Nihil Sub Sole Novum Est: As Redes do Jornalismo de Inovação e a Força de Novas Idéias

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Navegando ontem à categoria de ciência e tecnologia no Google News Brasil, procurei em vão uma notícia sobre qualquer pesquisa científica, seja mera curiosidade — ratos podem sentir saudades, sabia? — seja uma decoberta importante. No lugar de tudo como valor noticioso ou novidade do mundo de ciência, é o Orkut, oTwitter, o Sony Bugiganga 3.0 com tela de plasma, Flash e ligação permanente a iTunes.

É o iTudo.

Hoje, é a mesma coisa. Se Apple está lançando iAds, agência de propaganda para anúncios na plataforma iPhone, é uma notícia sobre a indústria de propaganda, comunicações, mídia e entretenimento. Talvez se encaixaria melhor no noticiário empresarial.

O New York Times, pelo menos, separa a fonte eterna de reportajabangda — que o caderno de tecnologia virou na última década — do caderno de ciência, onde lê-se reportagens hoje sobre um sapato feito 5.500 anos atrás, o patrimônio genêtico dos judeus, o trabalho de cientistas para controlar o derrame no Golfo de México, e uma seção especial sobre tecnologia e pesquisa «verde», provavelmente patrocinado por Al Gore e Steve Jobs.

Isto é mais parecido o noticiário de ciência de que me lembro da juventude: cientistas trabalhando noite e dia fazendo ciência de verdade, tanto prática quanto teorética.

Tal como são as notícias ainda fornecidas por ScienceNews.org, da Sociedade para Ciência e o Público. Também trata o desastre do Golfo como um enredo de ciência aplicada e engenharia. Relata como o perfil químico de uma lua de Júpiter reforça a hipótese da existência de vida lá. Conta como pesquisadores descubriram um estratégia matemática nos movimentos do tubarão enquanto caça. A capa da revista impressa promete uma cobertura completa sobre a utilidade médica de maconha.

De quem seria a culpa?

Dos promotores do chamado «jornalismo de inovação» — ou como eu o chama, a grande arte da reportajabaganda.

Perdi o «clipping» que fiz outro dia, acho que foi do site do Master [sic] em Jornalismo, mas rezava da mesma bíblia: o curso da Universad de Navarra se diz ter «inovado« quando resolveu oferecer duas bolsas de estudos para custear o curso.

A bolsa de estudos é uma inovação?

Michelangelo tinha fundos do Medici para realizar obras, o qual é bem parecido. Os ordens religiosos educava jovens eruditos durante as Idades Médias, ao preço de castidade. Não teriamos um mecenato hoje se não passasse pelo palco da história o Mecenas original, patrocinador de poetas de Sturm und Drang e a vida bucólica.

Também encontrei um artigo, da mesma fonte — este também perdido no momento — sobre «qual vale mais: inovação ou invenção?».

Qual a diferença. A diferença que marca uma verdadeira diferença?

Em todos os dicionários mais importantes, são sinônimos.

Como um professor meu sempre destacava, a invenção vem do latim invenire, que significar achar, descubrir, desvendar algo preexistente mais escondido até agora.

Inventar algo, dizia, era achar uma nova combinação, um novo síntese, de conhecimento ou tecnologia existente.

O mundo é. Nós simplesmente ainda não entendemos-no.

Nós vemos mais longe que os autores antigos, como disse o satirista Jonathan Swift — virou a lema de Google Scholar — por estarmos sentados nos ombros de gigantes.

Este discurso de inovação, entretanto, vende o mito de criação ab nihilo — onde era nada agora agora há alguma coisa. Uma nova ONG promovendo tautologias em grande estilo, graças a doadores ocultos, por exemplo.

O ser humano não tem esse poder — além da reprodução, que aproxima-se a tanto.  O mesmo discurso do «jornalismo de inovação», entretanto, é um bom exemplo da cunhagem de um novo termo de nada, sem referência a nada nem conteúdo nem significado nem nada.

O jornalismo de inovoção, segundo o pai da disciplina, é o jornalismo que trataśe de inovação.

Isso: é uma tautologia, um mito no serviço de uma sofisma.

Pois se houvesse diferença  entre o bom e velho «R&D» — pesquisa e desenvolvimento — e os «processos de inovação» que substuiriam-no, só podia ser que quem trabalham com «invoção» além de mera «invenção» são quem financiam os institutos de inovação — tal como Microsoft, IBM, Apple, Sun, e Sony, os assuntos das reportajabagandas de sempre.

