De Olho nos Observatórios: Um Gênero Cíberjornalístico

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A Grande Aranhação continua — ou seja, uma pesquisa minha, utilizando o «crawler» WIRED — C. Castillo, et al., Universdad de Chile — para tentar rastrear um discurso fiado em uma rede direcionada começado com as grande fábricas ideológicas do «estilo neocon».

O que pretendo aprender a fazer é o que os idealizadores de Pajek, ferramenta de pesquisa sobre redes sociais, chamam do uso de técnicas estatísticas em grandes redes para isolar complexos e subredes para um estudo qualitativo, que pode incluir, entre outras coisas, a semântico de nomes de domínio..

Exemplo: Eu vivo dizendo que reconheço certos aspectos do «estilo neocon» na versão tropical deste mesmo estilo.

Um exemplo concreto que dei foi a Mídia Sem Máscaras de Olavo de Carvalho, por exemplo. Reproduz um modelo aperfeiçoado e multiplicado faz tempo pelos neocons que não falam português, tipificado por sites como

  1. Accuracy in Media (direita)
  2. Fairness and Accuracy in Reporting (esquerda)
  3. Reclaim the Media
  4. Take Back the Media
  5. I Hate the Media
  6. Expose the Media
  7. Left Eye on Media
  8. The Media Desk
  9. Flip the Media
  10. We the Media
  11. Be the Media
  12. The Media Audit

E tantos outros, na maioria projetos de patrulhamento ideológico nos moldes de MSM dedicados a desmascarar um suposto esquerdismo endêmico na mídia corporativa.

Um modelo plausível para o projeto de Olavo de Carvalho surgido desse movimento podia ser o Newsbusters.

Peça seu adesivo gratís: Eu não acredito na mídia [esquerdista]!

Tem que lembrar-se de que «liberal » equivale «esquerdista» entre meu tribo.

O Newsbusters, que aplica a mesma hermenéutica de suspeição pós-moderna que costumamos ver de ODC ao noticiário, vive embaixo da guarda-chuva de organizações cripto-partidários — TOWNHALL.COM — e uma associação de blogueiros sobre mídia, à qual pertence também o supracitado AIM, o Timeswatch, o Culture and Media Institute, e o Washington Times — fonte, e não alvo, de denúncias de viés.

Este último sendo o orgão do Reverendo Moon, auto-proclamado messias que financia as perdas bilhonária do WashTimes com dízimos dos fieis.

Em português, tem De Olha na Mídia — «versão brasileira de HonestReporting.com», este se descrevendo assim:

Since October 2000, in addition to fighting an anti-terror war, Israel has been fighting a media war. In news outlets around the globe, journalists regularly misrepresent Israel as the aggressor and Palestinians as the victims

«Desde outubro de 2000, além de combater terrorismo, o Israel está em uma guerra midiática. Em veículos do mundo inteiro, jornalistas rotineiramente apresenta Israel, erradamente, como o agressor e os palestinos como vítimas»

Este tipo de site faz parte de um gênero maior que podia ser chamado do Observatório ou o «de olho em», e resumido em inglês por frases da forma ASSUNTO+«WATCH» — uma tradução possível para «de olho em», embora só tém 35 menções deste nome de domínio dentro da amostra. .

Um modelo desse preente projeto, por exemplo, é o SourceWatch, um observatório de fontes citadas pela mídia e afiliado com o PRWatch, observátorio da indústria de propaganda e seu lobby no capital federal.

Na última rodada com WIRE, de 179.000 domínios identificados, um estimado 17.000 teve «watch» ou «watchdog» — cão de guarda — no nome do domínio.

Houve, entretanto, alguns 42.000 com a frase «media». Da frase em português «mídia», 495.

Um projeto nótorio nesse sentido é o Campus Watch, um projeto do militante Daniel Pipes — nosso Diogo Recluso do Milénio é professo seguidor de Daniel Dutos — que alista estudantes para identificar professores universitários que não apoiem a linha dura de Israel corpo e alma. Estes são alvejados por campanhas de difamação. É algo que eu já encarava pessoalmente, embora eu jamais consegui entender o que seria uma leitura pro-Israel de The Adventures of Huckleberry Finn e a poesia de Walt Whtiman e William Butler Yeats.

Também merece destaque o venerável DEBKA.com — «começamos onde a mídia desiste» — um latifúndio de agitprop e boataria sobre a ameaça nebulosa à civilização ocidental da bilhaõ que seguem o Alcorão.

Observatórios promulgando a noção de que Islã seria uma religião pela própria natureza terrorista são legião.

  1. Jihad Watch
  2. Dhimmi Watch
  3. Islamist Watch
  4. Shariah Finance Watch

O Dhimmi Watch se refere a o antigo contrato social dos vitoriosos mouros com os povos consquistados, segundo o qual os «povos do livro» gozavam de relativa liberdade religiosa e direitos civis.

