Jovem Werther da Silva e os Alemão: A Fundação Friederich Nietzsche

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O Instituto Friedrich Naumann, Brasil responde com a mais perfeita e louvável transparência a uma pergunta que eu tive em uma nota anterior: Como é que o partido DEM-PFL chegou a rezar da bíblia de anarcocapitalismo na tradução de Martin Luther?

Tem conceitos de neoliberalismo que só podem ser idealizados em alemão, como geisteswissenschaftesgeschichte?

Do final de janeiro de 2010, antes mesmo do término das férias de verão, as quais são, em anos sem eleições, rigorosamente seguidas no Brasil, até o início de junho de 2010, a FNF realizou em cooperação com parceiros brasileiros nada menos do que 32 seminários em 11 dos 27 estados brasileiros.

Ora, eu tenho certa simpatia pelo Partido Working Families em Nova York. Em algum lugar consta uma doação de $200 para apoiar o desenvolvimento do partido independente.

Mas se eu soubesse que o partido também recebia treinamento do Partido Comunista de China sobre como espalhar e ganhar adeptos para o pensamento de Mao, o que que eu faria?

Seria uma decepção chocante — eu não quero ser identificado como apoiador de maosimo! — e além disso, seria ilegal.

O foco destes seminários foi auxiliar pré-candidatos da parceria com o Democratas a se posicionarem estrategicamente dentro do partido mas também em público, auxiliá-los no diseminação da mensagem liberal, e utilizar a abertura do clima político num ano eleitoral para ganhar e treinar aliados.

O foco de indoutrinação: a Juventude Democrata e o DEM-RS, co-afiliados com a Fundação Friederich Nietzsche na rede RELIAL, grupo de partidoso políticos e «think tanks» pipoca-de-microondas na maioria montadas por Alejandro Chafuen, lobista da Rua K do Atlas Economic Research Foundation, filhote do grupo Living Marxism.

No ponto central estiveram, em âmbito nacional, a Juventude Democratas (JDEM), com a qual foram realizados 17 seminários, o Diretório do Democratas no Rio Grande do Sul, sob presidência do Deputado Federal Onyx Lorenzoni, com dez seminários, assim como a pré-campanha do senador Raimundo Colombo, que vai se candidatar para o cargo de governador do Estado de Santa Catarina, com três seminários.

A isto se somam outros seminários no contexto do Fórum da Liberdade no início de abril de 2010 em Porto Alegre e uma conferência sobre “Democracia e Liberdade de Expressão no Brasil” realizado em São Paulo.

Este último seria A Marcha com Deus pela Tradição, Propriedade e as Sete Famílias Donos da Mídia encenada pelo Instituto Millenium.

Agora que o período eleitoral começou, porém, os treinamentos devem parar.

De qualquer maneira, com o fim das convenções, terminam também os seminários em parceria, uma vez que tanto a lei alemã quanto a brasileira proíbem às Fundações Políticas uma participação eleitoral. As leis fazem com que as atividades da FNF tenham se concentrado no primeiro semestre, o que levou a um intensivo trabalho tanto por parte da FNF quanto dos parceiros.

Me expliquem, por favor. Os maoistas podem participar livremente, com dinheiro mole e serviços remunderados, nos preparativos de campanha, mas não na campanha propriamente falando?

Não sou advogado, pois não duvido da legalidade deste ponto, mas se não me engano, nosso código eleitoral veda qualquer apoio material a qualquer partido por qualquer agente estrangeiro em qualquer momento.

Claro que tem brechas, assim como há aqui no Brasil.

Um PAC — «political action committee», um mecanismo de doação indireta na qual empregados em pleno gozo dos direitos políticos do sucursal doméstico de um multinacional– de Anheuser Busch InBev fez doaçoes de $500.000 no ano passado, por exemplo.

Mas as atividades de agentes estrangeiros são em geral cuidadosamente fiscalizados, e representantes de poderes no exterior são cadastrados, sob pena da sanções legais.
Dá par saber por exemplo que a firma de Dewey, Rookem & Howe — velha piada de advogado entre nós — é o representante perante o Congresso de, digamos, Singapura.
Factóide interessante: o governo do Brasil não tem lobista cadastrado nos EUA no momento. Quem paga mais aos lobistas são o Reino de Arábia Saudita.
Me corrija se eu estiver enganado, mas não há que eu saiba um banco de dados público LOBISTAS.ORG.BR que identifica lobistas e monitora suas atividades.
As innúmeras sindicatos patronais e entidades de classe obviamente funcionam como lobistas, tentando influenciar o teor de PLs — assim como lemos agora sinais confusos sobre o futuro do limite de 30% no mercado de mídia imprensa e eletrônica.
Ainda assim, a imprensa parece ter receio de imprimir a palavra que começa com L e descreve um processo que é, aliás, lícito dentro dos limites da lei. Fala de lobistas, normalmente em tom de escarnho, mas quase anada de lobby como fato institucional que transcende as fronteiras de empresas isoladas.

