Millenium: Propaganda Má-Propagada?

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Uma nota do sempre instigante Nassif:  A crise no Instituto Milenium | Brasilianas.Org.

Bom, os ecos do seminário se propagaram por toda a blogosfera. O mínimo que se falou do Milenium é que seria o novo IBAD Instituto Brasileiro de Ação Democrática, uma das organizações que conspirou em 1964.Explodiu uma crise entre os patrocinadores, empresários civilizadas querendo debate de alto nível. Depois de botar fogo no terreiro, cada artista voltou para seu canto como se não fosse com ele, deixando o Instituto Milenium em uma enorme saia justa com seus patrocinadores e com uma enorme crise de identidade.Espero que o Milenium recupere sua proposta original. E um pouquinho de pluralidade não lhe faria mal algum.

Escolhendo a inciativa — que na verdade não passa de uma máscara do Instituto de Estudos Empresariais, cujo recente ex-presidente, Uebel, o preside — como o foco dos meus estudos obre a propagação do estilo neocon em rede, suponho que eu sou da referida blogosfera que criou a saia justa.

Na verdade, me parece que os idealizadores dessa estratégia de comunicação social– que possui outros avatares que não sejam o IMIL mesmo — não aprenderam com o fracasso da campanha Cansei.

Se lembram daquela?

Até Claudio Lembo a ridiculizava, ganhando o rótulo de «neopetista» do Tio Rei por ter apontado o nudez do imperador do Cosme Velho.

Tal como o Brasiliano, eu não sou contra

as virtudes da livre iniciativa — ponto importante dentro do debate nacional.

De qualquer debate nacional.

Apenas me pergunto se uma indústra cartelizada e liderdada por herdeiros de pessoas que tendem a comprovar o ditado atribuido ao Balzac  —  «atrás de toda grande fortuna há um grande crime» — tenha o moral de enaltecer a meritocracia.

Essa concentração — no México, está ainda pior, com Televisa detendo 75% do mercado — é um dos fatores que mais esmaga e abafa o livre iniciativa na industria de cultura no Brasil. Não há outra explicação pela riqueza de matéria-prima e a pobreza de produção.

Assisto o filho de Baden Powell em um programa na TV Senado a uma hora da manhã. O moleque arrasa, e entre músicas fala de uma nova cultura de samba e choro na Lapa, o surgimento de uma juventude neotradicional. E me pergunto: Porque não estou vendo isso em rede nacional no horário nobre, patrocinado por Havaianas ou FNAC?

Uma dica de marketing: faça o casamento de Viola Minha Viola com Big Brother ou American Idol, empolgando a nação com a questão, Quem é o rei do violão do jovem Brasil?  Crie o sonho na cebeça da juventude de alistar-se no exército brasileiro dos melhores violeiros no mundo.

Cria uma moda internacional para a viola caipira — que para mim é uma delícia, fácil adeaprender e com um som místico. A Rozinii viraria multinacional de brasiliandade caboclo-guaraní!

Ora, quem tem a maior influência sobre este «movimento em favor da livre inciativa» no Brasil, além dos institutos CIPE-CIMA-IRI-NDI-NED, Cato, Atlas e Hoover, é o Endeavor Internacional — o vice do qual, presidente do sucursal mexicano, é o diretor-executivo de Televisa.

Este é o outro IEE — Instituto Endeadvor de Empreendedoriso — que tem parceria de conteúdo com Globo para espalhar o evangelho de Ayn Rand e a virtude de rentismo.

Tem algo na genética da elite brasileiro que deixa-a surda a ironias gritantes — uma cacofonia que o talentoso ouvido de um País  bastante musical não demora a perceber.

A Ansiedade de Influência-Influenza

Foi muito gentil de Nassif, descrever os empresários de pessoas civilizadas iludidas por modismos de marketing. Isso de fato acontece no mundo empresarial com bastante frequência. O MBA posmodérno é gente de planilhas com modelos sofisticados atualizados em tempo real dos mais vários fluxos de dados.

Ou deveria ser. Alguns CEOs são seduzidos pela sereia do executivo-celebridade, porém, e acabam rezando da bíblia gnóstica de Faith Popcorn sem entender o aramáico direto e simples do texto.

A observação nassifiana que mais chamou a minha atenção, no entanto, foi aquela sobre a repercussão netativa — negativa! — netatividade de negação? —sobre o  evento citado.

O colunista dá crédito à internet por ter divulgado um forte contraditório à linha editorial — o cogito ergo neoliberalis sum — do Instituto.