Tem observatórios do lobby pro-Israel também, como Israel Forum Watch e Islamophobia Watch, além de observatórios da direita religiosa, como Religious Right Watch e Theocracy Watch, este último preocupado com a erosão do estado secular sob o regime Bush ibn Bush.

Muito comuns são blogs dedicados a fiscalizar exemplos — supostos ou fundamentados, tanto faz — de reportagens enviesadas em jornais ou revistas específicas, como

  1. San Francisco Chronicle
  2. Time
  3. Bloomberg
  4. BBC
  5. New York Times
  6. Los Angeles Times
  7. O âncora da rede MSBNC de TV, Keith Olbermann
  8. A rede pública de TV, PBS
  9. Guardian (Reino Unido)
  10. A mídia em língua árabe em geral

Um preferido meu nesse gênero, pelo espirito gran guignol que o anima, é o Newspaper Death Watch — «aguardando a morte do jornal e a renasença do jornalismo».

Tem observatórios sobre questões de política pública, ou até políticos individuais, como

  1. Aborto
  2. Saúde
  3. A policia local — bem popular
  4. Censura da imprensa
  5. A ativista antiguerra Cindy Sheehan
  6. «Slumlords» — donos rentistas de cortíços
  7. O governador Corzine de Nova Jersey
  8. O senador e ex-comediante Al Franken de Minnesota
  9. ICANN
  10. Maçonaria
  11. A sentença de morte executada pelo Estado
  12. Neo-nazistas de Toronto
  13. Radialistas neoconservadores
  14. O catolicismo do presidenciável de 2004, o Senador Kerry
  15. A direita cristã
  16. O preconceito contra a direita cristã
  17. A esquerda em geral
  18. A renda do petróleo de Iraq e os vazamentos no granaduto
  19. As atividades filantrópicas e investimentos de George Soros
  20. O partido trabalhista do Reino Unido
  21. Vladimiro Putin
  22. Porte de armas de fogo
  23. Corrupção
  24. Neoconservadores do partido Democrata
  25. ONU
  26. Hillary
  27. Irã
  28. Cuba
  29. Jurisprudência da Suprema Corte
  30. Ex-gays usados de garotos de propaganda por oponentes de direitos para homosexuais
  31. O controle às arma nucleares
  32. Direitos humanos de diversos pontos de vista
  33. Casamento civil de casais homosexuais
  34. Observatórios sobre observatórios sobre a organização montando o observatório do observatório — que são muitos!

Tem observatórios com temas econômicos, como

  1. Preços de passagens aéreas
  2. O comportamento de grandes corporações — o bem-estabelecido Corpwatch
  3. Pharmawatch — a indústria de farmacéuticas
  4. Ações — uma categoria sempre popular
  5. A economia de Húngria
  6. O orçamento estadual — também popular
  7. Propaganda enganosa
  8. Fundações filantrópicas
  9. Biocombustíveis

Pretendi botar o laço a todos os exemplos, mas tenho preguiça.

É cansativo enumerar e categorizar todos os exemplos. Podem constituir — chutando — até 10% da amostra recolhida, descontando sites da chamada «plataforma» — Twitter, Facebook, LinkedIn, Delicious, Digg, AddThis, Orkut, e tudo mais.

Descontando sites como rolex-watch-cheap.com e allbrandwatches.com, sediados em Lagos, Nigéria — watch também quer dizer «relógio» — ainda resta uma enxurrada de panopticonibus particulares e peculiares.

Na pré-história dessa onda de observatórios e franco-atiradores, para mim, foi o projeto montado por um dos sócios da consultora Innovation Intenational, o Giner.

Vem de quando tinha uma bolsa de pesquisa da Fundação Niemann e uma cadeira no Centro Berkman da Harvard: O agora extinto WATCHDOG.COM, tipo uma incubadora de observatórios e cãos de guarda do gênero «jornalismo-cidadão» descrito aqui.

Acho possível rastrear as orígens e o crescimento do gênero.

Acho interessante que o gênero parece não ter colado aqui no Brasil, além do supracitado MSM — que aliás é montado nos EUA e mantido desde lá por um homem que se diz o embaixador da extrema direita brasileira na corte dos Neocons.

Deve ser dito que muitos sites no estilo «observatório» são realmente sérios e uteis, como por exemplo a fiscalização de orçamentos governamentais, e são dignos de imitação.

O Estado da Aranhação

Como eu disse, um minipane de Eletropaulo fodeu com a última tentativa de recolher meu sonhado banco de dados definitivo do estilo neocon. (Tenho uma aranhação paralela tendo a ver com assuntos profissionais em moção também — o setor financeiro brasileiro, que cubro para clientes.)

Aprendi dolorosamente algo sobre a recuperação do processo, à custa de aventuras, e comecei de estaca zero, essa vez com matrz de 200 mil sites únicos e 20 mi de documentos.

Rezem para que esse Amazonas de dados não sufra a construção de represas irregulares pelos bandeirantes de uma infraestrutura não muito confiável.

Até agora, 194MB de dados baixados.

Os 25.000 sites visitados até agora: