O Dossiê do Dossiê do Dossiê do Dossiê

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Buemba! Dilma diz que história de dossiê contra Serra é falsa, relata o Estadão, sem entrar na questão de quem tenha razão.

Segundo denúncia da revista “Veja”, …

Pare aí.

O intervalo acabou.

Já sei que o House M.D. terá mais a ver com o mundo tal como ele é.

O Magus Mirabilis in Oz tem mais a ver.

Eu reli uma nota minha de 2007 sobre os argumentos da Veja de que o dossiê Kroll foi um ótimo exemplo de jornalismo investigativo e tive uma boa gargalhada.

A lógica torta do trecho seguinte é estarrecedora. Infelizmente, só tenho minha versão inglês da época.

Using all legal means, VEJA tried to confirm the authenticity of the material handed over by Manzano [and compiled by Frank Holder, with whom they met in Zurich.] Submitted to examination by an expert hired by the magazine, the material presented numerous inconsistencies, but none of them sufficiently strong to completely eliminate the possibility that the papers contained true information. … The magazine made it clear that it could not prove the authenticity of these papers, which could all be a fraud. Even so, it is implausible that the banker would have spent so much time and money to hire and equip international spies only to come away with a bunch of phantom documents.

Não podia provar a autencidade do dossiê — ou melhor, não podia comprovar com certeza metafíica sua não-autenticidade — mas ainda consideravam-no plausível.

Ora, é plausível que eu começarei a psicografar Mark Twain de repente, daqui cinco minutos, pelo mero fato de haver pessoas que acreditam na realidadade de psicografia. «Coisas mais estranhas já aconteceram», né?

Se não fosse verdade, porém, eu achava implausível que um jornalista profissional pudesse ter produzido um «mashup» de sofismas simplórias tão insultuosas à inteligência do leitor, pelo qual recebe um bom salário.

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Ah, mas aqui tem um novo nome, o do suposto consultor do continuismo, para tentar identificar dentro das redes em que existe. Mais uma experiência em sociometria para todos nós.

… um grupo dentro da campanha de Dilma teria articulado a produção de um dossiê para atingir José Serra. Esse “grupo de inteligência” teria sido montado pelo jornalista e consultor Luiz Lanzetta, que é proprietário da empresa Lanza Comunicação, contratada pelo PT. Dutra disse hoje que Lanzetta não trabalha na campanha de Dilma Rousseff.

Madame Allend-e

Eu ouvi pelo boatoduto que o dossiê teria a ver com a filha de Serra, Veronica Allende Serra.

Ela é diretora de MercadoLivre e tem bastante experiência prática no mundo de capital de risco no setor de TI, trabalhando em Nova York e MITopia-Harvardlândia, onde ele recebeu seu MBA. Aposto que ela saiba o quanto o serviço de trem-bala entre as duas ciadades é ruim.

Me lembro vagamente de que, acho que foi durante a última eleição estadual, a filha teve que liquidar um investimento ou sair de um conselho para não causar um conflito para o pai. Fez e ninguém mencionou mais. Eu não lembro nada de escandaloso no episódio. Ainda bem que a familia Serra se preocupa com a questão de conflitos.

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Quanto à suposta montagem de um dossiê, uma denúncia contra esta prática por quem já botou um dossiê forjado na capa para ferrar o chefe da polícia federal — após ter chamado ele do Novo Intocável — só pode ser recebida como piada de mal gosto.

Que esse pajé Lanza fosse contratado para ser o James Carville de Dilma foi publicado no começo de abril em um jornal de Santa Catarina. Não cita fontes. É assinado «colunista». O inteiro teor:

A ex-ministra Dilma Rousseff, candidata do PT à presidência da República, já definiu a empresa jornalística e os profissionais que atuarão em sua campanha. Contratou a Lanza Comunicação e Estratégia para comandar todo o processo.

A Lanza é do jornalista Luiz Lanzetta, que integrou a primeira equipe de professores no início do curso de Jornalismo da UFSC, na década de 80, trabalhou no jornal “O Estado” e residiu durante vários anos em Santa Catarina.