Os 18 Contras as Hordas


De vez em quando, durante o processo de aranhação, você cruza com um documento de planejamento de campanhas desses.

Acima: galeria de seminários de treinamento de mídia, FFN-Brasil.
Estou tentando agregar estes para ver o que podiamos descbrir sobre as técnicas ensinadas aos Jovens Werthers da Silva Tristes do Brasil — uma vez que análises de articulação em rede de várias forças políticas apontam estes como os mais sofisticados praticantes de marketing político na rede.
Cibermarina, Ciberdilma, Cibergabeira, e Ciberzéserra, com seus «shoppings de inovação» e «moblização e multiplicação», rezam da mesma bíblia, e são muito mamãe e papai.
Eu gostaria ter nas mãos, por exemplo, o PowerPoint do encontro descrito no site da FFNietzsche:

De 28 a 30 de maio de 2010 a Juventude Democratas realizou um seminário intitulado “Propriedade, Comunicação Estratégica e Controle de Imagem Liberal”.
O evento foi realizado na cidade de Londrina / PR, com a participação de 18 jovens representantes liberais vindos de diversos Estados, entre eles o presidente da Juventude Democratas no Paraná, Pedro Lupion.

Também esteve presente no seminário o diretor do Instituto Friedrich Naumann para a Liberdade, Rainer Erkens.

Marcelo Puppi e Carla Sehn fizeram a moderação do seminário, que contou representantes de lideranças do Goiás, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Tocantins.

Puppi, aparentemente, é presidente da Câmara Municipal de Campo Largo, PR.
Carla se diz “jornalista, política e outras coisas polêmicas” na sua conta de Twitter.

No LinkedIn, dá mais detalhes:

Como é bom ser âncora de televisão no «melhor canal regional da Net», moderadora do FFN-Brasil, e consultor aos DEM-PFL, todos à mesma vez.

Os espartalhões da Nova Mídia com certa frequência ainda ganham a pão na Velha. Eis o padrão clássico de uma MOSCOU, ou Mídia Orquestrando uma Sociedade Civil de Oligarcas Undercover.


A JUCEPAR, Junta Comercial de Paraná, ainda não tem acesso público aos cadastros de empresas.

A empresa operadora do canal de NET também figura como empresa conveniada de UniFil, sem mais detalhes.

No Facebook, se diz fã de Barack Obama e Nicolas Sarkozy.

Que houve PowerPoint eu acho muito provável.

Sempre há. Lembre-se do dito de Tufte:

Power corrupts; PowerPoint corrupts absolutely

Quanto ao imagem de liberalismo, eu acho que seria melhorado se fosse tirado das mãos de grupos influenciados pelo LIBINTERN e apresentado como uma idéia brasileira associada com uma expressão tropical de liberalismo, levando em conta as condições únicas da biosfera e o Leviatã brasileira.

Vocês têm a USP, não tem? Cheio de grandes pensadores? Já teve USPiano como presidente. Ora, se consigam produzir o Supertucano — uma arma de comprovada efectividade — podem produzir um liberalismo tropical.
Aprende com os Mutantes: os mutatis mutandis são estratégicos.

Marina talvez tem condições de articular isso. Quém tem mais a linda cara de brasiliandade do que ela? E o PSDB podia também, se apenas se lembrasse da B na sigla do partido.

Eu não posso imaginar, por exemplo, as medidas baixadas pela CVM surtando efeito em nosso mercado de capitais. Nossos mercados são maduros, fundos, interligados, complexos, e contam com infraestrutura que só agora começa a ser imiaginada no Brasil.

Meme do dia do continuismo, de propósito, que eu acho muito efectivo: «as receitas que valem para paises desenvolvidos não valem par paises em desenvolvimento».

Uma da Dilma, cuja assessoria de comunicações me parece muito competente.