Gente Que Mente: Não Somos Responsaveis Por Nossas Escolhas Editoriais

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Notada de passagem de uma olhada de soslaio do Twitter: BLOG DA DILMA: Ministro do TSE multa PSDB por site contra Dilma.

Trata-se do blog não oficial de Dilma, que na verdade é da responsibilidade de um tal de Daniel Pearl — provávelmente um pseudônimo lembrando o jornalista assasinado do Wall Street Journal.

Eu destaco o trecho seguinte:

Os tucanos admitem que a página é do partido e argumentam que ela foi pensado como instrumento de ação partidária da oposição contra as mentiras do governo e da petista.

O advogado do PSDB, José Eduardo Alckmin, afirmou que irá recorrer ao plenário do TSE. “Achamos que a decisão pode ser alterada pelo plenário. O argumento é que a multa está sendo imposta por conta de manifestações de internautas. Não é uma manifestação do site”, afirmou o advogado.

Continua uma polêmica acirrada em vários paises: o divulgador de conteúdo da autoria de terceiros deveria ser responsável pelo teor do conteúdo? Obviamente os Googles e Yahoos e tudo mais do mundo são contra. Eu também seria, fosse eles.

A questão me dá dores de cabeça.

Difícil, como mero integrante do Público, entender as repercussões para todos nós. O conteúdo do presente blog, por exemplo, é da minha inteira responsabilidade. Insisto.

O WordPress não necessariamente concorda comigo sobre eventuais juizos de valores feitos. Eles vendem alguns dados sobre minha atividade na rede para propagandistas, em troco de fornecer um serviço bem bacana, de graça.

E os comentários de spam que, apesar do filtro, conseguem aparecer aqui não são da minha responsibilidade, embora eu faço o melhor possível para tirá-los.

São sempre os mesmos: “Essa nota me fez pensar! Parabens!”

O laço aponta um site de eletrodomêsticos sinoparaguayos pornográficos que ataca sua máquina por meio debrechas de segurança de Windows.

Segundo a nota, porém — o Blog Que na Verdade Não É da Dilma não informa a fonte dela — os comentários foram moderados. Aí, representando uma escolha editorial, eu acho que responsibilidade entra em cena.

Cadê o trecho?

A representação foi apenas contra comentários de terceiros. No site o administrador afirma que os comentários são moderados. “Nossos comentários são aprovados por um moderador para garantir que o conteúdo publicado seja relevante para os demais leitores, de acordo com o objetivo do blog.”

Tradução: Nós não somos responsaveis para nossas escolhas editoriais. Né? Se liberamos um comentário depois julgado calunioso, a responsibilidade é do autor.

Eis os campeões de responsibilidade individual.

Eu antigamente editava a página de cartas de leitores de uma revista. Havia consideraçãoes a serem levadas em conta antes de mandar imprimir.

Anomimato não era permitido, por exemplo, é uma confirmação foi feita — de que, digamos, João Engenheiro de Software Somos Nós S/A existia na vida real — quando necessário. Tem que poder argumentar que você fez o possível para impedir a entrada de sacanagens e safadezas.

Mas quem sabe? Como nós gringos dizemos, IANAFL. Tenho vergonha de traduzir. Basicamente, eu não sou advogado. Pergunte a Márcio Chaer.

Conflito, O Velho Cabrito

Desconversando por enquanto, então, faço uma observação que eu  fiz em 2006 também: Um parente do candidato do mudancismo de então — antepassado comum: um ministro do Supremo brasileiro durante a ditadura, além do primeiro supernumerário de Opus Dei no Brasil — que além disso antigamente era ministro do TSE, servia de advogado da campanha do mesmo ante o mesmo.

Hein?

Isso não aconteceria nos Estados Unidos, onde os códigos de ética para magistrados não permitem que você advogue ante um colegiado do qual você já fez parte.

Ponto final.

Não soa esquisito, o cara dizendo saber como o colegiado votará, sendo ex-colega de alguns deles e parente de um pré-candidato ao governo estadual que deveria ser parte de processos futuros?

No Brasil, porém, não trata-se de um conflito de interesses.

Trata-se de uma inovação jurídica!

Faz tempo que não tem caso parecido na terra de futebol em que usam-se principalmente as mãos.

O presidente Grover Cleveland depois virou ministro do Supremo, me lembro.

O Franklin Roosevelt fez umas ingerências ousadas no sentido de fazer do tribunal um instrumento político-partidário — queria aumentar o tamanho da Corte para garantir uma maioria à Nova Cartada — mas até nosso Gétulio não conseguiu impôr a vontade.

E presidente do STF aposentando-se e virando Ministro de Defesa? Impensável!

Ministros vestem a toga até morrer, normalmente.

Separação e autonomia dos três poderes, se lembrem?

As aposentadorias recentes foram muito comentadas por causa desse fato, por exemplo.

Hoje Só Amanhã

Está na hora de House M.D.

Vou deixar o WIRE correndo, acima.

Acrescentei os sites Right Watch e Source Watch aos sementes para equilibrar o índice.

O cíclo está demorando quase duas horas durante a sexta rodada de vinte. Vamos ver onde estamos amanhã de manhã.