Corretagem e Ágio no Terceiro Setor: Uma Estratégia de Análise

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Um certo Leonard G. Horowitz, no artigo mostrado acima, acredita que o padrão musical que define a nota sol como um tom com frequência de 440 Hz seria uma conspiração da Fundação Rockefeller, parte da sua «guerra contra a consciência humana».

Ainda não li o artigo. Parece que aquela frequência permite aos extraterrestres ou capangas do Capeta ou quem quiser que sejam monitorarem e manipularem nossos pensamentos.

Manual sobre o uso da estratégia tertius gaudens para desmantelar a rede de apoio às insurgências. Fonte: Departamento de Defesa, EUA

Neste modesto estudo, nós não venhamos com afirmações tão exorbitantes — ainda que dito artigo realmente apareceu dentro dos resultados de nossa busca no Google Académico para os conceitos de tertius gaudens e tertius iungens.

Para todos nós, estes são o «intermediário aproveitador» e o «corretor honesto» de folclore.

Nos termos da minha própria ARS Magna — meu texto piratado sobre o Análise de Redes Sociais (ARS) com Pajek — as oportunidades de atuar em um desses dois papeis existem na encruzilhada das «pontes» e «pontos de corte» na estrutura da rede — capazes de serem identificados por uma aritmética razoávelmente simples.

Os despachos acontecem mas encruzilhadas à meia-noite.

São conceitos úteis tanto pelo análise infoguerra quanto a chamada «spam de motores de pesquisa» — este último sendo outro jeito de falar da «otimização de sites para motores de pesquisa», o SEO, da sigla em inglês.

A tática mais comun dessa ARS Magna, aliás, segundo minhas leituras, citando figuras de Google, seria a apresentação de um conjunto de conteúdo para o Googlebot ver e outro para o navegante que segue o resultado até a página a ser promovida.

Ou seja, «minta aos robôs, são burros por caralho» — o que é bem verdade. Temos que virarmos leitores mais sofisticados do arquivo robots.txt.

O que nós pretendemos identificar, portanto, não são conspirações de Rockefellers agremiados em lojas de maçonaria.

São oportunidades concretas de ágio entre diversos contextos institucionais acumulados pelo mesmo ator-autor em d => 1 das três dimensões do modelo.

A rede de Deustsche Bank e sua fundaçao filantrópica — um sistema compartilhado de raizes que abrange ambos os lados da muralha chinesa? Fontes: SOCNETV, Pajek, dados recolhidos pelo autor.

Identificadas as oportunidades estruturais — os textos do MBA pós-moderno falam de «buracos estruturais» — observamos o comportamento real de atores-autores ocupando essas posições estratégicas e os incentivos que têm para jogar o gaudens ou o jungens.

E olhe, sendo que esses atores-autores incluam autores institucionais, nossos dados bem podem fornecer hipóteses generalizadas sobre um grande tema: Corretagem e ágio no terceiro setor dentro de determinado marco regulatório – ou falta do mesmo.

Li no DCI que um tipo de incorporação interna foi julgado legal per se, apesar do fato de que quando empreendido para evitar impostos, o Leão ruge. Hein? Li duas vezes.

Para ser mais facilmente lembrado, denominanos isso o Problema Org.gov.com.br, ou melhor, «Poxa, a rede não é tão semântica assim!»

Ora, Eu Estava Pensando …

Ora, eu estava pensando na pergunta, qual o modelo prático mais apto a ser aplicado aos dados da Grande Aranhação que signficiaria algo concreto? E como se encaixaria com o modelo original que propusemos? Veja também

Vamos lembrar que nosso modelo básico identifica oito tipos de redes organizados por três dimensões:

  1. Abertas (a) e fechadas (f)
  2. Hierárquicas (h) e anárquicas (q)
  3. Os com CPF e os com CNPJ

Nessa última dimenção, vamos diferenciar entre o pessoal (p) e o institucional (i).

Tem palavras compridas em alemão para isso, mas vocês sabem: Eu sou consumidor, cidadão, pai, filho, irmão nas horas livres de ganhar a pão como empregado, assalariado, agente, advogado, e coisa e tal em relação a outras pessoas de ambos os tipos.

Dá a tipologia seguinte segundo as dimensões x, y, e z:

a a a a f f f f
h h q q h h q q
p i p i p i p i

O talvez podiamos inovar um número AOP — acesso, organização, população — com valores binários, como AOP=010, para fechado, com hierarquia, de pessoas físicas.

Dá para aumentar a categorização de redes, que em duas dimesões — eu tenho a fonte aqui em algum lugar, vou citá-la, prometo — dá

  1. O Círculo Fechado (f-a)
  2. O Consórcio (f-h)
  3. O Shopping de Inovação (a-q)
  4. A Comunidade (a-h)

O que chamariamos uma rede «f-q-i», ou rede fechada de pessoas jurídicas sem hierarquia? O Cartel, pode ser? Oligopsonia?

Em fim, aproveitando vários fatos chatos de natureza técnica e pessoal para aumentar minha biblografia sobre o assunto, eu tambem li várias vezes, com mais atenção, na ARS Magna, o capítulo sobre redes de citações — estudadas bastante por serem bem documentados e por existir grande interesse, utilidade e volume de dados sobre o assunto.

Portanto, um entre vários jeitos possíveis de simplicar a definição do tipo de interexistência de atores em rede que nos preocupam aqui podia ser o seguinte:

  • A exploração enganosa de redes de citação e confiança para criar personagems com «autoridade infundamentada».

«Unfounded authority» sendo um frase que apareceu em diversos lugares na minha leitura.