Olhando bem, o dito jornada parece da Adjori-SC, associação de jornais do interior de Santa Catarina. Deve ser um corpus ineressante de discurso. Enfio um robô em um taxi para Congonhas, pode pegar o último vôo para Floripa.

Também deu no IusBrasil na msma época.

O comando da campanha da pré-candidata Dilma Rousseff fechou contrato com a empresa Lanza Comunicação e Estratégia para comandar todo o esquema de comunicação da petista. Dono da empresa, o jornalista Luiz Lanzetta, que fez a bem sucedida campanha do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, buscou no mercado jornalistas que já atuavam na área pública, como a diretora de Jornalismo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Helena Chagas. A Lanza trabalhará em conjunto com a Pepper Comunicação Interativa, que atuará mais na área de redes sociais. Sob coordenação da Lanza, o esquema de comunicação funcionará numa residência no Lago Sul, alugada em parceria com a Pepper, da empresária Danielle Fonteles. A jornalista Helena Chagas coordenará a parte de assessoria de imprensa pessoal de Dilma, junto com Oswaldo Buarim, que já trabalhava com a ex-ministra na Casa Civil.

A colunista do iG, Andréia Sadi, faz com que o contrato foi fechado quase dois meses depois, em nota divulgada dia 27 de maio. Sem citar fontes.

As empresas Pepper Interativa e a Lanza Comunicação fecharam esta semana, em Nova York, uma associação com a Blue State Digital, que foi responsável pela campanha na internet do presidente Barack Obama. A Lanza e a Pepper representarão a Blue State com exclusividade, na área política, em toda a America Latina.

As três empresas já atuam na pré-campanha da candidata Dilma Rousseff e, a partir de agora, terão uma ação integrada de negócios.

À Dilma ainda lhe falta um aplicativo do iPhone. Vão trabalhar, vagabundos!

Tenho um perfil do negócio de Pepper aqui em algum arquivo. Vende lavadoras, carros, sabão em pó é filmes de Hollywood como o resto da indústria. Eu apresento os dados que tenho após fazer o perfil do Lanzador de Dilma 2.0.

Dicas de Dick

Nesses casos, a lógica do marketing político segundo o Dick Morris manda identificar seus próprio pontos fracos e denunciar práticas ainda piores por parte do oponente, com o máximo alarde, para amortecer o efeito das denúncias contra você.

Eu me lembro de um discurso no plenário da Casa durante a queda de Tom De Lay e Jack Abramoff– corruptis in extremis, como reza a lema oficial de Springfield — no qual uma deputada Republicana exaltada culpou a corrupção inerente no outro partido por todos os atos do poderoso congressista texano e o lobista mais «inovador» na história do lobby .

Foi dificil entender sua lógica. Algo como «os Democratas construiram o sistema que corrompeu este homem honrado e portanto são eles que merecem ser cassados».

Do mesmo jeito, Aze(ve)(ja)do já denunciou com escarnho que a campanha do continuismo ia utilizar os serviços da agência de marketing político de Obama! Como se o próprio Abril não tivesse uma agência digital.

Na verdade, ambos os lados utilizam a rede social segundo o modelo básico desenvolvido por Blue State e Revolution Messaging. Dica: compare os arquivos CSS.

É como se ambas as campanhas utilizassem uma frota de fuscas, azuis e vermelhas. Projetada em Alemanha — por Hitler! — mas fabricada no Brasil. E daí?

Os mudancistas usam-no muito mais pesadamente, porém.

Acho que dia desses vou poder dar uns números para fundar esta impressão mais ou menos subjetiva. Se quiser ver tecnologia de ponta em ação, não olha para o PMDB, que tem um único, mísero blog no site do estadual paulista.

Eles estão ficando com o rádio e TV do coronelismo eletrônico tradicional. Radio de pilha alcança classe D enquanto o iMac só alcança o segmento da classe AAA que sabe digitar QWERTY. 

Anticipatio Retórica e «Putas Somos Todos Nós»

It ain’t me
It ain’t me
I ain’t no Senator’s son

Durante a campanha de 2004, voltando à tema, os gênios de Bush sabiam muito bem que o fato do presidente ter evitado serviço militar em zona de combate — como é bom ser filho de Senador e chefe da CIA! — durante a guerra de Vietnã seria um impedimento a imagem dele como «presidente de guerra».

