Domingo no Laboratório: Novos Dados Sobre o Lusosfero

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Para resumir: Estou construindo um banco de dados e glossário do «estilo neocon» — frase do jornalist Luis Nassif — utilizando a aranha WIRE, de C. Castillo e outros dois chilenos legal pra caralho.

Como sementes da pesquisa, escolhi as fundaçãoes e entidades  norteamericanos que constam como patrocinadores do Instituto Millenium ou são relacionadas a essas — Cato, Atlas, Heritage, Endeavor, Hoover, AEI — além de seus sucursais brasileiros e, para apimentar o caldo, alguns observatórios da direita estadounidense como SourceWatch, Right Watch, e projetos afiliados, que concentram informações sobre vários atores relevantes.

Preparando a segunda rodada — essa vez com limite de 100.000 de páginas por rodada em vez de 10.000 — fiquei realizando que nas sementes originais, botei o endereço errado para o Instituto Millenium, aquele movimento espontâneo em favor dos direito humanos daquela sociede civil de pessoas jurídicas que reclama reconhecimento como uma minoria perseguida.

Botei imil.org, enquanto o certo é imil.org.br.

Ainda assim, o InstiMil apareceu ainda cedo na exploração da rede.

Eu fiz uma segunda coletânea de 48 horas durante o fim da semana, chegando a 40.000 sites reconhecidos e 800.000 documentos escaneados.

Destes, so 1.191 sites teve domínio .br, e, como consta acima, só 5.27% do discurso examindo foi em língua portuguesa.

Algo como 8.817 dos sites são blogs de blogspot.com, enquanto 1.417 são blogs de wordpress.com. Ou seja, 25% dos sites identificados até agora se encaixam dentro da categoria de «samizdat» em um primeiro momento.

Apesar da baixa produtividade de discurso no estilo neocon em português detectado até agora, as manifestações brasileiras deste movimento são evidentes desde o começo.

Acima, um perfil ainda parcial do atlasnetwork.org mostra os sites referidos e os sites referentes — «in links» — da fábrica de institutos de pesquisas e redes de institutos de pesquisa da Rua K.

Na América Latina, constam OrdemLivre.org — assumidamente o projeto em português oficial do Cato Institute — e AndesLibres.com. Outro site regional  da Rede Atlas é AFAsia.com, de Ásia.

Entre os sites referidos pelo granaduto nebuloso da Rua K, um bom número de exemplos de samizdat digital na final flor de Láscio:

  1. Gustibus Gustibus
  2. Enxurrada
  3. O Indivualista
  4. Selva Brasilis
  5. Escolhas e Consequências

O Individualista deveria figurar no análise de dados como um projeto coletivo, uma vez que hospeda na sua página os fluxos RSS de vários blogs afiliados, desde Interney até o nebuloso Coronel do Blog, espirito tutelar da Associação Nacional de Blogueiros Anônimos — sem CNPJ, é natural.

Enquanto aguardo a visualização de 650.000 referências identificadas, com 1.7 milhões de laços, essa vez utilizando a ferramenta Tulip –dita boa para grandes volumes de dados — eu brinco com o interface de busca fornecido pelos programdores de WIRE.

Site 2424, A Campanha Permanente, destaca-se tanto por seu «hub rank» quanto por seu bilinguice, com objetos de interesse e repercussão atravessando o Atlântico — desde a revista Economist e o Instituto Margaret Thatcher até o Cato e o American Enterprise Institute — para então pegar vapor para a costa brasileira, onde embarcam vários nomes conhecidos do blogosfera neotupi.

Há somente dois graus de separação entre a ONG TERNUMA — a turba do Clube Militar — e o Global Voices Online, projeto de exportação de democracia administrado pela faculdade de direito de Harvard, esta um patrocinador do Instituto Millenium.

O blogueiro de Primeiro Grau acompanha muitos dos blogs e periódicos de finanças e negócios que eu — apesar de eu prefirir Dealbook, dos New York Times, a Dealbreaker, de Denton Media, núcleo nótorio de reportajabaganda.

Também acompanha TERNUMA, Global Voices Online, e Petroleum World, site dedicado ao setor petroleiro da América Latina.

Eleitor2010, o observátorio eleitoral montado por contratados de GVO em Lóndres e os EUA, ainda não chegou a ser indexado pelo robô.

Dá até para rastrear a repercussão de uma reportagem específica por outro site. O jornalão O Globo aparece logo — é site 145 — e amiude.

Aqui, o site JEWISHSTATE.COM repercute uma nota — documento 24337 — no jornal sobre a deportação de manifestantes pelo presente governo de Netanyahu.

Semente 8 foi o pajamasmedia.com — aquilo do subdomínio racista DIRTY.ARABS.PAJAMASMEDIA.COM.

É meio como se botassem CRIOULOS.SUJOS.NAOSOMOSRACISTAS.COM.

A influência de Daniel Pipes — aquele do Campus Watch, que faz patrulhamento ideológico nas faculdades contra professores insuficientemente comprometidos com a linha dura de Tel Aviv — continua forte.

O Pajamas Media — fruto de um BloggerCon passado, se me lembro bem — teve um placar impressionante durante a primeira rodada, pois eu acrescentei às sementes durante a segunda, essa vez para valer.

«Hub» e «autoridade», duas medidas de centralidade, não foram tão concentradas essa vez.

Os latifúndios de faça-clique lideram a categoria «autoridade», com jornais como Washington Post, Orange County Register, e Jerusalem Post também figurando entre os 100 mais.

A condade de Orange foi aquela no sul de California, não muito longe de Tijuana, que quebrou por causa de derivativos podres, mais ainda fez o presidente da CVM de lá, a SEC, de Bush.

Este acabou presidindo a quebra do mundo inteiro por causa de — derivativos podres. Vá saber.

O jornal 2.0 peruviano Peru21 foi campeão de «hub rank», acima de Twitter e YouTube. Também notável foi o desempenho do caderno Tecno do El Espectador colombiano — ambos, acho, clientes da consultora de Opus Dei, Innovation International.

Peru21 é muito parecido ao Estadão 2.0, por exemplo — até recarrega a página desnecessariamente no meio da leitura, dobrando o número de «page views» por uma leitura só.