Ora: a blogosfera realmente derrotou a campanha?

Eu não descordo, mas assim como na aula de matemaática, não pode-se simplesmente chutar.

Tem que mostrar o cálculo. É assim que você aprende como o motor funciona, em detalhe.

Essa afirmação, aliás,  levanta uma questão geral que os dados que tenho recolhido sobre a blogosfera do Millenium — com dois eles, ô Nasif! — são muito aptos a responder.

O que determina o sucesso ou frcasso de uma campanha viral em rede?

Acima: adotação de um procedimento médico, com camadas representando momentos de adoção, de baixo para cima, de um ano para outro. A camada superior representa adotores sem relação a outros adotores, ou seja, adotores  aparentemente espontâneos.

Passei a noite de ontem fazendo a lição de casa sobre este capítulo no livro de Pajek.

Deixa-me ver se eu conisga resumir tudo na palma da mão para poder colar durante o concurso.

Ora, os dados que tenho constituem, não uma rede completa e equilibrada, mas um duto de conteúdo que,segundo o modelo novo, infiltra os formadores de opinião entre uma audiência-alvo, disfraçados de gente que nem a gente que não mente.

Na gerigonça do SNA, temos um grande COMPONENT_OUT, destino de um pequeno COMPONENT_IN.

De um punhado de sementes, uma safra de árvores compartilhando o sistema de raizes em vários graus — e cobertas de broméilas parasitas de samizdat digital, das quais brotam às vezes verdadeiras fleurs du mal.

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Vamos ler o resumo mostrado acima do SCC — «single connected component», ou seja, o maior componente que permite cada nó a comunicar com cada outro  — nos termos do modelo «gravata borboleta».

Pensa na circumnavegação  desde o Instituto Hoover (1) para Michelle Malkin (7.500.000) como um problema para Google Maps.

Começando de um lugar no component IN,seu Ford ou Novo Fusca  terá que passar por MAIN-MAIN, o Minhocão da rede — ponto de alagamento-engarrafamento crónico —  para pegar a estrada Mogi-Bertioga em MAIN-OUT para chegar ao destino no BR-101, no componente OUT.

Temos uma multa a pagar de Mogi, devido ao fato que uma vez dentro da cidade, tentando seguiros sinais, não conseguimos sair. Ora, eu já vi aquele bingo sete vezes!

Agora, imagine que você tenha a missão de recultar novos integrantes para um comboio que chegará na praia para reclamar melhor qualidade de água, pegando novos adeptos em cada casa de pamonha pela estrada.

Nós ainda estamos entre o azul e o vermelho no processo de expansão — a chamada curva-S. A tendência no sentido de equilíbrio é previsível na medida que nos aproximamos ao limite de 7.500.000.

Ora, imagine que cada casa de pamonha é frequentado por oponentes seus, que tem a oportunidade de dissuadir aderentes menos sólidos

O gráfico encima esbouça um resultado possível.

Sou lembrado do grande sucesso dos anos 1970s nos EUA, uma música brega sobre a organização  de tal comboio  pela rádio CB — banda cidadão.Deu à luz uma moda quente quente quente de pessoas instalandos os rádios no carro — irritando os caminhnoneiros, que realmente precisam do canal, com um Amazonas de imitadores enchendo o duto de paopo furado. Com o tempo, a moda morreu,como modas tendem a fazer.

O movimento Massa Crítica de Nova York faz uso de táticas parecidas em prol de uma cidade mais amigável ao ciclista.Tem um sucursal paulistas de centenas de heróis — ou malucos — tentando fazer de Samboja um lugar onde o pedestre e ciclista sim teriam vez.

Eu e a Neuza até participamos no Turmê de Brooklyn — 40 km, até Coney Island e de volta  ao parque, devagar mas sempre.

È disso que estamos tratando, uma malha de rodovia com vários tipos de navegantes.

Em nosso caso, ainda tem quase o mesmo número de ilhas do que cidadezinhas com estrada, pedágio, e posto com loja de conveniência. Lá tem dragões ainda. Falta um incentivo do BNDES à indústria de balsas.

Dentro da malha conectado, porém, ainda tem destinos interessantes. Dá para chegar em Ouro Preto, por exemplo — com Salvador, meu destino turístico preferido até agora. Um dia eu faço o tão antecipado percurso Salvador-São Luis de Maranhão, de carro. Se pode-se continuar até Acre e Rondônia, ainda não sei.

