010. Denuncionismo vazio almejando despertar a indig(i!)nação do leitor.

Aliás, uma régra ferrena deste tipo de campanha é introduzir quanto antes um caso indiviíduo que resume e personaliza o mal alvejado.

A gente chama isso do «poster child» — a criança atraente, corajosa e sofrida que aparece no cartaz da campanha, para angariar simpatia e doações — para buscar a cura, no caso original, do pólio.

Essa aposta na denúncia bem fundamentada revelou situações como a da agricultora Jermine Leal e sua filha Vanilda Leal, moradoras em casas pobres, de chão batido, na área rural de Cerro Azul, a 100 quilômetros de Curitiba. Sobrevivem graças ao Bolsa-Família. Mas na documentação da Assembleia Legislativa do Paraná apareciam como beneficiárias de R$ 1,6 milhão ao longo de cinco anos, dinheiro que nunca viram. O exemplo é só uma casquinha de noz num mar de podridão, corrupção e cinismo.

Como sabe-se que essa gota seria parte de um mar? Todos nós temos a impressão de que a coisa está feia, mas quais as verdadeiras dimensões da problema, exatamente? Talvez seria somente um Rio Tietê — o que seria suficientemente fétido e signficante para merecer nossa preocupação.

Por que o exagero sem fundamento em números sólidos?

E coisa de provérbio que um exemplo não constitui prova do fenómeno. Como dizemos, um passarinho só não faz uma primavera.

Nesse caso, como no caso Blat-Bancoop, os promotores adiantam as provas recolhidas contra o esquema, e fazem ilaçãoes especulativas, que os jornalistas parecem simplesmente gravar e transcrever.

Os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) já comprovaram que o esquema de corrupção montado dentro da Assembleia Legislativa desviou pelo menos R$ 26 milhões dos cofres públicos. Esse valor equivale aos depósitos feitos pela Casa na conta bancária de 17 funcionários fantasmas. A estimativa dos promotores, no entanto, é de que o desvio total chegue a R$ 100 milhões. Até o momento, 18 pessoas foram presas por conexão com o esquema criminoso.

Já comprovaram? Até comprovado devidamente no tribunal, nada pode ser dito comprovado.

Estimativas dos desvios de promotores que ainda não passaram pelo exame crítico de um magistrado cheira do bom e velho jornalismo de vazamentos sob encomenda desde fontes oficiais na busca de publicidade antes do processo começar.

Diante do quadro levantado pela série de reportagens, a seção paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR) lançou, há três semanas, o movimento “O Paraná que Queremos“, que em carta aberta conclama a sociedade paranaense a pedir transparência no Legislativo e a punição dos envolvidos nas denúncias.

Até agora, nada inédito, suprendente ou de se estranhar. A OAB vive lançando campanhas moralizadoras e difusas. «Cansei», por exemplo.

Interessante: houve ou há uma campanha montada por Revolution Messaging nos EUA chamado de SICKOFIT.COM alguns anos atrás. Tradução da frase: CANSEI.

A conclamação surtiu efeito. O movimento chegou até agora à marca de 142 adesões de entidades — Universidade Federal do Paraná (UFPR), Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio), Associação Paranaense dos Juízes Federais (Apajufe), Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe) –, 136 de empresas e 152 de pessoas físicas.

Democracia reside nas mãos de 278 entidades e 152 pessoas físicas. Todo poder aos ONG-OSCIPs e S/As do povo!

Entre as entidades, uma associação de juizes federais — cada integrante da qual teria que se afastar do caso sob suspeição se chamado a ouvi-lo, fossemos nos EUA ou outro país semicivilizado.

Eu seria mais apto a chamar o fenómeno de «movimento» bem sucedido se decenas de milhares de pessoas físicas não-afiliadas as citadas entidades respondessem à chamada ao assine-embaixo.

O movimento, um autêntico grito da cidadania, mostra que a sociedade reage positivamente às denúncias da imprensa.

E aos vazamentos seletivos e estimativas do tamanho do desfaçatez total dos promotores citados por di Marco.

Um autêntico grito de entidades de classe empresariais e fundações filantrópicas.

