Pânico em Guarulhos!

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Buemba! Buemba! Buemba!

A Polícia Civil de São Paulo estoura um esquema de corrupção municipal!

Hoje de manhã.

Que funcionava até 2006 — quatro anos atrás.

Me desculpe o cinismo, mas eu teria sido mais empolgado se a polícia estadual tivesse flagrado o esquema ainda em atividade.

Quatro anos atrás.

Fonte: Luciane Macedo, G1/Globo.

Anoto o caso, no entanto, por ser grande fã do Luc Sante — um livro de memórias, acima — o grande antropólogo marciano da falcatrua em geral e autor de Low Life, uma arqueologia do Bowery no fim do século XIX.

Os mecanismos desses esquemas são sempre interessantes, especialmente quando informatizados.

Nesse caso, parece que era apenas fazer um Ctl-C, Ctl-V no sistema de contabilidade e pimba!

Uma agência de Correios, não direi paraguaya — desisti do adjetivo preconceituoso.

25demarciana, digamos.

Provavelmente não passou de copiar um arquivo qualquer de formato .EXE.

Segundo o MP, os recibos emitidos pela agência dos Correios e por uma papelaria eram assinados por uma mesma pessoa. O suspeito chegou a trabalhar na agência e clonou o sistema de emissão de recibos, que foi instalado em um computador pessoal. Esse homem, proprietário da papelaria, emitia os recibos falsos da compra de selos em casa e também os recibos falsos de compra de material de escritório.

O policial chefiando a devassa está indignado.

“Isso é apropriação do dinheiro público de uma maneira bastante indigna. É algo que não condiz com a condição de vereador”, disse Oliveira.

Eu concordo.

Também não condiz com a condição de um corrupto competente e Luc Santesco.

Lavando dinheiro por parcerias públicas-privadas, como o Rock em Rio, de maneira quase indetectável — foram os saques na boca da caixa que denunciaram o esquema — isso ái é sacanagem de alto nível, um exemplo da Grande Arte do qual um saqueador do erário pudesse orgulhar-se.

Pelo menos precisa-se de alguma sofisticação técnica, de imaginação e criatividade.

O total de recibos falsos emitidos pela agência dos Correios é de R$ 300 mil e outros R$ 190 mil da papelaria. O esquema funcionou entre 2005 e 2006. Entre 2001 e 2007, a Câmara de Guarulhos autorizava uma verba mensal de até R$ 5 mil com despesas de correio e material de escritório. O direito a essa verba foi extinto em 2007. O MP ainda não sabe se entre 2001 e 2005 o esquema de fraude também estava em operação.

Puxa, o que estavam fazendo entre 2006 e agora que ainda não saibam?

Não direi que em ano eleitoral, demostrações de eficiência pela polícia e MP estadual são imprescindíveis, mas podia ser dito.

Injustamente dito, talvez, mas faltam indícios de que a reportagem de G1 chegou a posar a pergunta, que me parece bastante natural, ainda de forma burocrática.

Também acho curioso a «repercussão» do caso por um vereador que não integrava a legislativa durante o período em questão.

O vereador Edmilson Souza (PT) afirmou na manhã esta sexta-feira (16) ter sido pego de surpresa pela ação do Ministério Público e da Polícia, ainda que soubesse que as investigações estavam sobre o caso em curso. Ele, que não teve ainda acesso ao processo, disse esperar que a investigação chegue a um resultado conclusivo para evitar desgaste do Legislativo.

“Esperamos que essa investigação chegue a uma conclusão para apontar quem errou e quem não errou para evitar que a Câmara de Guarulhos sofra ainda mais desgaste”, afirmou o vereador que não participou da legislatura de 2005.

Que dizer que o «outro lado» é dado por alguém que não estava lá na época da malfeitorias e confessa não saber nada sobre o caso ainda.

A reportagem podia ter me entrevistado a mim sobre o assunto e obtida a mesma falta de novidades.

O primeiro blogueiro a repercutir a notícia, qu eu saiba, foi o Clemente XIV Incognitus, um site de Blogspot — plagiada de uma fonte não-identificada — incognita, podiamos dizer — embora tem a prosa de praxe de um release oficial.

Agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Guarulhos com apoio do Ministério Público (MP) deflagraram uma operação hoje para cumprir mandados de busca e apreensão na Câmara Municipal da cidade da Grande São Paulo. Os agentes também fazem buscas na casa de vereadores e ex-vereadores. A operação foi programada depois de denúncias de prestação de contas irregulares na Câmara municipal. Diversos documentos e computadores foram apreendidos.

Após um rápido teste de plágio, a fonte é identificado como as repórtes FABIANA MARCHEZI E SOLANGE SPIGLIATTI da Agência Estado … mais ainda aposto que trata-se do release oficial, copiado e colado.

De fato, o exato teor daquele parágrafo é reproduzido por innúmeros veículos.

São precisas duas repórteres para produzirem uma reportagem de apenas um parágrafo, e sem quaisquer detalhes?

Na sala de imprensa da PC-SP, le-se

Em cumprimento à legislação, o site da Polícia Civil manterá suspensa a
publicação de notícias até o fim do período eleitoral.

Uai, a Polícia Federal continua emitindo aqueles releases bem no estilo tira deles.

A Polícia Federal em Varginha desencadeou, na manhã de hoje [ontem, na hora de leitura por esse blogueiro], 15, a Operação Keno, com o objetivo de fechar cassino e desmantelar quadrilha voltada à exploração de sofisticados jogos de azar, receptação de maquinário e equipamentos de jogos, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Haverá entrevista coletiva com a imprensa às 10h30, na Delegacia de Polícia Federal em Varginha.

«Desencadear» sendo o verbo obrigatório após dez usos de «deflagrar» em releases anteriores.

Vou conferir na minha cópia do Guia do Estadão se fique recomendado o uso de lugares comuns cansadíssimos em reportagens de polícia.

Ora, eu apostaria alto que não é por ocaso a notícia ter as características literárias de um típico release de uma polícia impedida por lei de dar conta das suas atividades ao público.

Agora, se trate-se de um daqueles casos de molecagem onde é para se espalhar que «os nanicos que apoiam a candidata de continuimso são corruptos!» veremos uma repercussão maior entre os Incognitos do Coronel.

Fico de olho, mas ao lado de Operação Pandora, a pilagem de meio milhão de cruzado-cruzeiros cinco anos atrás — nada pífia, não me leve a mal — não é exatamente o quarto cavalheiro do fim do mundo.

Estranhamente, o mesmo G1 é dado como uma fonte de jornalismo-cidadão amador no Blogsearch de Google.