Estes são chamados, em troco de seu subsídio, de «visionários».

1 + 1 = 3

Isso dito, eu quis tomar a estrutura institucional desse discurso como o objeto dos meus exercícios de laborátorio hoje.

No processo, espero entender um pouco mais sobre como funciona essa coisa de sociometria, o análise de redes sociais.

Portanto, vamos ver o que podemos acresentar à rede do InJor, programa na universidade Stanford — o nome da qual é homenagem a um barão de ferrovias e vapores que inovou no sentido de proteger os privilégios dos carteis que tomaram conta dessas indústrias elegendo-se o governador de California.

Já fiz um análise do «circulo fechado» do InJor, sorteado em várias categorias segundo meu modelo MOSCOU.

Tem laços estreitos com a comunidade de capital de risco — «venture cap» — por exemplo, assim como com a imprensa especializada.

Ensaio Sobre Método

Ora, como eu disse na última nota, estou no processo de inovar jeitos de fazer operações — provavelmente sonhados pelo bisavô de Pitágoras — nos meus dados.

Dada um «círculo fechado» A, e outro, B, quero saber como fazer as operações

  1. A ∩ B
  2. A ∪ B
  3. A ⊂ B

Acho que consegui ontem, com uns arquivos .NET representando estruturas de diretórios. Primeiro, um exemplo de A ∩ B = 0, ou seja, não há pontos em comum entre redes A e B.

Agora, uma vez que eu não tenho um talento prodigioso na matemática, eu volto ao começo e faço um modelo dos elementos mais simples do problema.

Agora, imaginemos que A ∩ B > 0, ou seja, que alguns desses círculos — nesse caso representando, digamos, o «blogroll» de blogs acompanhados e lidos pelo autor do ur-blog– tem pontos em común.

Eu e Neuza lemos a revista Rascunhos, digamos, mas ela lê blogs femininas enquanto eu leio Nassif, ou que seja.

Façamos os novos enlaços entre os nós como a mesma identidade.

Depois, é para fundir os nós sinônimos em um único nó.

Agora a rede tem uma estrutura.

As relações entre os nós tem valores próprios, são mais ou menos centrais ou autoritativos ou distantes ou pertos ou que seja.

Tem nós isolados que jamais saberão da notícias do Nó Central senão pelo intermediário de um vizinho, a credibilidade do qual eles não têm jeito de averiguar.

Tamanho e cor são variáveis capazes de representar a «importância» de um nó segundo um critério ou outro. Assim, com o editor de diagramas Gephi, pode-se calcular um valor que identifica os «hubs» — centrais — da rede.

São como os Atlantic Avenue, Grand Central Terminal, e Rockefeller Center daquela rede — nesse caso, da CIA e o e-Governo dos e-UA– se bem que você tem algum conhecimento do metrô de Nova York.

Outro exemplo: eu tomo o resultado de um processo traceroute diagramado com Dotty e acrescento dados que tenho de outras fontes, como, por exemplo, que Ethan Zuckerman é fundador do EFF e trabalho no Cíberdireito de Harvard.

Assim, a hierarquia vira uma estrutura de relações diferenciadas.

Tecendo as Fronteiras

Agora, o que há de interesse nas fronteiras do InJor?

HBS.EDU, a faculdade de gestão empresarial de Harvard, pode ser — o Bush ibn Bush formou-se MBA lá, uma vez que a faculdade faz exceções ao princípio de meritocracia para quem tem o diretor da CIA como pai.

Ora, tenho outras coisas a fazer, e até agora só tenho lindos fracassos para mostrar. Eu tentei, por exemplo, calcular a interseção entre a rede da Juventude Democrata — integrante da rede RELIAL — e outra. A classe de URLs em comúm foi vazio.

É muito divertido comandar o programa a fazer a diagrama girar 360 graus. Eu posso fazer por horas e horas. Parece a Estrela de Morte de Darth Vader.

Ora, tenho um coletânea de dados onde mandei a aranha explorar as redes de Cato, RELIAL, e Atlas, escrevendo os resultados no mesmo diretório.

Eu sei que tem muitos nós em comum.

Li a estrutura desse diretório com Network Workbench e salvei como um arquivo de Pajek.

Vou praticar a identificação e fusão de nós idênticos.

Possível solução: Google Fusion Tables.