O Dia em Interinexistência

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E a imprensa brasileira acha que tenha o moral de chamar os holandese de violentos.

Vou escrever naquele estilo de coluna, tipo «Radar», ou melhor, tipo Buemba! Buemba! Buemba!.

É tão fácil fazer.

Seleciona absurdos aleatoriamente da tela pelo exercício do seu talento pelo bon mot.

Insinua muito em frases curtas. Introduz várias frases feitas ou recicle velhas notas para encobrir eventuais faltas de assuntos. A lauda sai em cinco, sete minutos.

Absurdo primeiro.

A laranja mecánica ultraviolenta amarela!

Foi realmente necessário a reprisa das guerras de religião europeias de séculos atrás na manchete do Estadão sobre o final da Copa?

Donde veio este preconceito?

Para quem torcer, se suas seleções de coração ficarem fora, como as minhas estavam?

Tenho tanto amigos espanhois quanto holandeses. Os holandeses quase todos tem 2 metros, as meninas inclusive. Os espanhois são de vários tipos, entre leitores de Santayana e o bonito casal Paz e Gonzalo — que fazem questão de falar catalá.

Mas bem, falando francamente agora, quando penso da Espanha, eu penso em Torquemada, Generalíssimo Franco e Telefónica.  Na Holanda, em Maurício de Nassau, tolerância religiosa, e as orígens de livres mercados.

Me lembro de nossa visita à excavação e museu do primeiro sinagogo do Novo Mundo em Recife.

Quando os holandeses foram embora, todo mundo fugiram para Novo Amsterdã, e seus bis-bis-netos viraram meus vizinhos e colegas de Nova York.

Holanda fez bem com o patrocínio de Carnaval nos últimos anos, quando o frevo chegou a receber cobertura ao lado do samba e o trio elétrico. Deixou uma boa impressão sobre mim, pelo menos. Mais naturalmente deixaria, não é? Sou protestante notório, embora casado com católica.

Quanto ao campeonato, foi acirrado, os jogadores exaltados, as reações às faltas operáticas como sempre. Foi bom futebol, empolgante, com um resultado dramático e merecido.

Diagnóse: O Estadão amarronou de vez no zelo de parabenizar os amigos espanhois.

Explosões Terroristas!

Absurdo segundo: eu estava meio brincando quando apostei que eu não poderia manter a conexão constante de 72 horas precisas para a experiência que ando fazendo, recolhendo dados sobre uns 300.000 sites e, vamos ver, 4.000.000 de páginas com não sabe-se ainda quantas interligações..

Estou armazenando os dados num disco externo de USB que precisa de ser plogado na parede.

Normalmente, os transformadores de Eletropaulo aqui no bairro apenas explodem cada vez que chova — quer dizer, cada santo dia durante as àguas de março.

Ontem, vários resolveram explodir sem qualquer causa aparente. Terrorismo puro e simples.

Felizmente o robô estava dormente, roendo dados internamente que nem uma vaca, e deu para parar e depois continuar o ciclo.

Multiplique-se

Absurdo relacionado: Durante as últimas iterações da busca, o motor anda baixando todo que é site da rede social Multiply — aquele que se destaca pelo uso de subdomínios pessoais nas páginas dos usuários.

Isto é, se bem que no Twitter eu sou

twitter.com/boizebu

no Multiply, eu seria

boizebu.multiply.com

Portanto, em vez de um site com multidões de páginas, tenho multidões de sites — desde 147.500 até 175.000, que eu pude apurar.

Não Existe Periódico na Internet

CartaCapital reproduz uma matéria rotineira mas necessária de Samuel Possebom –aquele indispensável e raro jornalista setoral independente — de Telaviva e Teletime, sobre o debate no seu Congresso quanto aos eventuais limites sobre participação estrangeira em portais de Internet.

É mais uma questão que me dá enxaqueca — sobre a qual, aliás, se fosse votado em referendo popular, eu não teria direito de opinar.

Mas dá um belo exemplo do discurso de «a Internet muda tudo».

Para Binenbojn, existe um direito posto pela Constituição, e o artigo 222 é claro ao estabelecer os limites de capital e dos interesses nacionais. “A interpretação literal da Constituição não é a única, mas é a mais democrática, e ela diz que qualquer empresa jornalística está sujeita às regras do artigo 222. Empresa jornalística é quem apura e divulga informação como atividade econômica“. diz o advogado da Abert.

Isso faz sentido. Talvez é simples demais. Pravda hoje em dia tem edição em português, por exemplo. Eu escrevo no que passa para português entre os surdos e os dinamarqueses.

Para o advogado Floriano Peixoto de Azevedo Marques, que defende o portal Terra, a limitação de capital do artigo 222 não se aplica em hipótese alguma a portais de Internet. “Na interpretação literal, não dá para aplicar o artigo 222 à fórceps. Uma empresa jornalística é aquela que publica informações periódicas, e na Internet isso não existe. Aliás, a informação é demandada pelo usuário e pode ser consumida a qualquer tempo. Isso muda tudo“.

Hein?.

