Pedro Doria: «Eu não vim elogiar o Steve, senão para mudar de assunto»

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Pedro Doria não veio elogiar o Steve Jobs.

Veio mudar o assunto para o irrelevante, no nome de liberdade.

Faz parte essencial do estilo neocon: Encarando uma polêmica no reino dos fatos — se o aparelho pegue sinal ou não, se proteja a privacidade do usuário ou não, se a insurgência está sendo reprimida ou não, em números duros — desvie a polêmica para o plano metafísico e moral.

Há algo de podre no reino do fundador de Apple Computers, segundo o blogueiro de Link, o caderno de TI do Estadão, hoje.

Algo não vai bem na cabeça de Steve Jobs. Se não corrigido, afetará diretamente nossa liberdade.

Quando lusófonos citam lugares comúns de Shakespeare em tradução mambembe, fique com pé atrás. Algo tendencioso está para vir.

E quando começamos a pensar que Steve Jobs — um eleitor dos EUA, com exatamente um voto, que nem eu — tem o poder de liberdade e escravidão sobre todos nós, deveríamos pegar mais leve com o Chá, entendeu?

Uns tres-quartos da nota são dedicado ao argumento de que, sem uma máquina com 8% do mercado mundial de computadores pessoais atualmente, não habitaríamos o admirável mundo novo que habitamos.

O mouse já existia desde 1969. Mas só entre 1983 e 84, quando apareceu nos computadores da Apple, que o público percebeu-lhe a utilidade. Afinal, só quando a Apple tratou o mouse é que sua utilidade ficou clara. É a virtude da estética. Estética revela a utilidade.

Foi só nos anos 80s que a miniaturização de processadores chegou ao ponto que possibilitava computadores portáteis para todos nós. Antes, eu tinha que trabalhar em Big Iron — um «mainframe» de IBM o tamanho de um Kombi.

Ainda tenho meu Mac SE de 1986, precisando tirar textos da época do disco rígido. Tenho um ensaio sobre o Polifemo de Góngora que gostaria reler e revisar.

O Mac daquela época tinha a estética de uma torradeira.

Mas foi útil: Eu consequi usar um base de dados rudimentário dele para indexar a edição de W.S. Anderson dos Metamorfoses de Ovídio, Vol. II. E gostei muito de Tetris, a grande novidade da época — pelo qual o mouse não era necessário

Para mim, estética muitas vezes atrapalha a utilidade, desviando memória e energia do processador para fazer a experiência do usuário mais parecido com a TV. Ora, eu tenho TV. Gosto dela. Mais assistir televisão não é computar.

Quando Ubuntu introduziu efeitos especiais para o desktop, por exemplo — compviz — quebrou a minha máquina. Consigo passar de uma área de trabalho para outra sem frescuras animadas.

Quando quero maximizar a eficiência da minha máquina, até dispenso o GUI de Gnome ou K para um gestor de janelas minimalista, ou trabalho diretamete no CLI, a linha de comando.

Páginas programadas em Flash, paralelamente, faz com que máquinas com modesto poder de fogo não tenham acesso a informaçãoes que, muitas vezes, não passam de texto simples pelo qual XHTML teria sido perfeitamente adequado.

O maior absurdo é quando o projeto de um site inclui manchetes programadas em Flash só para aproveitar uma tipografia disponível no programa. A manchete nem animada é. Mas precisa-se do «plug-in » para lé-la. Vix.

Nos EUA, há legislação faz tempo mandando os sites do governo oferecerem uma versão em texto simples.

Que o Diário Oficial do Estado de São Paulo retorna documentos em formato PDF como resposta a pesquisas para palavras-chaves em texto simples é um exemplo mais idiota ainda.

Para preservar a beleza da página impressa, impede o acesso às informações procuradas.

Busque os dados de acesso por telefone celular do site aqui do Estado de S. Paulo, do New York Times ou do Guardian britânico.

Todos os veículos mencionados são clientes de Innovation International Media Consulting. O  Times é dito um cliente da Consultora Di Franco — aquela do orientador espiritual de Geraldo Alckmin e deontologista medieval-mor do Jornalismo 2.0.

Em qualquer lugar do mundo os números estão lá: 75% do acesso via celular é com iPhone. Blackberry, Android do Google, Windows Phone, Palm ou Nokia dividem os outros 25%. Por quê? Porque usar a web nos outros é ruim.

