(US)H(A)H(ID)I: Irmã de Yoni e Sobrinha de Tio Sam

Padrão

Eu acabo de fazer o que parecia impossível: consegui inciar um velho laptop meu — AMD x86_64 — que não podia ser iniciado por ter a tela destruida na bagagem do TAM, e o teclado danificado.

Installei Debian Lenny 64-bit e estou feliz da vida. Próximo passo: criando  um supercomputador caseiro com Xen.

Estou fazendo uma gambiarra agora, trabalhando nessa admirável máquina velha-nova — cbrayton@antineocondominio — e navegando em nossa rede sem-fio enquanto a boa e velha macunaimáquina labuta ainda na Grande Aranhação, chupando dados pela conexão Ethernet. Eu espero ter novos dados hoje.

Mas ao novo e notável.

Escevendo no Observatório da Imprensa — financiado pelo Ford Foundation — Carlos Castilho do blog Código Aberto comemora uma interentidade inovadora de Quênia, apresentado como um caso de sucesso no desenvolvimento de software social na África.

Na verdade, é uma interentidade-irmã de projetos como Eleitor2010.com e DESDECUBA.COM, presente do povo americano pela USAID e aquela turba de Harvard, como DIEGOCASAES.COM.

Castilho vive promovendo projetos desse tipo. No dia 21, por exemplo, ele escreveu,

O site Eleitor 2010 é a primeira experiência brasileira de monitoramento eleitoral praticado de forma autônoma pelos próprios eleitores. Até agora, a maior parte das denúncias está vinculada à pratica do spam eleitoral, o envio de mensagens não autorizadas pelo receptor, contendo propaganda de candidatos

Não parece ser uma experiência brasileira.

Mora em servidores dos EUA, foi montada pela Turba de Harvard, que não são eleitores brasileiros, e é tocado por uma brasileira radicada em Londres que trabalhava muito tempo na indústria de póquer online no paraíso fiscal de Gibraltar. Veja

Eu não entendo porque a USP ou outras faculdades brasileiras não podem montar projetos próprios desse tipo.

Acima, dentro de nossa amostra preliminar, a «k-vizinhança» desse projeto queniano, com a principal principal promoção do site vindo (de (1) a turba de Harvard, (2) a fundação-incubadora de «inovação social» do fundador de E-Bay, Pierre Omidyar,  e (3) projetos patrocinados pela USAID.

Eu dou fundamento a estas afirmações mais adiante, cruzando os dados da divulgação do projeto, acima.

O programa Ushahidi (testemunha em swahili, o idioma nacional do Quênia) surgiu por acaso quando a advogada e ativista dos direitos humanos Ory Okolloh tentava desesperadamente obter informações sobre a crise provocada por conflitos entre grupos políticos rivais, há dois anos e meio.

A comparação com o Eleitor2010 não  é gratúito.

O projeto do Eleitor 2010 foi criado por dois jornalistas brasileiros com base no software Ushahidi, usado recentemente em monitoramento eleitoral na Índia, México e Moçambique. Paula Goes e Diego Casaes desenvolveram o projeto com o apoio do programa Global Voices

As eleições quenianas de 2006, quando o International Republican Institute, do NED, tentava instalar um governo de oposição nos moldes da Revolução Laranja na Ucránia — o velho governo foi realmente terrível, seja dito — foram uma baderna total, com limpeza étnica de nómades por agents do governo e a oppressão pelo governo de plantão de manifestaçãoes contra um possível fraude eleitoral.

À certa altura, o IRI botou lenha na fogueira, recusando a divulgar uma pesquisa boca-de-urna que podia ter esclarecido a situação.

No fim do episódio, adotou-se a solução do governo Goulart — parlamentarismo, com o derrotado (?) candidato da oposição cor-de-laranja como primeiro-ministro.

Ela convocou amigos que entendiam de computadores e telefones celulares para procurar meios de obter informações. Ela tinha um blog que foi inundado por comentários de pessoas dando informações sobre atos de violência e assassinatos. Depois de virarem o sábado e o domingo, os amigos de Ory bolaram um sistema onde as pessoas não precisam ter acesso à Web, basta um celular, para enviar notícias.

E quem eram esses amigos?

O sucesso do Ushahidi na crise queniana foi tão grande que ele foi usado depois no terremoto do Haiti, em seguida no desastre ambiental do Golfo do México e agora é a tabua de salvação nos esforços para combater a ampliação dos incêndios em toda a Europa.

Eu não pretendo entrar nos méritos do projeto aqui.

É bem parecido ao projeto que O Globo «inovou» para colher informações de jornalistas-cidadãos com celulares durante os recentes cheios.

Veja

Eu mesmo gosto de brincar com esse tipo de «mashup», e espero montar uma demonstração no meu portal de Drupal daqui a pouco.

Era uma vez que eu até consegui montar um dos primeiros mapas interativos dos meus vizinhos de rede no defunto Hairy Eyeball — que hoje site de spam promovendo prostitutos travestis — utilizando uma versão alpha de Touchgraph! Eu, formando em poesia!

O Dito é o Não-Dito

Apenas quero dizer que os perfils do equipe do projeto, e a história do seu desenvolvimento, parecem vagos e evasivos, num estilo que eu cheguei a associar com projetos associados com GONGOS — organizações como se fossem não-governamentais orquestradas por governos.