Me parece ser, no primeiro análise, mais um movimento da sociedade civil de pessoas júridicas, bem-financiadas é articuladas, com agências de publicdade contratadas para montá-la.

Do Indignômetro e Sua Credibilidade

Na verdade, porém, os números citados pelo supernumerário inovador são ultrapassados, segundo o «indignômetro» de um site repleto de tecnologias sociais de ponta.

A adesão de cidadaõs indignados de carne e osso está  batendo na porta de 9.000 agora.

Tarefas de casa

  1. Cruze os nomes de pessoas físicas indignada com os nome de integrantes das entidades de classe patrocinadoras
  2. Compare a campanha profissional em rede contra a corrupção no Distrito Federal — se bem que houvesse.
  3. Analize a cobertura do Gazeta do Povo e da Rede Paranaense de Comunicação (RPC-TV) para ve o quanto as denúncias vem de pesquisa original em vez de vazamentos de fontes oficiais anônimas

Não estou presumindo o contrário.

Estou simplesmente seguindo o conselho de Ronald Reagan: «Confie mais verifique».

Boi Zebu S/A para um Novo Paraná!

Eu tentei aderir à campanha usando nome fictício.

Parece que eu consegui.

O e-mail é de um cavalheiro conhecido como Andrew Warhull, autor de um blog que vive falando mal desses presentes. Me acho, segundo o Dr. Warhull,  um petralha raivoso e gringo pretencioso.

Andy é a pura criação da minha imaginação. Detalhei a sua criação nessas páginas. Por $9.99 por mês, tenho a capacidade de criar quase 1.000 personagens inexistentes, cada um com contas de Gmail, Blogger e Twitter.

Poderiam formar seu próprio grupo de Ning ou Facebook: «C. Brayton, o Dr. House da Rede». Eu tenho milhares de fotos baixadas por meu robô de contas de Twitter e Facebook — estou tentando em vão filtrá-las. Meu robô acabou de chupar esta, por exemplo:

Um Stratocaster de verdade, parece. Tem «whammy bar»? Estou morrendo de inveja.

Cada foto podia ser reciclada como avatar de personagem meu, empregado de Boi Zebu S/A.

O formúlario nem teve verificador de formato de dados de um CNPJ, muito menos um jeito de verificar que aquele CNPJ digitado inteiramente à toa fosse de fato de Boi Zebu S/A — fabricante de sonhos de Õ do Borogodó, Paraná.

Tem razaõ concreta para esse desvio. As adesões à campanha não tem enlaços. É uma lista de nomes em texto simples.

Mas  «divulgue isso» tem oportunidades au gogo para atos de ativismo de faça-clique.

Em qualquer caso, repercuta.

Tem, ao final, a adesão de Boi Zebu S/A e as Organizaçãoes Tabajara e Capivara! Marcas de de qualidade e confiabilidade desde cinco minutos atrás.

Tudo Comçeou Com MoveOn

Enquantos os robês estão trabalhando no mapeamento da «ecologia digital» da campanha — crédito extra: compare o caso da organização online contra a corrupção na AL de Alagoas, e os dados do indignômetro montado lá  —  quero lembrar que todo começou com a campanha MoveOn.

Foi uma campanha dita apartidária chamando o congresso nacional a votar uma resolução de censura contra aquele babaca Clinton e voltar a legislar. Era em perfeita sintonia com meus sentimentos na época, e teve minha adesão. Foi bem sucedido. Tantos Democratas quanto Republicanos achavam o impedimento do boquete uma farsa.

Depois, MoveOn virou empresa de marketing com PAC — comitê de doações políticas — próprias e ficou óbvio que representava uma tendência interna do partido Democrata. Perdeu minha adesão. Escrevi para eles que eu aderi em primeiro lugar porque queria o governo de volta aos trabalhos e o fim de politicagens. Engano meu. MoveOn mirou uma fábrica de politicagens.

A única doação que eu fiz nos últimos dez anos foi $200 ao Partido de Famiílias Trabalhadoras, tentativa de fundar uma terceira via local em Nova York. Minha vereadora é do partido. Gosto dela.

