Os Cíberpartidos: Veredas

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Estou aqui assistindo o robô fazer a grande varredura do estilo necon, acima. Vai demorar uns 72 horas. É meio como assistir a secadora de roupa.

Continuo achando que seria possível fazer uma engenharia analítica das presenças em rede de várias candidaturas nesse ano eleitoral no Brasil, analisando código-fonte, por exemplo, para averiguar a autoria de CSS, Javascript, navegação, ícones e todo mais.

Podia até dar um tipo de assinatura das agências montando estes sites, um complexo de escolhas de componentes e estruturas prefabricadas no Wal-Mart de inovação.

Faça uma planilha e registre dados como o CMS — gestor de conteúdo — utilizado, estilo de hospedagem — servidor dedicado, condomínio, hospedagem em fazenda (Ning), agência responsável, escolha de mecanismos de multiplicação e interatividade, et cetera.

O site do PPS, por exemplo, utiliza algum sistema de AJAX — Javascript e XML.

Hospedagem é design assinam embaixo. E porque não? Fizeram um bom trabalho.

O PPS, parte menor da coligação PSDB-DEM-PPS, está ligado ao Serra@NING.COM, naturalmente.

Tipolight e ExpressionEngine são populares novos sistemas de CMS. Eu tenho a impressão de que são frequentemente associados com projetos de CPLABS — Campus Party, Word Camp, e assim por diante — e MOVEMENTS.ORG.

Mas tudo isso custaria trabalho que tenho preguiça de fazer. Ah, se eu ainda lecionasse, eu podia dar a tarefa aos meus estudantes.

Sem isso, pórem, as cibercandidaturas não parecem muito diferenciadas. São todos Gols e Celtas e Peugeots 306 e Fords cinzas e flex do mesmo formato básico, tão familiares para quem fica muito tempo engarrafado nos Marginais. Se haver HiLux e Fiat Uno na frota, estão no mundo de samizdat.

Aqui, monto alguns retratos rápidos de cibercandidatos e partidos tirados com o SOCNETV — ferramenta não muito útil para captar os finos detalhes, mas interessante.

A candidatura de Gabeira ao govero de Rio caiu na moda de se articular por meio de uma rede de NING.COM, plataforma para você montar seu Facebook pessoal.

Há uma multtude de interações reveladoras nessas fotos-relâmpagos, mas tomam a forma de código comprido e chato — como, por exemplo, alguém apertando o botão para repercurtir uma nota de blog no Twitter — que não cabe na visão de nuvens bonitas.

No Tijolaço, blog de Brizola Neto do PDT, captamos, por exemplo, um ato de repercussão.

Alguem faz um tuite recomendando o blog aos seguidores.

Com os dados recolhidos com WIRE, será possível captar cadeias de repercussões desse tipo, espero. Seria muito interessante, por exemplo, poder rastrear um boato ou meme da orígem até as páginas de O Globo.

E os Comunistas, tanto do PCdoBquanto do PPS?

Se bem que as forças continuistas, nas palavras no Cornonel — 2.100 seguidores no Twitter — são as hordas de «500.000 ciberguerilheiros petralhas» contra os 300 de Esparta, as tropas esquerdistas são danadamente bem camufladas. Eu acho que investem mais em organização corpo a corpo.

Assim como até as figuras mais em evidência da Internet política ainda não produziram uma celebridade de Twitter, que eu saiba — eu tenho mais seguidores de alguns nomes conhecidos, e eu quase não atualizo a conta, a não ser para falar dos gatos ou que algo bom está na rádio  — a campanha não está produzindo Caravaggios e Brueghels de e-ativismo como uma nova forma de arte.

Tudo tem cara de estagiários na escola de Dick Morris, operando a máquina de xerox.

O cibercomunismo da esquerda não parece ter montando uma estrutura especial que não seja parte da presença virtual de sempre, com Vermelho o orgão oficial do Partidão e as poucas contas de Twitter sendo contas ditas oficiais.

Praticam disciplina nessa área de comunicações sociais, parece.

Nota: Comunista não tem currículo no LinkedIn, nem quadras peladas nas páginas de Playboy Brasil (Abril). São um bando de caretas, quanto à tecnologia de ponta da rede social e Jornalismo 2.0.

Após ser ridiculizada por não ter angariada mais fundos pela Internet, a Cibermarina Silva também gera modesta atividade no Twitter e Facebook e forums de Ning.com.

A rede do PMDB é chata das mais chatas, pelo visto. São o partido da Velha Mídia, parece. Tenho dificuldade tentando explorar a rede sem entrar imediatamente na rede de Adobe, com o convite de baixar o novo Flash Player.

O PCdoB visto por meio de um análise Force Atlas.

Tuiteiros gabeirenses.

A onda verde em geral.

Tuiteira virulenta do dia.

Do blog da moça, hospedado em BLOGSPOT.COM.

Tarefa de casa: uma vez que a ativista está presente em múltiplos canais e segue o método de auto-repercussão exagerado, é possivel agregar os dados sobre ela para produzir um perfil e histórico.

Faça um google. O nome, nada comum, aparece em vários documentos oficiais, portanto não trata-se de pura ficção. Consta como autora de uma peça, et cetera.

Faz um forte apelo emocional com uma biografia de solidão, sofrimento e sacrifício por causa dos princípios e ideais. Quer dizer, é personagem de um romance de Ayn Rand.

Eu diria que ela é bastante típica dos 300 Espartalhões. Seria interessante entrevistá-la para saber da sua formação como comunicadora política. Ela é realmente uma ex-petistista?

Iteração 11 de 47: o robô fica sabendo de 80.000 sites e 2 milhões de páginas.

A iteração média leva alguns 90 minutos.

Quem é Michael Palmer?

A planeta mais distante alcançado por nosso internauta robotizado e West Virginia Red, blog de conservadores do estado americano. Costuma-se falar de estados vermelhos — Republicanos — e azuis — Democratas.

Eis o Blue State Digital, agência do Cíberobama.