Ora, eu publico informações cada dia sobre o mundo dos meus gatos no Twitter, o quê para mim quer dizer periodicamente. Pulo alguns dias, mas se  vocês me pagassem, eu fazia com mais regularidade, juro.

Também passo cada manhã deixando de demandar o conteúdo de vários jornais enquanto demando o conteudo de outros. Talvez eu leio o New York Times ou o Gotham Gazette. Gosto de checar o site de Les Echos de vez em quando.

Entretanto, o DCI físico continua chegando, ainda que eu deixei de demandá-lo. Coisa de IVC, imagino.

Às vezes eu leio-o.

Às vezes não.

Quanto à Carta Capital de tinta e papel, assim que eu ainda não pedi entrega aqui em casa, tenho que passar na banca e pedí-la.

Gosto de encher o saco do jornaleiro malufista que finge que ainda não chegou.

E se bem que pode-se acessar o noticiário de gatos a qualquer hora, bem, vocês não podiam ter sabido da morte do bom e velho Iggy antes do evento e sua divulgação.

A Internet não muda isso.

Ora, se o Quente Que Mente faz escolhas editoriais sobre quais comentários são divulgados, está fazendo jornalismo.

Se não passa de parede pichaçado de lavatório público, sem intervenção humana, é um mero meio.

O meio é a massagem.

De volta à estaca zero.

Ou talvez não.

Gostei do que li hoje do novo manual para ciberjornalismo emitido pelos 500.000 terroristas do cíbergoverno maoista do Brasil.

REDAÇÃO PARA A WEB É DIFERENTE DE REDAÇÃO PARA A MÍDIA IMPRESSA?

Sim. Contudo, é preciso entender que a redação é diferente não porque um texto
online segue princípios inéditos, revolucionários ou diversos das outras mídias
– afinal,
um texto bem escrito é reconhecido pelo leitor em qualquer veículo, seja ele jornal,
revista, rádio ou tevê.

Da mesma forma acontece na web: conceitos estabelecidos há décadas, como clareza,
abrangência e credibilidade
também servem como norte na elaboração de um bom
texto para a mídia digital.

É, né?

Ou sou vitima de uma lavagem cerebral?

No glossário, YouTube e Facebook são mencionados, assim como sites de relacionamento e microblogs em geral, mas Twitter não é.

Tem boas recomendações gerais pelo uso do formato, aliás.

Veicule somente informações relevantes: o que possui pouca importância é  ignorado pelos usuários dos microblogs, independente da fonte;
É, né?

Meme do Dia: Eu Não Sou Ventríloquo

Gilson Caroni Filho, na Carta Maior, cita uma frase recente notável do presidenciável José Serra:

Quando diz não ser “ventríloquo de marqueteiro nem de partido, nem de comitês, nem de frações, nem de todas aquelas organizações antigas de natureza bolchevique, que do bolchevismo só ficaram com a curtição pelo poder, porque utopia não ficou nenhuma”, importantes perguntas se impõem. Afinal, por quem fala José Serra? Ou, melhor: quem, dissimulando o timbre natural da própria voz, fala por ele? Quem é o boneco nesse jogo mal-ajambrado?

Já deixei clara que eu acho alguns dos aliados do PSDB bem bolshevistas, começando com o César Maia.

Eu não vim ironizar o candidato, mas é interessante, o deslize de “ventríloquo” para “boneco”.

Parece mais espontâneo assim.

Mais donde veio a frase?

Quem está dizendo o contrário?

O Gilson está, é óbvio. a Carta Maior não é O Globo.

José Serra, o acaciano retórico, produto híbrido do latifúndio com a banca, é um personagem de press release. Não deve ser levado a sério quando fala em modernidade. Seu projeto autoritário precisa da mídia com poder de Estado e do mercado como única instância de legitimação.

Seria melhor para o candidato se quem puxava os fios dos marqueteiros e bolshevismos era ele.

E para dizer verdade, eu jamais consigo entender porque o ex-governador e ex-ministro não fala mais para conta própria. É um bom comunicador. Talvez eu tenha uma simpatia com o modo acaciano.

Se a mídia realmente quis ajudá-lo, botaria ele na mesma roda de samba que Lula começou a fazer no segundo mandato, ao vivo e completo. Eu nunca soube da admirável inteligência do presidente antes de ver ele falar esponstâneanmente, sob pressão, assim.

As manchetes destacam os gafes — que todo mundo faz quando fala espontâneamente — mas acabam parecendo meramente pedantes.

O estilo gritante dos discursos de palanque dele nunca me empolgava.

Mas não é o primeiro candidato a virar personagem de press release, contra a própria vontade.

Os publicitários  e propagandistas têm poder demais pelo menos desde Reagan, paciente de Alzheimer que simplesmente lia qualquer coisa que passou no TelePrompTer.

Eu também diria haver uma certa confusão inédita nessa «mídia com poder de Estado» nesse ano, em comparação com 2002 e 2006. Na última década, o blitz midiático foi derrotado várias vezes.

Agora, tenta-se aproveitar as ironias da mídia velha-nova, pagaiando manuais das Novas Relações Públicas. <as o que dá na prática é um bicho de sete cabeças despida de autoridade por falar constantemente que A = A e, a mesma vez, que não é. .