Engenho Novo: UCINET e ORA

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Um interessante produto collateral da Grande Aranhação — uma pesquisa sobre o blogosfera polítca lá e cá, para avaliar a influência do Estilo Neocon no Brasil — foi essa diagrama, acima, do Google Notícias.

Ele mostra boa parte das fontes que o serviço acompanha para produzir o noticiário robotizado dele.

Não há surpresa em descubrir alguns componentes fortemente conectados entre sim: Os grupos Globo, Terra e iG, por exemplo, e a estrutura básica de Google, da qual o agregador de notícias faz parte, naturalmente.

A rede é diagramada com ORA, sigla de Organizational Risk Assessment É uma ferramenta de orígem acadêmica — desenvolvido pela Universidade Carnegie-Mellong em 20066 — utilizada para avaliar várias fontes de ineficiência em organizaçãoes, como monopólios de informação e «buracos estruturais» isolando agentes da informação e recursos que precisam para funcionar.

Apesar de ser projetado para identificar características estruturais de redes de pessoas e recursos dentro de uma organização tradicional, também pode ser útil na identificação de «organizações em rede», eu acho.

É capaz de nos mostrar situações nas quais grupos de agentes aparentemente sem ligação se comportam como organizações, com fins e recursos compartilhados, um fluxo otimizado de informações entre todos os nós, e agentes servindo o papel de coordenador, como o IREX.ORG.

O pacote parte da premissa, bem estabelecida no estudo de redes socias, de que existem divergências entre o fluxo formal de trabalho por estruturas oficiais de organização e o funcionamento real que permite o sistema a alcançar seus fins. Ou seja: O jeitinho é universal.

Meu exemplo preferido é o estudo genético que desmente a hipótese que os machos dominantes dentro de bandos de gorilas serve o propósito de perpetuar os genes dos mais fortes.

O estudo mostrou que na verdade, os machos de menor prestígio, que tendem a ter uma solidariedade com as fêmeas sob a dominação dos brutamontes, contribuem a maioria dos genes.

Acima: Tiração mútua de sarros — literalmente — numa tropa de babuínos.

Os estudiosos cunhou o termo inspirado, «trepação sub-reptícia» — «sneaky fucking» — para descrever esse mecanismo.

Fiz alguns testes de ORA vários meses atrás mas me esbarrava sempre no problema do formato de dados.

Deve poder aceitar qualquer arquivo formatado como matriz, mas na prática trabalha melhor com o formato nativo de UCINET, pacote popular de estatístisticas pela ARS Magna — análise de redes sociais.

Este, apesar de ser comercial, tem uma versão de demostração generosa e licenças para estudantes e entidades sem fins lucrativas baratas ou até grátis. Roda bem no WINE, o emulador de Windows capaz de rodar programas de Microsoft dentro de Linux.

Até agora, consequi produzir vários arquivos no formato ##h de UCINET para análise, assim como matrizes em formato CSV no Gephi. Acho que dá para exportar redes nesse formato de Pajek também.

A qualidade de visualização — fazendo uso do bom e velho Touchgraph — é impressionante.  Dá para animar a evolução de redes sobre tempo.

Oferece várias métricas com os quais ainda não estou familiarizado, porém.

Acima, de um análise da rede de Transform Americas, um projeto raivosamente antibolivariano da rede Atlas, vemos os nós com o maior número de «laços simmelianos». Quem foi Simmel e por que tem um algoritmo homenageando-o? Baixo um monte de estudos. Parece que trata de laços mútuos juntando pelo menos três pessoas dentro de «p-cliques».

Apresente um contraste com a teoria de «buracos estruturais», que explica a coesão desses grupos de outro jeito. Segundo uma rápida leitura.

Está na hora de ler o manual. Tenho o péssimo hábito de ficar brincando com a bugiganga antes de ler cuidadosamente sobre para que serve!