O Circúito Social

Tem uma ferramenta chamado NetLogo — programado em Java, infelizmente — que mostra um processo de difusão desse tipo em função de tempo e de conectividade. É um prinípio fundamental na metafísica do Mercado a onda de uma viral propaga-se mais rapidamente em redes mais densas de relacionamentos.

É por causa dessa crença que o papel de mulitplicador  — o ser humano como máquina de xorox — ganha tamanha destaque nos evalngelhos de Marketing 2.0. A multiplicação de pares em nossa rede deveria aumentar a pressão de conformidade.

Aqui, vemos uma corrida entre um vírus — uma inverdade, um factóide, uma injustiça, uma sacanagem — e o sistema imunológico da rede.

Na medida que o  onhecimento do fato se espalha mais rápidamente do que o vírus, os nós andam virando resistentes e a massa crítica não é alcançada.

O sistema reage para se defender.

Ainda assim, continuam existindo os «botnets» — redes de computadores infectados sem o conhecimento do usuário, e coordenados pela mão invisível de pessoas ocultas para fins antisociais.

O Problema Org.gov.com

Em geral, podiamos dizer que o assunto central do censo que andamos fazendo é o funcionamento — bem ou mal ou meia-boca — do terceiro setor nos papeis de intermediação: o mensageiro — não mate-o — o corretor, o representante,o coordenador, e  talvez o mais importante, o leão de chácara do círculo de elites — aquele da fábula de Kafka.

Um assunto relacionado com isso é o que chamo do «Problema .GOV.ORG.COM.BR.EU.US.ME».

A bíblia da Nova Administração Pública  –NPM, da sigla em inglês — tão querida pelos forçadores de novas idéias reza que o que já foi visto como conflito de interesse realmente representaria uma oportunidade de implementar novos modelos de gestão.

Nos termos utilizados por meus autores, há duas hipóteses em jogo.

Integrar vários marcos institucionais à mesma vez

  1. … cria conflitos e constrangimentos para o ator, limitando sua eficiência
  2. … cria oportunidades de ágio regulatório, driblando burocracia denecessária e aumentando sua eficiência

Tem casos favoráveis a ambas hipóteses, que não são mutuamente exclusivas, dizem meus autores.

A prova do pudim sempre será como essas situações estruturais são percebidos pelos atores concretos, e ests como se comportam segundo o leque de escolhas apresentadas.

Um exemplo de (2) — subtipo tertius gaudens, ou seja, «aproveitador de brecha jurídica» —  do qual me lembro foi o caso dos integrantes de BOPE no Rio que faziam bico como seguranças de uma empesas passando por um greve.

Um sindicalista que saiu do grupo foi pego sozinho num terreno baldio e recebeu uma surra paga pelo patrão da empresa

Então, um major da PM, segurança da empresa mas de outro expediente, e que ficou sabendo da situação, ativou as tropas de elite, que prenderam o sindicalista na sua capacidade oficial de polícia paga pelo contribuinte.

Como seguranças, deram a queixa.

Como polícia, fizeram a prisão.

Masi risível mas não menos esquivo é o espetaćulo de uma sociedade civil de donos de mídia sendo promovida pela mídia da qual são os donos — com esta mídia sendo multiplicado para motor de pesquisa ver por um submundo de samizdat anônimo, orquestrado pelos memos donos da mídia e servindo de agentes provocadores não divulgados destes.

É como assistir uma peça na qual Wagner Moura — eu não achei que ia gostar de Hamlet em português, mas gostei — faz todos os papeis.

Interessante como um conceito — Eddie Murphy vive fazendo isso com comédias populares — na prática tem algo de narcisismo e o autoerótico.

Suponho que sou mais brechtiano que beckettiano nesse sentido, mais pelo menos a Pessoa fragmentada mexendo com o gravador de fita e falando sozinho, como os botões, tem nome.

O nome dele e Krapp — cf. Confessions of a Crap Artist, de Philip K. Dick.

Toda essa rede de redes de instituto de pesquisa montados pela filantropia de entidades de classe de empresas familiares é o mesmo Krapp, e tem a densidade social do famoso éter lumenífero — sem o qual os físicos do século XIX não consgeguiam entender como a luz se propagava.

Em fim, estamos ante o risco do tertius gaudens — o apreveitador de «sinergias» e brechas entre diversos e distintos contextos socias e institucionais.

Tem perigo de se desenvolver um ponto cego na fronteira entre transparência e privacidade, um curto-circúito do circuito crítico, para o qual o tertius vigilans — o corretor honesto, o juiz de campo  nem Fla nem Flu — é imprescindível.