Um corolário desta definição, entretanto, seria o uso de «spam de motores de pesquisa», tanto para criar essa autoridade-fantasma quanto para tentar espalhar «memes» — aquelas unidades de propaganda viral  supostamente auto-propagantes — por meio de um efeito viral, de «contágio».

Tem técnicas de análise específicas para ambos fatores. A arte está na junção dos dois. Estou experimentado, pela primeria vez, com dados da Grande Aranhação.

O marketing de zumbido — «buzz» — por exemplo, depende do efeito tanto multiplicador quanto distorecedor de cadeias de citações inexatas, abrindo espaço pelo anti-esclarecimento de «medo, incerteza e dúvida».

Uma vez que medo e dúvidas tendem a superar nossa resistência a um investimento maior de atenção, a estrateǵia é bem-sucedida.

Também nota-se o uso do «ágio » para resolver o que o manual chama do problema do «threshold», ou seja, o problema limítrofe.

Por exemplo, tendo dados empíricos de que propaganda devidamente identificada como tal, com a assinatura do anunciante pessoa-jurídica e apresentada no horário nobre, deixou de atraer atenção, coloca-se a mesma mensagem na boca de «gente que nem a gente» — ou seja, agentes ofuscados do portador do CNPJ.

Um exemplo do que eu gosto bastante é o site institucional da agência Ogilvy no Brasil, «Being David». Cada executivo se apresenta pessoalmente com uma meditação sobre como ele ou ela se enxerga como herdeiro do legado daquela lenda de publicidade, David Ogilvy.

Não somos uma mera engrenagem na máquina mundial do Grupo WPP, somos herdeiros carinhosos do gênio de um homem exemplar.

Mais divago.

Publique ou Pereça

Neste artigo que tenho sobre os efeitos de modos errados ou enganosos de citação em artigos científicos, nosso autor anota práticas parecidas às observadas no curso desse estudo, entre muitos pesquisadores sujeitos ao sistema de «publish or perish» — faça um contribuição apreciável ao conhecimento humano ou vai trabalhar no lava-rápido.

Estes buscam melhorar o índice de importância do seu trabalho no análise de redes de citação — sabendo que bolsas, verbas, estabilidade e promoção podem depender desse análise.

  • Artigo: O’Connor, S.J., “Citations, impact factors and shady publication practices: how should the lasting clinical and social value of research really be measured?” | European Journal of Cancer Care, 2010, 19, 141-143

Ou seja, «Citações, fatores de impacto e práticas escusas de divulgação: como mesmo deveria ser medido o valor clínico e social duradouro de pesquisas médicas?»

O bom doutor identifica «abusos conhecidos» que «fomentam a distorção, exagero, diversão de fins e mutação de dados por meio de práticas como, apenas por exemplo,

  1. a apresentação de dados de fontes secundárias como se fossem resultados primários próprios, e
  2. a citação, acrítica e muitas vezes errada, de resultados que não aguentaram a passagem de tempo quando da sua suposta importância.»

Outros abusos enumerados incluem

  1. Excesso de auto-citação
  2. A apresentação «fatiada», e 12x em juros, de resultados que deveriam ser apresentados juntos, como um conjunto
  3. O envio de um grande número de artigos redundantes, causando o engarrafamento de um processo de revisão crítica já sobrecarregado

Vemos estratégias análogas na blogosfera e o jornalismo cada santo dia.

Uma variação de (1) é o «bloco de eu sozinho», onde as autorefêrencias são disfarçadas de uma turba de Fernando Pessoagens com o mesmo autor.

O «efeito multiplicador» do site MobilizaPSDB pretende cultivar orgulho nesse papel de gastar o tempo e a paciência com mesmices. Tem bandeiras e botões: Tenho orgulho em ser multiplicador do Comitê Central do Partidão!

Um exemplo nu e cru de (1) foi a entrevista com Odemiro Fonseca, conselheiro fiscal do Instituto Millenium, no site Ordem Livre, onde o entrevistador assinado é — Odemiro Fonseca!

O jornalismo de vazamento é muitas vezes análogo a (2), como, por exemplo, o vazamento seletivo no curso de tempo de «novidades» sobre um caso que no fim das contas não tenha nem pé nem cabeça e provoca gargalhadas desdenhosas do magistrado.

Entros os erros de citação, entretanto, talvez o mais sério seria a citação de hipóteses como se fossem fatos estabelecidos, segundo meu autor.

Vimos isso, por exemplo, na matéria da revista colombiana Cambio sobre o chamado dossiê brasileiro.

Houve provas da existência e teor de deliberações sobre eventuais tentativas de contato com autoridades brasleiras que viraram contatos, ponto, na manchete e as chamadas.

Na lógica que me ensinavam em Escôcia, fala-se de falta de compromisso existencial. Ficamos no «Supondo que existisse fantasmas, o que podiamos concluir?»

if   ∃x | fantasma(x) ^ ∀x | fantasma(x) ⇒ sobrenatural(x) ...

Et cetera nhemnhemnhem.

Antipropaganda na Prática

Então, à construção em prática de nosso detector caseiro de nhemnhemnhem, inspirado no meu caso na música «Garage Band» do Clash

Out in the garage with my bullshit detector
Carbon monoxide making sure its effective …

Na prática, cruzamos a identificação e análise de comunidades de citação com o mesmo tratamento de processos de divulgação — mandando calcular o como se chama, «partição de domínio» — ou seja, procuramos o nexo autoridade-influência, no sentido estrutural.

Nhemnhemnhem esgotado por enquanto. De volta ao laboratório, Igor!

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