Relatório dos Robôs

O site da campanha mora no que vale para um prédio commercial qualquer cheio de dentistas, advogados, firmas de factoring, agências de propaganda, e coisa e tal.

Fonte: ROBTEX.COM, que mostra que novoparana.com é na verdade ns1.centralserver.com, como muitos outros nomes de domínio.

Seja dito que não há nada fora do normal em tudo isso.

Pode ser puro ocaso que o site do PSDB-PR mora no mesmo servidor do site relacionado à mesma campanha, OPARANAQUEQUEREMOS.COM.BR, no mesmo latífundio de servidores de CENTRALSERVER.

Programa Robôtica de Hoje

Pretendo fazer uma busca abrangente mas rasa para sites ao qual o site a camphana refere-se.

Se ande bem, vai capturar as empresas e entidades listadas na página de adesões, além de patrocinadores e outros elementos de uma autoria coletiva no modelo «mashup»

harvestman --fetchlevel=4 --depth=2 -C havest.xml www. novoparana.com.br

Dá para ver, por exemplo, dos resultados parciais de uma exploração de OPARANAQUEQUEREMOS.COM.BR, que os elementos do «mashup» — uma página composta de elementos prefabricados de vários lugares, como OAUTH.NET pela certificação de de APIs ou TWITTER para alimentar uma bugigana que reproduz os últimos daquele servíço da página — antes de mais nada.

Seria legal poder anotar a presença da página «repercute em Twitter» e desenhar um laço daquela página para Twitter, dando o deminsão social ao mapa. Só u ainda não consegui o editor ideal. O yEd é de longe o melhor. Considere esse trecho de uma rede de Twitter, por exemplo.

Mostra a perspectiva egocentrica do dó selecionado dentro da sa «vizinhança». Bacana.

Mas continuo com aquele problema de Java. Estou achando que talvez funciona melhor rodando-o com o JVM de Java em vez de o Open Java ou o JRE embutido. Sei lá. Às vezes foda. Às vezes não.

Ainda não consegui fazer o GUESS fazer este trabalho de maneira prática.

A yED oferece análise e visualização muito bons, só que não é praticavel ainda na minha máquina como ferramenta de uso comúm. Olhem só, por exemplo, essa visão das matérias repercutidas pela campanha como «clippings»:

Bonita por si só! Vem de um mapeamento feito com SocNetV é salvado como GraphML. Só que eu preciso poder filtrar os nós que não são do domínio OPARANAQUEQUEREMOS.COM.BR e mostrar as etiquetas. E demorou uns dez minutos para calcular um «organic edge routing»

Preciso poder navegar pela rede com a rapidez com que eu podia navegar uma planilha ou banco de dados.

No Meio do Caminho, Meu Robô

Quanto ao trabalho do robô, a estratégia pode ser entendio assim: O KGB de Lula ou os Novos Intocáveis visitam a sua casa é checa mseu correio, fazendo uma lista das pessoas ao qual você escreve. Depois, vai até as casas dos seus correspondentes para ver para quem eles escrevem. e assim por diante.

O resultado ideal seria uma estrutura de diretório hieráquico algo parecido com

voce/tiajulia/oroteirista/tvglobo/osenado/oroteirista
voce/tiajulia/oroteirista/voce/

O Harvestman é legal por relativatizar os resultados em esse tipo de estrutura, onde a barra quer dizer «contém um laço para» o site no seguinte nível de hierarquia. Forma-se um jardim de caminhos que se bifurcam.

Agora, pode ser que tia Julia escreve ao roteirista, que não responde, mas escreve para você, reclamando da sua tia.

Ou pode ser que o roteirista escreve ao Globo reclamando seu salário atrasado, mas o Globo não responde, alistando um senador para tentar amenizar a raiva do autor.

Pode tratar-se de um triângulo amoroso entre a tia, o roteirista e Pedro Bial ou Fátima Bernardes-Bonner.

Em qualquer caso, formam-se redes tridimensionais potenciais de dados bidimensionais dessa maneira. É um jeito de descobrir relações e saber das qualidades estruturais deles, e assim identificar onde vale a pena investir a atenção em pesquisas mais detalhadas.

Em tése.