Eu gostaria de ver este estudo. Quais os números para jornais virtuais que fecharam com empresas que não sejam a Apple? Os jornais citados oferecem acesso comparável aos outros aparelhos mencionados?

Eu já tinha um Blackberry, para trabalho, que quando não estava ignorando-a para poder terminar meu trabalho eu torturava com hackagens descabidas e totalmente proíbidas pelo departamento de TI da empresa para fazé-lo menos irritante e mais útil.

O melhor jeito que descubri de consumir notícias nele foi um agregador que despia toda a estética do conteúdo, deixando somente o teor, em texto simples. Assim, eu podia ler um clipping maior e mais legível do que eu podia sem despir tudo que era lindo mas irrelevante.

Ora, a maluquice que tomou conta da cabeça do rei, segundo Doria?

Só aparece perto do fim do artigo.

Numa troca de e-mails com um blogueiro, Jobs já havia deixado claro: no seu universo, estaremos “livres” da pornografia. Gosto de Steve Jobs — mas a ideia de estar “livre” da pornografia me ofende.

A liberdade de consumir pornografia no seu iPhone é parte da linha editorial oficial do Estadão e o Instituto Millenium agora?

Me lembro de ler alguns anos atrás nas mesmas páginas sobre a deportação de vários gringos com visto de turista, flagrados aproveitando o ágio de putagem no Rio.

Não pode-se engajar em atividades comerciais com visto de turismo.

Atriz pornô de Nova York tem sindicato e representação jurídica.

Cá, pode-se conseguir mão-de-obra barata e até menores de idade, sem problema. Daremos um jeitinho. Como disse o vereador Agnaldo A Voz Romántica do Brasil Timóteo uma vez, prendendo gringo por uma trepada com uma menina de 14 anos poria fim ao turismo. Disse isso, me lembro bem desse exemplo grotesco do libertarianimo tropical.

E como apareceu no caso do PM integrante da guarda palaciano do estado, flagrado mantendo menores em estado de escravidão sexual para fregueses na Barra da Tijuca, a policia não somente faz vista grossa mas aparenteme salvaguarda o paraíso sem-lei desse anarcocapitalismo tesudo.

Eu não tenho nada contra pornô feito por adultos, e consumido por adultos, com exercício de livre arbítirio. Como afoi noticiado com destaque no mesmo LINK ultimamente, SEX.COM é o domínio mais valisoso do mundo, e está à venda.

Que tal SEXO.COM, aliás? É multilingue e se não me engano tem mais faladores de linguas romances do que inglês.

Mande sacanagems as minhas sobrinhas e ouvirás de mim, porém. Estou te avisando. Isso me ofende.

E isso de meninas algemadas à cama e escravizadas por policiais, que utilizam celulares para fazer o inventário em tempo real dos commodities — o Motorola «2-way» é dito muito popular entre os milicianos de Rio — me ofende.

De gustibus non disputandum?

Si quieres, comes lentejas. Si no las quieres, les dejas.

Infelizmente, e me desculpem, o Brasil tem fama de um paraíso do turismo sexual, até com Help fechado.

Posso apontar vários guias online ensinando como saciar qualquer gosto ao preço de bananas na bela Samboja. Não vou apontar.

Se o País tiver essa fama ainda em 2014, a Copa bem pode sair pela culatra como vitrine do Novo Mundo nos Trópicos.

Vocês devem um brigadão à sua polícia federal, que deram um jeito em um aspecto do problema enquanto figurões da polícia-política estadual estavam sendo indiciados por corrupção e parapolítica — ou executados para queimar o arquivo, que nem o Inspetor Tostes.

Mudancismo de Assuntismo

Em fim, agora que o iPhone está sofrendo críticas por questões técnicas — brechas na privacidade de usuários na rede de AT&T; o SuperSteve mostrando como evitar o problem de sinal bloqueado segurando o aparelho v. 4.0 de outro jeito — vem a grande Mudança de Assunto.

Acima, de um pano rápido sobre a rede de Innovation International: sócio-fundadores Giner e Senor são Profetas do Macapolacipse.

