Novos Pijamados Nos Trópicos

Padrão

Nova e notável: Altamiro Borges: Governo prestigia barões da mídia, mas boicota a blogosfera | Viomundo.

… o jornalista Altamiro Borges, o Miro, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, critica o boicote do Poder Público ao 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas. “Da mesma forma como financia a Veja e a Globo — e geralmente se financiam serpentes —, o governo deve financiar um encontro de blogueiros”, cobra Miro, que é membro da Comissão Organizadora do Encontro.

Deve?

Alternativamente, os governos podiam deixar de subsidiar os barões da mídia ou qualquer outro cidadão por meios dos gastos enormes com publicidade oficial.

Já pensou que os maiores escândalos políticos do Brasil nos últimos anos todos tinham publicitários no papel central?

Se fosse eleitor brasileiro, eu renovaria minha chamada por uma CPI da Indústria Nacional de Propaganda, consolidando os vários mensalões e -dutos e caixas 2 que, fragmentados assim e aproveitado por fins partidários, somam zero.

Eu li que o governo do Distrito Federal de Arruda, por exemplo, gastou em um ano recente a maioria de um orçamento de propaganda de mais que R$200 milhões no endividado Correio Braziliense — que no mesmo ano rendeu $10 mihões, com participação de lucro para todo mundo.

Agora, esse lance do Instituto Barão de Itarare — leia-se os Sem-Mídia de Edu Guimarães e almas gêmeas como Nassif, Vianna, Azenha & Cia, admiráveis internautas novos, cada um — de promover um tipo de BloggerCon tropical me parece uma evolução bastante natural.

Está na hora de aprender a lição dos Pajamas Media — jornalistas-cidadãos que trabalham de pijama — MoveOns e Huffingtons da gringosfera.

Aquele congresso que eu e a Neuza frequentamos em 2004, na Universdidade Stanford — organizado pela turba de Harvard, USAID, Carnegie-Knight e Global Voices Online — levou a innúmeros projetos de mídias «alternativas, livres e independentes», fartamente financiados por parcerias entra a filantropia privada e o governo.

Vocês sabem minha opinião: essa agitação e propaganda toda tem tido seu valor positivo — estimulando debate político e participação democrática num país onde o voto e facultativo — mas em geral, tem sido nocivo, especialmente quando acasalhado a programa de «exportação de democracia».

Nocivo, principalmente pelo uso de dinheiro do contribuinte, mixto com subsídios disfarçacdos de doações filantrópicas de grandes interesses, para bancar testas-de-ferro infiltradas na sociedade civil.

Estas ONGs, «quase que se não fossem orquestradas» pelos outros dois setores, em muitos casos não podem ser chamadas mais de independente senão no sentido que os profissionais que labutam nos bastidores ganham bem do mecenato.

Entre os palestrantes do BloggerCon dos Sem-Mídia, por exemplo, um estrategista da agência Café Azul, segundo o programa divulgado pelo Azenha.

O Miro — falando aqui numa entrevista com Vermelho, o orgão partidário do PCdoB, onde ele consta no expediente, dando, me desculpe, uma leve impressão de autoentrevista — é um bom jornalista, mas é comunista e está pensando aqui como um comunista.

Não me leve a mal.

É um prazer poder acompanhar um comunista inteligente e visivelmente comprometido com a integridade dos fatos, livremente expondo suas ideias — eu quase não conhecia comunista de verdade até chegar aqui, a não ser meu grande amigo Bruce na Escócia em 1984 — na imprensa, e agora é minha vez de educadamente expor minhas dúvidas.

Ninguém precisa terminar contra o paredão nessa briga.

No outro lado, é verdade, tem quem argumentaria que, numa democracia jovem como a do Brasil, o peso do governo num «livre mercado de ideias» indiscutivelmente cartelizado e — eu vou dizé-lo — corrupto é importante pela construção da conciência de cidadania entre o povo.

Não tenho resposta fácil e pronta para esse lance.

Já vi tantos casos da grande mídia mentindo sobre governos — ora para favorecer os favoráveis aos seus interesses, ora para fustigar os considerados desfavoráveis.

É uma piada de mal gosto ouvir de uma revista nacional e a maior rede de jornalismo eletrónico do país a reclamação de que o governo, por meio de um ministro-jornalista defenestrado pela rede em questão, seria tentando censurá-las, cortando sua parcela do orçamento de anúncios «Um país para todos».

Estas sendo os grandes campões do livre mercado. Se fosse com o livre mercado, o Correio Braziliense seria uma ficha no arquivo nacional, ao lado da revista Manchete e o túmulo de Samuel Wainer.

Na verdade, eu não tenho o moral ou informação suficiente para dar uma opinião valiosa sobre o assunto. Só posso reconhecer sua dificuldade e complexidade.

Mas acho os projetos de Azenha e Nassif interessantes por mostrar o começo de uma aplicação de estratégia digital. Um conselho, porém: cuidado com aquela turba de Harvard, representado aqui pelo blogueiro de Eleitor2010.com — «iDemocracia pela iPhone somos nós».

14h, painel: Ameaças à internet, neutralidade na rede e questões jurídicas, com  Túlio Vianna, professor da Faculdade de Direito da UFMG (MG, Túlio Viana), Paulo Rená  (Brasília Hiperfície) e Marcel Leonardi, especialista em direito digital e professor da Escola de Direito da FGV-SP. Moderador: Diego Casaes (SP, Global Voices Online).

O Daniel Pearl — eu sempre suspeitava ele de ser pseudônimo, este sendo o nome de um jornalista assassinado do Wall Street Journal — marcará presença:

Grupo 4: Leonardo Sakamoto (SP, blog do Sakamoto) e e Daniel Pearl Bezerra (CE, Dilma 13Desabafo Brasil).

Estão começando a se integrar na rede de discurso político, introduzindo um elemento de diálogo na «câmara de eco».

Estão brigando por mais espaço no mesmo «plataforma social».

Mais existe o risco deles acabarem domesticados pelo dinheiro mole percolando pelo Esquema.

Dolar de Bill “Ião” Gates pagará vosso mingau?