Notas Técnicas: Trystero na Terra do Estilo Neocon

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Eu aviso logo no começo que essa nota será chata, e que vou falar besteiras.

Vocês foram avisados.

Tenho agora uma coletânea ainda incompleta de dados sobre a rede do «estilo neocon» — a internet política bancada por filantropias e institutos de pesquisa nos EUA, no Reino Unido e na Alemanha, com ecos dessa rede na lusosfera.

Começamos com a observação de patrocínio pesado ao Instituto Millenium por muitos dos principais atores dessa rede política resumida no Liberal International — tipo um COMINTERN para quem discorda muito com o Marx e Engels.

Ora, uma vez que metáforas de futebol servem para explicar qualquer coisa, o que fizemos foi o seguinte.

Selecionamos uma amostra de interentidades representando as tendências políticas

Demos para cada um o direito de convidar qualquer número de conhecidos ao estádio Pacaembu para um São Paulo x Corinthians. Entre os convidados foram

  1. Cato, Atlas, Hoover, Mises, Adenauer, representando a direita
  2. SourceWatch e RightWatch, representando o olhar crítico a essa direita
  3. Sites ligados ao anticontinuismo brasiliero desse ano, ligados a coalizão PSDB-DEM-PP
  4. Sites ligados ao CUT

Não inclui os sites partidários do continuismo porque eu quis testar a relação entre estes e o ecosistema digital de CUT. Fiquei um pouco surpreso que sites em apoio à candidata não aparecerem na amostra obtida, além da Fundação Perseu Abramo, a fundação partidária do PT.

Assim, tanto gringos quanto paulistas foram convidados a particpar. Os convidados foram dados oo mesmo direito de convidar conhecidos à partida.

Muitas vezes, convidaram interentidades já convidadas por outras interentidades.

Continuavamos assim até chegar à capacidade do estádio — nesse caso, 400.000 interentidades, dos quais um terço mandaram dizer que não podiam assistir — quando terminamos o sorteio.

Agora, começamos a fazer um censo social da amostra. Quem foi que você convidou? Quem convidou você? Quer dizer, cada interentidade podia ter sido citado qualquer outra, assim como podia ter citada qualquer outra.

Agora,vamos medir o tamanho das torcidas, e também os espectadores sem torcida.

É mais o menos isso, só que não podemos levar em conta por enquanto o número de convites recebidas por cada interentidade. É algo como se vários integrantes da torcida sãopaulina pensavam em convidar, digamos, o prefeito da cidade, e portanto ele teria recebido cem convites. Na amostra que temos, so consta se ele fosse convidado ou não.

Achei que um bom jeito de começar, analizando esses dados com Pajek, seria tomar a diagrama «gravata borboleta» dos dados obtidos — mostrada acima.

Descartados os nós ainda não classificados — temos os 400.000 dentro do estádio, mas apenas completamos analisando 25% dos questionários — obtivemos a diagrama acima.

Optamos para expandir o componente TUBO ou TÚNEL da diagrama, note-se.

Os resultados são mais ou menos assim:

  1. IN (2) é a classificação de sites que apontam um caminho levando aos componentes de MAIN (1), mas sim caminho que leva ao componente OUT (3)
  2. OUT contém sites apontado por elementos de MAIN mas sem caminho que leva de volta ao IN
  3. MAIN e o Rodoviário Tietê, onde pode-se trocar da linha IN para a linha OUT — descendo do onibus Litorânea e subindo num de São Geraldo, digamos. O WIRE, nossa ferramenta de colheita de dados, divide o componente MAIN em vários subgrupos: MAIN_MAIN, MAIN_IN, MAIN_OUT e MAIN_NORM. Sobre isso, mais em seguida
  4. TENDRILS são ruas de mão única que vão ou voltam das avenidas de IN, como taxis levando você ao rodoviário. Não vão até Belo Horizonte, mas levam vocês até o onibus que vai até lá.
  5. TUNNELS são interessantes por oferecer uma ponte aérea entre IN e OUT, ligando lugares em Rio e Sampa dentro de um único grau de separação.

O que vemos nos dados que temos, então, é uma rede na primeira etapa de ser mapeado. De IN=140, alcançamos MAIN=410 — o maior componente completamente ligado, ou seja, desde cada nó do qual dá para chegar em cada outro nó por uma número finito de «pulos».

De MAIN=410 — um número ainda muito pequeno — temos acesso a  os 8.015=OUT destinos interestaduais, digamos, mas 90% do País está fora do alcance da malha rodoviária ainda.

Temos, então, um componente «fraco» que nós deixa viajar entre uns 11.000 cidades, uma vez que teremos que trocar de uma linha de ónibus para outra.

Eu optei para expandir o componente «túneis» ou «tubos», nesse caso — acima.

Os nós maiores são núcleos de sites definidos pelo análise «gravata de borboleta», cada um levando o nome do «representante» do grupo — que seria o nó com o menor número de série, se não me engane.

Dá para isolar, se quisermos, o componente MAIN=431 para ver se os nós tem outro fator em comum. Aqui, analisamos o número de linhas indo e vindo e separamos os nós por esse critério.

De longe, o nó com mais «influência» ou «autoridade» é o Pajamas Media, consórcio de blogueiros neoconservadores dos EUA.

Podemos também estudar os agrupamentos na periferia — mostrados acima, os mais númerosos dos menos conectados, ou «favelas» da rede.

Moradores dessa favela incluem os Jovem Democratas, o site de doações do Instituto Cato, La Nueva Política — projeto de USAID estudado em detalhe aqui recentemente — e outros, inclusive faculdades de jornalismo que formam parte do projeto Knight-Carnegie pela formação de novos jornalistas. Tem um certa coerencia ideológica.

No caso da segunda maior favela da rede, utilizamos uma diagrama que mostra o grau de ligação de sites em camadas distintas. À direita, um agrupamento com uma amostra de interentidades dos dois polos ideológicos, desde a federação sindicalista AFL-CIO e a ONG constitucionalista e anti-Federalista  ACLU  até o Atlas USA, grupos pro- e anti-Israél, e sucursais latinoamericanos do Inter Press Service —  com base na Roma mas hospedade no RACKSPACE.COM nos EUA.

Media Watch Global, do mesmo servidor, parece ser fruto do compromisso daquele pessoal do Le Monde Diplo e o Fórum Social Mundial de montar um observatório de mídia — eu estava presente quando anunciaram o projeto em 2002 na Porto Alegre.

Encanamento dos Tubos

Mas voltemos agora aos tubodutos, ou «túneis» dentro de nossa amostra.

Não sei direito explicar porque estes são «tubos» — preciso conferir os dados no wire-info-shell — mas alguns posso explicar pelo conhecimento contextual que tenho deles.

O CUT mantém laços com o AFL-CIO norteamericano, por exemplo, pelo Global Labor University, centro de treinamento internacional para sindicatos de trabalhadores. Assim, vemos duas campanhas parecidas

  1. 40 Horas Já
  2. 9 to 5

No caso do Brasil, vocês trabalhadores fazem lobby para conseguir a semana de 40 horas. Lá em casa, os operários lutam contra tentativas de ampliar a semana além das 40 horas tradicionais.

O caso de AGROECOLOGIA.INF.BR e SUSTENTAVEL.INF.BR já estudamos em detalhe. São projetos patrocinados pelo Konrad-Adenauer-Stiftung de Alemanha e seu sucursal brasileiro, ADENAUER.ORG.BR.

Mudando de ótica agora, pegamos a rede original de 400.000 nós, descartamos a terra incógnita de 300.000 sites aguardando a visita de nosso robô, e reduzimos os componentes conhecidos em grupos segundo o fator «strong components» — ou seja, grupos de sites diferenciados pelo numero de redes completamente interligados aos quais os sites pertencem.

Deixamos de reduzir um nó que nos interessa, nessa caso, o cor-de-rosa.

O peso das linhas apresenta a soma e direção líquida dos nós reduzidos. O nó #educationnext.org tem muitas citações aos integrantes do grupo representado pelo #theticclub.com — jamais ouvi falar — e bastantes aos grupos representado por #flc.org.br, #hoover.org e #zerofive.co.uk.

Focando o nó cor-de-rosa, acima.

O representante desse grupo e o CENTROPOLITICO.ORG — centro de marketing político no FIU — Florida International University.

Agora, expandemos o nó representado pelo FFN-BRASIL.ORG.BR, sucursal tropical do Friederich-Naumman-Stiftug e igreja de ortodoxia austríaca no que toca na economia. Podemos aplicar um algoritmo localmente que mostra o centro e periferia dessa subrede.

Quais são os nós mais importante? Tomando a medida de «betweenness centrality» — para quantos sites o nó serve de intermediário para fluxos de informação? — obtemos a diagrama acima.

Dentro da subrede que deixemos aberta, os intermediários mais importantes, relativo ao todo:

As iniciativas educacionais da Fundação Telefônica são onipresentes na rede obtida até agora. O site com nome em lingua persa é um sucursal do Atlas Network.

Finalmente, se queremos saber da rede egocêntrica de um nó — digamos a Juventude Democratas — dá para tomar o «k-neighbors» deste nó dentro de um ou dois graus de separação.

Quem está em posição de ser influenciada pelos DEM-PFL, e por quem, em torno, recebem influência? Tomando «in degree» e «out degree« na k-vizinhança nos fornece informações ao respeeito, ainda que parciais até agora.

Dizemos que uma interentidade fazendo referência a outra ocupa a posição de ser influenciada por esta.

Que não necessariamente refleta influencia real sabemos do fatos que no mundo real a Juventude são integrantes da rede RELIAL, e portanto é mais provável eles atuarem em concerto com outros integrantes — pelo princípio de «relational constraint». Depois eu explico.

Por quem estaria o partido, como interentidade, em posição de ser influenciaido?

Aui, acrescentei um analise de «corretagem» ao diagrama. O Blog Democratas e o FLC.ORG.BR são «guardiões de portal» relativos a outros nós que recebem fluxos de informações deles.

Anotamos também o desequilíbrio entre o peso de citação entre of FLC e afiliados como PNUD, Adenauer, e Ideias Europeias. Estes citam o instituto de pesquisa apartidário do partido múltiplas vezes, aumentado sua aparente autoridade assim.

O blog do partido  é uma «vértice de corte» uma vez que, tirado da tabela de xadrez, não haveria mais fluxos de conteúdo entre o partido e seus quadros e as fontes europeias.

E assim por diante.

Em fim, qual o equilíbrio geral de fluxos de informação entre os componentes do modelo «gravata de borboleta»?

O fluxo forte entre #hoover.org e #adenauer.org.br realmente representa o grande tamanho ainda do componente OUT (#adenauer). Muitos sites dentro do componente MAIN fazem referência a sites em OUT ainda não reciprocadas, que saibamos.

Mas deveriamos registrar também que durante a preparação dessa nota, o úmero de páginas que tiveram os laços extraídos cresceu de 3.2 mi para 8.2 milhões, dentro de um limite de 25 milhões.

Também precisamos registrar que nenhum das subredes que inspecionamos detém o tipo de coerencia que gostariamos descubrir.

Gostariamos dividir sites em inglês, alemão, e português, por exemplo, e descubrir pontes entres as três línguas. Gostariamos criar um agrupamento de filantropias, outro de agência governamentais, outro de propaganda definido como ideológico — tal como Change.org ou Liberdade.com.br, advogando ideias gerais, ou o Impostômetro e Pedagiômentro, dedicados a assuntos públicos mas tecnicamente sem pedir votos — embora o discurso político desse ano tnde a identificar o continuismo com impostos — Xô CPMF! — e o mudancismo — Zé Pedágio! — com pedágios.

De fato, vemos muitos exemplo do fenômeno notado por muitos cientistas — que as subredes tendem a reproduzir o teor e estrutura do todo. A rede é meio «fractal» nesse sentido.

Para rastrear relações de influencia e parentesco entre projetos como Accuracy in Media e Mídia Sem Máscara, teremos que levar em conta dados além dos estruturais. Nesse caso, a ansiedade de influênia (Bloom) é perfeitamente óbvio. São do mesmo gênero — o observatório do suposto  viés maoista da Grande Midia — e empregam a mesma caixa de ferramentas de sofismas.

Rezam, em fim, da mesma bíbila — o Velho Testamento de Trosky e o Novo dos teoristas de jogos da Corporação Rand.

Outras observações à toa:

  1. O tgrande amaho do grupo «tentáculos» dado tanto pelo WIRE que pela Pajek — esperamos ver estes sites mudar de componente.
  2. A diferênça entre o SCC — maior rupo completamente conectado — detecado por Pajek (431) e WIRE (735).

Reproduzo a lista de sites do componente MAIN_NORM de WIRE, que vai desde a Fundação Telefônic, a Fundação Roberto Marinho e o Alfred Herrhausen Society — filantropia sinérgica de Deutsche Bank — até DEBUNKING911.COM e CIA.BZZZ.NET, com passagens extensas pelos blogs da Casa Branca e os corredores de Harvard.

Se alguém queria contribuir dados a este estudo, podia semear uma aranhação «abrangente mas rasa»com estes sites, em Harvestman, Pavuk, Heritrix, ou que seja.

Elementos do «túnel» — a ponte aérea entre IN e OUT — com domínio .br:

http://www.observatoriosocial.org.br
http://www.diap.org.br
40horasja.cut.org.br
http://www.propostaserra.com.br
http://www.agroecologia.inf.br
http://www.sustentavel.inf.br
http://www.breakthechaincampaigndc.org
jcrs.uol.com.br
http://www.cutrs.org.br
http://www.cutro.com.br
http://www.cut-se.org.br
mais.uol.com.br
http://www.mte.gov.br
http://www.direh.fiocruz.br
publicar.mais.uol.com.br
uolvideos.blog.uol.com.br
http://www.espacoacademico.com.br
http://www.brooklynpaper.com
http://www.reporterbrasil.com.br
97po207w4w1s.album.uol.com.br
fotos.noticias.bol.uol.com.br
itodas.uol.com.br
http://www.domhelder.edu.br
viva.mulher.blog.uol.com.br
webrevolutionary.com
http://www.espada.eti.br
http://www.ipas.org.br
http://www.gazetadopovo.com.br
portal.rpc.com.br
http://www.jailbreaktheipad.com
zendold.lojcomm.com.br
http://www.omelete.com.br
tramavirtual.uol.com.br
http://www.innewmusicwetrust.com.br
http://www.battlebricks.com
bizz.abril.com.br
failblog.com.br
urbanaque.com.br
megafluxo.com.br
http://www.repolitica.com.br
http://www.gameson.com.br
http://www.maxjogosonline.com.br
http://www.administradores.com.br
chic.ig.com.br
http://www.madonnaonline.com.br
agoraquesourica.mtv.uol.com.br
msn-col.atrativa.com.br
http://www.pindavale.com.br