O grande problema é impedir que o robô de distraia e comece registrando todo e qualquer usuário de YouTube ou outro canal de distribuição na câmara de eco.

Só queremos saber de de autores de vídeos contribuindo à campanha ou repercutindo-a, talvez.

Quando você está tentando chegar o quanto antes ao autor de mensagem, é chato e um gasto de tempo e banda-larga vagar por horas nos dutos de distribuição e multiplicação dessa mensagem. Estou construindo um filtro para evitar isso, dexiando a exploração do uso dos dutos para outro tipo de anaálise.

Assim,  hojeestou aprendendo muito mais do que eu queria sobre a Universdidade de Notre Dame — os Irlandêses Bons de Briga — que eu queria.

Como não exclui subdomínios, fico sabendo de detalhes sobre

  1. bandejão.nd.edu
  2. esportes.nd.edu
  3. alumni.nd.edu
  4. dormitorios.nd.edu
  5. fãsdeelvis.nd.edu
  6. hagiografia.nd.edu
  7. estatístistica.nd.edu

Assim como fico sabendo muito do iTunes, me perguntando, o quê tenha a ver a boa governança em Paraná com o Business Software Alliance — BSA.ORG — poderoso lobby de Microsoft et caterva nos EUA?

Há um forte viés mercadologista no site do Movimento Parana Na Boa, parece.

Melhor teria sido algo como

harvestsman --fetchlevel=2 --depth=1 site.com/patrocindadores

Pegue a página com  laços aos parceiros, patrocinadores e aderentes e faça uma exploração rasa mais abrangente deles.

Mas agora é aguardar os resultados. Ainda assim, vemos alguns rasgos nítidos de uma clássica campanha «astroturf», de espontaneadade plástica-fantástica, orquestrada pela sociedade civil de oligopsonias unidas.

Processando …

Inconclusões

Julgando da amostra fornecido por SocNetV — que é longe de ser uma ferramenta ideal — parece que a principal atividade dos sites desse grito auténtico do povo e repercutir é notícias sobre um escândalo político — dos detalhes do qual ainda não me enterei, mais um abuso de fufunfa pública numa AL estadual — de uma só fonte jornalística, e repercutir essa cobertura em todo o ue é mídia social pela mágica do jornalismo de Ctl-C, Ctl-V.

Os pontos em azul representam a repercussão das mesma reportagens por meio de

  1. BR.BUZZ.YAHOO.COM.BR
  2. DIGG
  3. REDDIT
  4. FACEBOOK
  5. TWITTER

Et alia.

Os movimento parece ser uma camara de eco para uma coluna específica, a «Diários Secretos». Vou dar uma olhada.

Em fim, o deontologista do Senhor dize que a repercussão das reportagens comprova que são boas. Mas o movimento supostamente espontaneamente surgindo das denúncias tem tudo para ser uma campanha de propaganda clandestina promovendo a noção de que «Globo faz bom jornalismo».

Globo tem jornalistas capazes de fazer bons trabalhos, é verdade, mas muitos trabalham agora na Record por ter insistido demais em fazé-los quando propaganda e escandalização foi o que os do aquário queriam.

Entretanto, a Comitê Central de Jornalismo ainda está dominada pelo homem mais intelectualmente deshonesto do Sul global, Ali Kamel. Meu palpite: Fique com pé atrás. Provável reportajabaganda por um consultor contratado a promover a imagem do jornalismo Global.

Este sofre da má-fama de ser de pessísmia qualidade e pretende revertir a tendência se abrir mão de práticar um péssimo jornalismo.

Não há nenhuma autenticação das assinaturas no assino-embaixo, por exemplo.

Uma personagem do meu romance inacabado está entre quem apoia. Preciso dizer mais?

Nota final: O projeto Novo Parana, ou O Parana Que Queremos, tem algum tipo de relação com o projeto Nos Podemos, que trata-se dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM).

O Nós Podemos, em torno, é parte de uma rede com o PortalODM — o responsável pelo qual, segundo uma busca WHOIS, é Carlos Alberto Del Claro Gloger do Instituto de Promoção de Desenvolvimento.

O mesmo Gloger é presidente do conselho do IBQP e presidente do FIEPR.

Anúncios