Anti-Huffington: Um Desabafo

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Arianna Stassinopoulos Huffington é uma mulher surpreendente. Criadora do maior êxito do jornalismo online, o Huffington Post, apelidada de “rainha dos blogueiros” e “baronesa da mídia eletrônica”, essa ateniense radicada nos EUA declina o papel de pitonisa do jornalismo.

Paa mim, Arianna Huffington não passa de uma Mônia Veloso gregamericana.

Uma Srta. Godoy do Globo produz uma entrevista bajuladora da ex-Sra. Huffington, reproduzida no Observatório da Imprensa de hoje.

Eu estava até pensando: Com um congresso estilo BloggerCon chegando a São Paulo, aposto que ouviremos bastante da uberblogueirada comercial estadounidense na grande imprensa.

Isso proque a suposta mídia alternativa tipificado pelo HF vive num simbiose pouco saudável com o chamdo MSM — «mainstream media», os grupos midáticos cotado em bolsa –servindo-lhe de «câmara de eco».

Esse simbiose é visível também no Huffington do Brasil, PHA — o «jornalista-cidadã» mais conhecido do Brasil é veterano do Globo virado cabeça-falante do Record-R7. A alternativa às fontes comerciais de informação  e opinião são as mesmas fontes comerciais.

Na hagiografia modestamente recusada pela entrevistada, houve uma omissão  notável, porém: Como foi que a grega Arianna ganhou o aristocrático e angloamericano Huffington?

Era esposa de um candidato neoconservador ao Senado de California que, no meio da campanha, teve que confessar que era gay e retirar seu nome.

Coitado do homem que cai
nos braços d’Osanha, traidor

Arianna, uma propagandista muito visível durante a campanha, destilando o veneno de sempre,  largou o marido e descampou para o outro extremo de nosso limitado espectro ideológico, onde construi o mesmo tipo de  máquina de nova mídi —  com os fatos, regurgitados da MSM e apimentados como jornalismo de tablóide, subordinados a interesses partidários e vieses ideológicos — que ajudou a construir pela outra torcida dessa eterna Fla-Flu.

Não falta narrativas de conversão no estilo das Confissões de São Augustino nesse mundo do blogueiro-celebridade político. Dick Morris, rei da rádio neoconservadora e padroeiro de Pajamas Media,  já era cérebro político dos Clinton antes de virar o anti-Hillary.

Blinded by the Right: The Conscience of an Ex-Conservative, a confissão augustiana mais-vendida do jogador-sujo «jornalista» neocon David Brock, acaba com uma promessa que no futuro, vai jogar o mesmo jogo, só que agora no equipe certo.

Como Saulo de Tarso ou PHA, foi antingido por um raio no  meio do caminho a — aquela cidade, me escqueço —  e largou Globo-Caesar para Record-O Senhor.

O resultado tem sido uma tendenência geral a reduzir o jornalismo a uma luta livre mexicana na tradição de Carlos Lacerda e Samuel Wainer.

Pouco surpeendente, então, o «puff piece»de O Globo.

Essa brazilianização da imprensa norteamericana durante a última década, prevista pelo journalista Bill Moyers, é como se fosse a validação do Padrão Globo de Qualidade. Puxe o saco de Poder, e recebe o pagamento  de benfeitorias políticas discretamente, por MasterCard.

Nesse mundo caído de diversos graus de meretrice, o melhor que podemos fazer é praticar a forma alta — deixando a forma baixa ao submundo de samizdat que simplesmente repercute a alta, traduzindo as delicadezas implícitas em sacanagens explícitas.

Me faça casto, Senhor, só que não agora.

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