Blasfémias: O Estilo Neocon Português (de Portugal)

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No seu aspecto técnico, o grande desafio da minha Grande Aranhação do «estilo neocon» — frase feliz do jornalista Luis Nassif pelo jornalsimo escroto da revista Veja — é de achar os tradutores, corretores, plagiadores e herdeiros deste estilo — os pontos de contato entre um estilo de marketing político em rede na chamada Anglosfera e aquele mesmo jeito no Lusosfera, mutatis mutandis.

Na verdade, se contemplemos complexos de institutos de pesquisa como RELIAL.ORG, o Anglosfera já começou a falar Espanglês, faz tempo.

Um governo federal chefiado por um governador texano, irmão do governador de Florida — quer dizer, chefe do governo em exílio de Cuba — com um ministro de justiça em apuros chamado Gonzáles e assessores políticos que ajudaram a fraudear as eleições de 2006 no México, tudo isso consolidou a natureza Tex-Mex do movimento, institucionalziado no CENTROPOLITICO.ORG, o Centro Interamericano de (In)Gerencia Política da Florida International University.

Agora, algo que estou descubrindo enquanto passo os dados colhidos pelo liquificador de Pajek e outras ferramentas de análise é a existência de um forte estilo neocon entre blogueiros políticos de Portugal.

Um exemplo interessante que passou por meu redescópio recentemnte foi a Blasfemias.net — clone lusófono de um blog do que me lembro muito bem, agora moribundo, chamado de Heretical Ideas, um pioneiro da blogosfera neocon, 1999-2008.

Eu até lia-o com certa frequência, por ser um exemplo daquele tipo de discurso de paleoconservador anti-internacionalista que não poupava o regime Bush pela estupidez da sua gestão da Guerra no Iraque.

Este tipo de conservador estava furioso com as aventuras de Clinton no antigo Iugolávia e furioso com Bush por ter prometido a evitar projetos parecidos de «engenharia de nações». Gosto da coerencia desse tipo de conservador. Podemos conversar.

O Mito x A Merda

No outro lado, era uma fonte sem fim do que eu chamo do «discurso do tecnocalipse» — promovendo a noção que veriamos o mundo de Jornada nas Estrelas durante nossas vidas.

Acima, por exemplo, uma nota sobre um boato de que a Aeronáutica estaria perto de desenvolver um «warp drive» com o qual podiamos reduzir a viagem para Martes a apenas três dias. Eu, hein? O Pentágono gosta espalhar a impressão que tenha poderes quase ocultos, com tecnologia tirada daqueles  OVNIs.

Ontem, recebi um bom exemplo de jornalismo que póe afirmações desse tipo na devida perspectiva prática, assim como eu tentava fazer no meu velho blog, The New Market Machines — cuja palavra de ordem era «reality-test the press release».

Foi no boletim sempre bem-vindo de Teletime:

Como contraponto a um release estilo Jetsons de uma grande empresa do setor TIão, fizeram questão de apontar que «o processamento de serviços de TV paga em nuvem ainda é futuro distante».

A referência é a «computação em nuvem» — quando «a rede mesma virá o computador» pela interoperação de componentes de diversas fontes. Um belo sonho, mas a interoperabilidade ainda tem poderosos inimigos.

O Prazer de Blasfemia: Uma Memeologia

O Blasefemias, você talvez lembrará, surgiu durante um análise da rede do projeto Knight-Carnegie — ao lado da Fundação Gates e George Soros, um dos maior projetos pela formação de jornalistas em parceria com o governo estadounidense, operando pelo CIMA, do National Endowment for Democracy.

O que tenho observado nas atividades desse complexo é uma tendência de investir na polarização do debate político, com dinheiro indo para fomentar radicalismos tanto da esquerda quanto da direita. O «meme» central desse projeto é «a guerra global de idéias»

Assim, o patrocínio do projeto abrange desde o que chamo do «neocon core» de Pajamas Media até os históricos Indymedia e Democracy Now, de forte tendência esquerdista-progressista, e inclusivo o UPI, venerável agência internacional agora nas mãos do Reverendo Sun Myung Moon.

Essencialmente, como disse o jornalista veterano Bill Moyers em um discurso de 2004, «A malquice não é mais marginal».

No nome de inclusão, canais educativos como Discovery hoje em dia dão tempo igual às idéias de quem acha o Fim dos Tempos estar iminente.

Aliás, argumentam, o Galiléu era considerado herege no seu tempo. «Eppur, se muove».

Quem sabe que o Nostradamus não tivesse tido razão?

Assim, especulação metafísica e teológica reclama espaço igual ao dos resultados modestos e trabalhososos do método empírico.

Um grande promotor dessa noção, durante o regime Bush ibn Bush, foi a turba de Moonies quer eram — e ainda são — os blogueiros da CPB, responsável pelas redes públicas PBS e NPR. Media Shift continua uma fonte sem fim da mais pura merda.

O «meme» — o mito — do herege-herói tambêm continua vivo, como vemos dentro da nossa amostra de sites na ecosistema das grandes fundações de filtantropia e fábricas de agitprop e ideologia. Se encaixa bem com o heroismo celebrado nos absurdos e mal-escritos romances de Ayn Rand, aliás.

Outro exemplo: Heresy Today, domínio pontorg à venda na bolsa de domínios globais Sedo, que chega a ser nó número 33755 em nossa amostra, apesar de ainda pertencer ao componente COMPONENT_OUT — elemento cujos laços ainda estão para rastrear — e não apresentar um site configurado no endereço.

Compartilha o mesmo endereço IP com três outros sites na amostra, porém — 69.43.160.174.

Também configurado àquele endereço, AFRICANORPHANAGE.ORG — orfonato africano — tem uma extensa k-rede dentro da amostra — acima.

O Homem de Palha, Humanismo Atéu

O inimigo continua sendo aquele da Revolução Reagan, o chamado «humanismo secular» que supostamente oprima quem acredita que a física quântic já comprova o tése de «desenho inteligente» — assunto de uma capa recente da revista Superinteressante (Editora Abril), por exemplo.

O apelo ao prazer cartesiano de chamar em questão todas as velha ortodoxias — Descartes foi surfista campeão de sofismas — se encaixa bem em outros lugares comuns desse movimentarianismo, como «a força de novas ideias» e o assalto sustenido no chamado «politicamente correto».

A Banca de Blaséfemias

Primeiro, cabe observar que Blasfemias.net é o que chegamos a chamar de «bibliotecário» ou «jornaleiro» — um site que cita uma quantidade enorme de outros enquanto tem pouco laços chegando.

Apresenta um expediente com colaboradores, estatísticos, e blogs e mídia acompanhados

A distribuição do site dento do modelo «mundo pequeno» não apresenta anomalias.

Dentro da amostra, no entanto, seu grau de «popularidade» ou «prestígio» — ou seja, IN-DEGREE, o grau de citaçãoes vindo — é pequeno.

O site OrdemLivre.org é um ponte conectando os componentes fortes do Instituto Millenium aos do WordPress em português.

A domínio OUTPUT é grande demais para ser diagramado.

Possui sozinho um maior grau de laços indo do que nós reduzidos de centenares ou milhares e sites, é uma centralidade igual aos componentes representados por Twitter e WordPress.

Serve como «correto itineranter» entre 153 nós.

E lembrem-se de que o grau OUT-DEGREE do site é muito maior do que capturado dentro da nossa amostra.

Sem signficância real — teremos que testar o fato dele ter tido 7.7 mi de visitantes únicos — o site parece ser estruturado e posicionado para preencher um chamado «structural hole» — o seja, uma oportunidade de se apresentar como corretor bem-sucedido apesar da sua falta de densidade social.

Interessante é como a biblioteca — hemeretoca ou banca de revistas seria um termo melhor, talvez — divide-se entre samizdat e mídia corporativa.

Na verdade, a analogia com uma banca de revistas diz tudo ao respeito para todos nós.

Nenhum jornaleiro do mundo conseguirá vender número suficiente de cada jornalão e revistão de Europea, os EUA e América Latina cada dia e ainda poder pagar a conta de luz no fim do mês.

Segundo as leis do livre mercado, ele encomenda o que se vende. Se não, seria um negócio deficitário, senão uma filantropia — a biblioteca de J.P Morgan II foi uma das maravilhas do mundo na sua época — ou uma  biblioteca do Congresso.

Do mesmo jeito, nenhuma banca que só vende Veja, O Globo, a Folha e o Estadão — com á radio sintonizando CBN e duas televisoras, uma com Globo e a outra com Record — podia ser chamado, de boa fê, de um distribuidor de blasfémias contra o pensamento reinante.

Outrossim, nenhuma redação de cinco portugueses podia acompanhar o que  já chegou a ser 1.000 blogs, e ainda está rodando o

wget -rH www.blasfemia.net

Trata-se de um caso de «spam de motor de pesquisa», o «espamdexação».

Mas com qual finalidade? Este é um assunto do qual preciso aprender mais.

Será que esta configuração — o «latifúndio de laços» — almeja o algoritmo HITS, por exemplo?

cbrayton@maunaimahine:~/crawls$ gephi/bin/gephi*

Processar a rede dentro de seis graus hemos ….

Não consegui ver, dentro da nossa amostra, como os tributos do site aumenta seu valor na ótica de motores de pesquisa. A engenharia analítica do esquema terá que ser um dever de casa. Mas que nossa amostra é ainda muito limitado não deve ser esquecido.

Eu espero, por exemplo, que vamos ver emergir um ponto de contato entre as interentidades de Nielsen e IBOPE, um reflexo daquela pareceria e a outra entre IBOPE e o WPP, Millward Brown Brasil.

IBOPE e a Datafolha, assim como muitos sites que aparecerem logo no começo da segunda pesquisa que eu fiz — com distintos parâmetros — ainda consta como COMPONENTE INDEFINIDA, embora já marcado para furtura exploração.

Entreanto, a rede do BLOG.NIELSEN.COM é interessante por si só.

Em fim, tal como OESQUEMA, BLASFEMIAS.NT é muito provavelemente um esquema de ludibriar os motores de pesquisa de algum jeito, dando um moral desmerecido a outros sites dentro do seu «fazenda de híperlaços» fechado. Seu branding, assim como seus métodos e afiliaçõs ideológicas, são estilo neocon da velha guarda.

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