Admirável Neocon Novo

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Um dos resultados mais interessantes da primeira rodada da minha exploração do «estilo neocon» — a frase sucincta utilizada pelo jornalista Luis Nassif para descrever o jornalismo marrom da revista Veja — foi a posição de destaque do blog PATTERICO.COM, que aparece com o índice mais alto de «hub» dentro da amostra preliminar.

Esta é uma medida relativa, se bem que eu a entenda, onde a soma de todos os quotientes de centralidade = 1. O destaque de outros sites — ordemlivre.org, por exemplo — explica-se por este ter sido um site «semente», mas este emergiu rapidamente e com força.

Tem uma «autoridade» técnica — nos termos da indústria de «otimização para motores de pesquisa» — invejável, com algo como 1.2 milhões de repercussões-multiplicações

Pela mesma métrica, o Tio Rei da Veja, por exemplo, só tem 59.000, enquanto o site da Revista Veja como um todo somam uns 850.000.

Notável são os interesses comúns desse blogueiro e nosso blogueiro covardanônimo DIOGOCHIUSO.COM — uma ponte importante entre o estilo neocon lusófono do Instituto Millenium e a comunidade de neocons estadounidense.

Eu sou velho observador da blogosfera neocon, mas tenho que admitir que estou meio desatualizado. Tem novos jogadores em campo — Gansos e Neimars, jogando ao lado dos Kakas e Ronaldinhos da última Copa.

Eu me lembro bem, por exemplo, das eleições de 2004 e o papel jogado por Powerline — ligado ao Claremont Institute — e Little Green Footballs na derrubada do áncora de CBS, Dan Rather.

Montaram ataques barra-pesadas contra uma reportagem sobre a evasão de serviço militar pelo Bush ibn Bush durante a Guerra de Vietnã, apresentada no Fantástico de lá, 60 Minutes.

Os manda-chuva da rede cederam a pressão e botaram o âncora — apesar de meio denso, um repórter consagrado com currículo impressionante  — no olho da rua.

Na verdade, este novo e influente central do samizdat neocon agrega muitos dos velhos nomes, como Powerline, Volokh, Buzzmachine, Pajamas Media e Instapundit — este último de Glenn Reynolds, autor do livro Um Exército de Davís, um mapa estratégico para campanhas de jornalismo-cidadão futuras. Ainda tenho minha cópia.

Como já mostrei, esse exército é um bando de clones e blocos de eu sozinho:

Os indivíduos heróicos não são tão indivíduos assim, está vendo?

Pajamas Media — cidadão-jornalistas desafiando a grande conspiração da mídia esquerdista, de pijamas, com blogs — é especialmente virulento.

O site tem como um de vários subdomínios DIRTY.ARAB.PAJAMASMEDIA.COM — «árabes sujos», o racismo difuso de sempre, promovido por franjas do lobby pro-Israel para despertar o ódio racial que fez parte tão significativa no argumento  pela invasão de Iraque.

Mídia Sem Máscara 1.0

Também tem novas incarnações de velhas campanhas, como That Liberal Media, herdeiro-clone do Accuracy in Media, este o modelo seguido à risca pelo projeto lusófono Mídia sem Máscara de Olavo de Carvalho, denunciando um viés esquerdista na grande imprensa.

Acima, que a resposta do governo Obama ao desastre no Golfo de México seria um passo no sentido de socialismo bolivariano para satisfazer a ambição dos radicais da esquerda norteamericana pelo poder totalitário.

Compartilha com os milenários o discurso de oposição a qualquer «controle social» da mídia, além de escolhas feitas no livre mercado cartelizado.

O Patterico, apesar do visual caseiro, tem uma infraestrutura técnica muito sofisticada.

Como nem o duende que assedia o jornalista Nassif no Twitter, mora no latifúndio de servidores virtuais, MEDIATEMPLE.NET, por exemplo.

Disso, mais para frente.

O Discurso Neocon: Um Corpus Linguístico

Uma amostra aleatória tirado do fluzo de conteúdo do blog, entretanto, mostra algumas das preocupações do discurso neocon hoje em dia.

Ataca Hillary, com insinuações de caixa dois. Mantém uma campanha forte contra o suposto viés esquerdista do Los Angeles Times. Repercute Freakonomics — uma coluna divertida de economia para todos nós que hoje em dia é emportuguesada pelo portal UOL.

Divulga os resultados supreendentes de uma pesquisa de PBS — a semiestatal de TV pública onde reinam os institutos de pesquisas — sobre a percepção pública da vice-presidenciável Sarah Palin, ex-governador de Alasca e hoje em dia comentarista de TV na melhor tradição de Dick Morris.

Repercute The Hill, um Congresso em Fouco que tem como colunista principal … o consultor político Dick Morris. Veja

The Hill, entretanto, tem servidor próprio de iTunes, é claro.

Que mais? Eu achei interessante a manchete «redatores de jornais finalmente acordam à campanha astroturf de Obama».

Lembre-se de que este termo — literalmente, «falsos raizes do caipim» — quer dizer um movimento aparentemente espontânea da sociedade civil, surgindo de baixo para cima, mais na verdade orquestrada de CIMA para baixo por agências de publicidade e seus clientes, que ofuscam seu papel no «movimento»

Pense na campanha Cansei, por exemplo.

Ataca Barney Frank, o legislador Democrata abertemente gay de Kennedylândia. Chama os Democratas de covardes quanto ao Afeganistão. Continuam insistindo na hipótese Fukuyama-Huntington — que estariamos em uma guerra de civilizações contra o Islã — até após a moderação considerável dessa posição pelo mesmo Fukuyama.

Aposto que eu acharei aqui uma repercussão do «meme » virulento mais recente dessa turba, que um velho colega de faculdade me mandou por Facebook — «que o futebol-soccer é anti-Americano».

Legisladores federais fizeram coletiva para espalhar este argumento. Juro!

Mas danam-se. A seleção masculina iánque, vítima habitual de goleadas por países hispanofalantes o tamanho de New Hampshire, empatou os grandes ingleses. Estou ufanisticamente feliz da vida. Eu acho o Rooney um vilão.

Os anunciantes do blog tendem a ser pró-tabaco, pró-AK47 para todos nós, e pró-jogatina — as  mesmas causas libertárias defendidas pelo Instituto Cato faz décadas, por exemplo.

O anjo caido deste movimento, o lobista e criminoso condenado na última instância Jack Abramoff, por exemplo, foi metido no submundo de casinos em reservas indígenas soberanas — um arquipélago de TAZ fiscais e portanto fonte sem fim de caixa dois para operações de guerrilha política-partidária estarrecedoramente doidas e corruptas.

Eu até beneficiava desse ágio jurídico no passado possivelmente, quando era possível encomendar cigarros ao preços de bananas do tribo Mohawk — com território que atravessa a fronteira EUA-Canadense — pela Internet. O governo federal fechou a brecha, infelizmente mais necessáriamente.

Em fim, um censo do que há de novo e velho, perdido e achado, dentro dessa blogosfera enorme da ultradireita, construido sobre a última década e articulada intensamente em rede e na rádio.

A vir: Rodada número 2 do censo de WIRE deste estilo neocon, agora completa até 40.000 sites e 1.5 milhões de documentos.

Além do mais, como aproveitar resultados de Heritrix.