Creedence podia ter composta «Fortunate Son» com Bush ibn Bush na mente.

Esse cálculo levou-os a acusar o Senador Kerry, condecorado veterano que chegou a ser baleado em combate pesada na delta do Rio Mekong, de não merecer suas honras militares e de ter traido a pátria com suas manifestaçãoes contra a guerra após deixar as FFAA.

Foi uma vergonha.

Kerry é um chato de diversos modos, mas que pegou o M-16 e atirou no inimgo, ele fez isso. Como voluntário.

No processo, acabaram com a raça de Dan Rather, que apresentou uma reportagem sobre o serviço militar de Bush no «60 Minutes». Rather é meio um Bonner ou Ron Burgundy, mas teve a coragem de fazer reportagens com os mujaheddin de Afeganistão desde a frente nas 80 para fazer seu nome. Merece respeito.

Como parte da reportagem, apresentou uma carta-denuncia de um comandante já morto e de repente a blogosfera neoconservadora foi cheia de especulações sobre a capacidade de máquinas de escrever da época de fazer o «superscript» de 1st, 2nd, 3rd, 4th, 5th, sabe?

Por causa das dúvidas levantadas sobre o documento, e apesar de informaçãoes amplas de testemunhas oculares sobre o favorecimento do Dubya, a casa de Rather caiu. Foi o exato momento da morte de jornalismo investigativo na rede CBS. 60 Minutes hoje é mais uma marca de qualidade esvaziada. Virou o Fantástico de lá.

Fatos Sem Escândalo

Ora, não tem nada de errado em MobilizaPSDB — é um site do gênero quase prefabricado, genêrico, com os devidos mutatis mutandis. O profissionalismo do site é impressionante. É bonito e bem projetado.

Pensando bem, não há nada de errado na preparação de dossiês tampouco.

Nos EUA, a AAPC, entidade de classe marketing político, tem um código de ética para «oppo research» — pesquisa sobre a vida pública pregressa do opositor — a qual na verdade é uma parte essencial da indústria, assim como fornecedores de engrenagens são da indústria de automoveis.

Consultor político que não faz uma boa pesquisa é incompetente. Rua nele!

Tampouco tem vergonha na contratação de profissionais — que não sejam aquele careca encrenqueiro de Belo Horizonte, mas quem vai lançar a primeira pedra naquele caso?

Alguma pesquisa deveria ter informada aos caciques que o meme «o mudancismo entra no jogo sujo» estava surtando efeito, o que, seguindo o livro de Dick Morris, este faz necessário o emprego do meme «putas somos nós» — também conhecido como «ladrão não tem moral de chamar um ladrão de ladrão».

Os motivos subliterários dessa novela são eternos. Tem um exemplo em Gilgamesh, não duvido.

Relendo o livro apócrifo de Susana — originalmente parte do Daniel, e tema de uma bela poesia de Wallace Stevens– outra noite, por exemplo, fiquei intrigado com os argumentos dos sacerdotes lascívos que acusam a mulher reta e bela de ter traído o marido.

A lei teria julgado a testemunha ocular de dois fariseus de ethos imponente adequados para condená-la, mas o juiz esperto separou os sacerdotes e perguntou sob qual tipo de árvore ele tivesse deitada com o amante.

Oliveira, diz o primeiro.

Figueira, diz o outro.

Logo ficaram sem cabeças.

Vocês brasileiros e seus dossiês!

Aquele dos Vedoin consistia tão somente em um vídeo colado de YouTube mostrando Serra, visivelmente cansado, rachando o palco com alguns bandidos em Mato Grosso do Sul enquanto entregava ambulâncias.

Que vai fazer? Lá, quem manda é o Comendador Arcanjo.

Na verdade, a frota de ambulâncias que você vê por aí, até fora do Eixo, em pequenas cidades de Minas e Bahia que já visitamos, por exemplo, parece de ótima qualidade.

Olhem o estacionamento na Hospital das Clínicas dia desses. Têm Mercedes e Fiats da prefeitura de Santa Clara da Televisão, pop. 25.000!