No curso da prometida pela manchete porrada no Steve, o blogueiro do caderno Link — «reportajabagandas somos nós» — consegue passar a mensagem que tecnicamente falando, o Steve sempre era e continua sendo o inovador por excelênciaquase a mão direita de Deus.

Eu, hein?

Em fim: «Steve Jobs é um genial, Apple é a empresa de TI mais importante do mundo, apesar da sua ainda e cronicamente reduzida fatiada do mercado livre, mas é ultrajante o chefe da empresa falar mal de pornô para amansar os moralistas anti-pornô».

Quanto puxa-saquismo para uma manchete que cheira da corrupção do reino!

Pessoalmente, eu estou satisfeito com a solução que nós gringos temos: Pornô somente em uma sala aparte, restrita e fechada, para que os moralistas podem selecionar seu Toy Story ou Ufanismo Ultraviolento III sem expor a criançada.

Ainda podendo alugar livremente meu Debby Does Dallas ou In The Realm of the Senses, qual o problema?

Os de Fora e os de Dentro

Entretanto, uma campanha publicitária aproveitando o noticiário ruim dos últimos dias sobre Apple — agora, algo sobre atividade fraudulenta no App Store, provavalmente o bom e velho entrismo estilo Faith Popcorn que nasceu com o nascimento de Amazon.com — fica aparente no site APPLEOUTSIDER.COM, montado como uma paródia ao site de propaganda clandestina da empresa, APPLEINSIDER.COM.

Faz um caso interessante de uma guerrilha de propaganda clandestina Contra x Contra.

Explico. Mas primeiro, de propósito, o jogo Uruguai x Holanda de hoje está disponível para assistir em pelo menos dois outros canais a não ser o da Globo, diferentemente do relatado pelo Google Notícias.

Ambos os sites, o círculo esotérico dos Macerati e o movimento dos sem-Mac, são fortemente blindados à prova de uma busca de WHOIS, mais ostentam vínculos nítidos com os patrocinadores — os fabricantes concorrentes de aparelhos sem-fio.

Ora, suponho que um agregador das várias fontes de propaganda clandestina concorrentes que são muitas revistas de TI de consumidor hoje em dia daria de certo jeito uma visão “equilibrada”  sobre o mercado, mas eu ainda prefiria uma visão independente e transparente.

Mas só se a informação ser o resíduo da filtração trabalhosa de toda a desinformação contraditória. O que eu acho um grande desperdício de energia e tempo.

Meu herói nesse sentido sempre era o crítico de cinema Roger Ebert.

Ele assiste filmes dos quais ele não obviamente não gostará, por ser um intelectual de cinema, mas ainda assim sempre entrega uma resenha que pensa no ponto de vista do leitor.

Se você gostear de filmes sobre vampiros adolescentes, que eu abomino, seja dito, sendo um velhinho rabujento, este é um exemplo bom, meia-boca, ou ruim do gênero.

E talvez você gostaria mais se alugasse o Buffy the Teen-Aged Vampire Slayer — velho mas ainda imbatível.

Techcrunch, por exemplo, tem muitos aspectos úteis, como um banco de dados seletivo mas generoso sobre empresas do setor.

Mas o fato da turma da revista — perfildados no mesmo banco de dados — serem todos egressos de NYSE:NEWS deixa a suspeita que aplicarão a ética jornalística de William Randolph Hearst, pai da imprensa amarela — entre nós; com vocês é marrom.

Tudo que Rupert toca vira merda. Podemos citar casos.

Eu prefiro, de longe, Consumer Reports.

Já ouviu falar do Pantech Breeze II? Não? Não tinha como alcançar a mesma supremacia sobre o ambiente de informações por meio de jabaculê em escala industrial e um político poderoso no conselho de diretores?

A CR oferece uma resenha, como faz com o universo completo de bugigangas disponíveis, entre os grandes e os nanicos, seguindo critérios claros, aplicados com grande consistência.

Hoje, por exemplo, um artigo dizendo que os problemas pegando sinal do iPhone 4 não são limitados a este, e poderiam até não ser tão sérios assim.

A matéria foi atualizada agora mesmo para registra novos problemas encontrados durante os testes.

Gizmodo? Engadget?

O primeiro nem esconde o fato de oferecer reportajabaganda com um serviço diferenciado aos clientes do braço de propaganda de Denton Media.

O último é de AOL-Time Warner, que tem cavalos próprios na corrida.