Policy Network: A Mãe de Todas as MOSCOU

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As orígens do movimento neoconservador na pensamentologia de velhos trotskista-comunistas como Richard Perle é um assunto que me ocupa desde um seminário em estudos culturais que cursei em 1985 com o historiador Daniel Horowitz na Claremont Graduate University.

Como já notei, muito do que chama-se do «estilo neocon» — frase feliz do jornalista Luis Nassif — originou no trabalho dos fundadores do LM Group, um núcleo radical do Partido Comunista Revolucionário de Inglaterra que virou um grupo de consultoria em comunicações empresariais, mirabile dictu, vestindo ternos de Saville Row e usando gel nos cabelos.

O LM é sigla de Living Marxism, ou seja, «marxismo vivo».

O que não fiquei sabendo é que, de fato, o fundador de um dos grupos originais, o dito fracassado Policy Network, virou o fundador da Atlas Economic Research Foundation, aquela incubadora de «think tanks» — institutos de pesquisa — que engendrou as redes de redes de institutos de pesquisa na quais achamos embutido o Instituto Millenium.

Um pano rápido do instituto mostra que ainda mantém as relaçãoes com os redutos do movimento neoconservador mais importantes, como Atlas, Cato, e o venerável IEA, cunho de Thatcherismo.

Não trata-se de uma mera semelhança de estilo.

Tem uma relação de parentesco, uma genealogia de amoralidade.

O SourceWatch, projeto sobre propaganda e publicidade, anota, sobre o Policy Network

Ou seja, foi fundado por Antony Fisher em 1971, o homem que depois fundou a rede Atlas, e colabora hoje em dia em vários projetos sobre «desenvolvimento sustentável».

O ataque ao desenvolvimentismo assumido do continuismo brasileiro nesse ano eleitoral, com argumentos ambientalistas — só o latifúndio tomará conta da terra, por puro amor próprio! — tem raizes nessa parceria.

Um lembrancinha: uma MOSCOU é minha tradução mambembe para o que nós chamamos de uma campanha «astroturf» — aparentemente espontânea e surgida da sociedade civil mas na verdade orquestrada por grupos políticos ou empresariais ou agências de relações públicas.

A sigla é de Mídia Orquestrada pela Sociedade Civil de Oligopólios Unidos.

A guinada à direita de partidos verdes no mundo inteiro é visível também, por exemplo, com a aliança PRI-Verde no estado sulista mexicano de Oaxaca nesse ano, tal como em 2006. No nível nacional, com o PAN, é entendível. Mas aliar-se com Ulíses Ruiz e La Maestra?

Seria como se Gabeira aproveitava do apoio político do miliciano-vereador Batman de Rio de Janeiro.

O LM e sua legião de avatares sempre fazia uso de anonimato e pseudonomia para inflar seu perfil e evitar responsibilidade para certas posições polêmicas — o exemplo mais citado sendo os artigos de Fiona Foster negando a existência de genocídio em Rwanda.

Sob o nome de Fiona Fox, ela hoje chefia o Science Media Center e o grupo Sense About Science.

Ataca políticas públicas e inciativas coordenação internacional sobre AIDS e H1N1 como exemplos de «pânico moral». Tambeḿ, na boa e velha tradição do Instituto Cato, duvida da correlação entre tabagismo e cáncer.

Desde o começo, essa turba, liderada por Frank Furedi, denuncia uma cultura de medo e canoniza heróicos tomadores de riscos.

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Deste grupo veio vários chavões do movimento neoconservador, tal como a «guerra mundial de ideias econômicas», o «choque de civilizações» e a noção de um Internacional Neoliberal modelado no bom e velho COMINTERN.

Parece que a manifestação do grupo mais visível hoje em dia é o Institute of Ideas — a sigla forma um «lol», gíria de Internet para «laugh out loud» — «rsrsrsrs» entre vocês, não é? São trotskistas festivas e lúdicas, essa turba.

Também promove a noção do que o iPhone tem significância geopolítica — e até conseguiu inserir um artigo no respeitado jornal Foreign Policy ao respeito. Eu fiquei boquiaberto.

A telefonia celular em geral provavelmente tem, ou terá, quando alcance os quatro bilhões debaixo, mas uma única marca entre várias concorrentes modelos de receptor? Eu, hein?

Uma lista de outros grupos associados com o LM.

Spiked é um orgão conhecido do movimento.

Não pode ser dito que a revista não seja uma leitura divertida, aliás.

É muito parecido com a Piauí.

Estou fazendo uma baita de uma

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em todos esses grupos, com indexação de Swish++.

Fará um belo de um corpus de discurso que servirá de referência para a identificação de novos exemplos do «estilo neocon».