Governos estrangeiros, nesse caso.

Omitido no perfil dado pelo jornalista do Observatório, por exemplo, é o fato da fundadora e diretora ser egresso da firma de Covington & Burling e o Departamento de Integridade Institucional do Banco Mundial, durante o reino de Wolfowitz — o homem que descolou sua namorada para chefiar integridade institucional, contrariando o princípio de antiguedade.

Se formou advogado na faculdade de direito de Harvard.

Todas as vias levam para o cafofo de Mangabeira Unger.

Mas agora estou devendo provas para fundamentar esse palpite.

Deixa-me fazer umas pesquisas e um bocado de trabalho com CMapTools.

Processando …

Na mais nova iteração do robô, entretanto, a agência Harris Interactive — contratado pela Atlas Network, aquela fábrica de institutos de pesquisa — aparece.

Aqui, ô: o primeiro passo é sempre diagramar as informações divulgadas pela organização, seguido por um cruzamento de dados para obter os dados não divulgados — os clientes de diretores que também trabalha como consultores, por exemplo, e especialmente a presença de diretorias cruzadas.

É praxe dessa turba utilizar o método «somos gente que nem a gente» para desconversar quanto à pergunta «quem paga o pão e qual as instituições que você representa ou já representava».

Costuma haver um grau de cruzamento entre as empresas de TIão patrocinadores e fornecedores de código-aberto — E-Bay, Hewlett-Packard, Cisco, Google — e a clentela dessa pessoas, que pode incluir o estabelecimento militar em muito casos.

A president do conselho da Ushahida, por exemplo, é também diretora de uma parceria entre as FFAA dos EUA e Harvard envolvendo, em parte, o uso de informaões abertas, colhidas de mídia social, como recurso de contra-desinformação na gestão de crises em estados falhos.

A firma de Covington & Burling, que doa serviços de consultoria juŕidica ao projeto, e na qual a fundadora do projeto fez estágio, é uma firma de lobby que tem clientes como Chiquita Banana — encrencado num epísodio envolvendo pagamentos a paramilitares colombianos e o contrabando de armas aos mesmos — além de IBM, o Newspaper Association of America, e a liga profissional de futebol americano, o NFL.

Especializada em arbitragem internacional na América Latina, representou Citigroup na acquisição do Banco do Chile e a reestruturação de Avantel S.A. — agora Axtel, e antigamente presidida pelo Secretario de la Hacienda mexicana, Chico Gil — além de orientar o AIG-GE Capital Latin American Infrastructure Fund na venda de uma participação em Ultrapetrol S.A.  Tudo isso segundo o site da firma, COV.COM.

Representou a coalizão de Microsoft, Yahoo, Google, eBay e Amazon.com uma campanha de lobby pela deregulação da indústria, perante o FCC  — nossa ANATEL — e o Congresso.

Representou as redes de TV NBC e CBS num caso envolvendo a reautorização de concessões de TV por satélite.

Lutou contra regras que limitariam a concentração de propriedade na mídia eletrônica, representando CBS, ABC, NBC, e a Associação Nacional de Emissoras.

A presença de Ethan Zuckerman do Centro Berkman, veterano de ONGs-laranjas como Geekcorps e International Executive Service Corps — ambos financiados pela USAID e portanto o contribuinte — fala para si.

Diagnóstico geral: O Ushahidi é um projeto queniano na mesma medida que a rumba é patrimônio cultural do Brasil.

Mais mais tarde.

Mais Tarde, de Tarde

Um bocado de pesquisa começa a preencher as lacunas de sempre na divulgação dos integrantes do projeto Ushahidi.

Integrantes do conselho e equipe executivo são pesquisadores do projeto conjunto da Harvard e o Exército, subsidiado por uma organização presidida pela esposa da rede Omidyar.

Relatórios financeiros inexistem.

Divulgação mais completa ás vezes se desenterra nos sites pessoais dos executivos e conselheiros, e ainda assim, por exemplo, o dono da consultoria Zungu — empresa não divulgado pelo site de Ushahidi — omite os nomes de empregadores e clientes anteriores.

No iRevolution e Early Warning, o executivo conta sua carreira como consultor do ONU, OECD, NATO e outras organizações governamentais e multilaterais de natureza militar.

Tem possíveis ligações de advogado e cliente entre Covington & Burling e vários patrocinadores representado em vários conselhos, com um grau não muito surpreendente de entrecruzamento de diretorias, fato que por enquanto ficará no caderno de papel à minha mão esquerda, por conta de preguiça.

Ora, é muito trabalho para um domingo sem ir ao parque.

Eu fecho com um documento nótavel produzido pelo projeto Exército-Harvard, no qual a montgem de ONGs de monitoreamento, utilizando a rede social, aparece como um objetivo possível do sistema projetado — detalhes sobre os componentes de informações são vagos — com dinheiro do setor privado e apoio técnico por quadros de empreteiras de TI do Pentágono.

O relatório leva o endossamento do Gen. Zinni, ex-CINC — comandante em chefe — do Southern Command.

Ao lado da cooperação formal  recém-anunciada entre as FFAA e a USAID, há vários indícios da Ushahidi ser exatamente este tipo de projeto militar sub-reptício.

E apesar das decenas de ONGs anti-genocídio associados com a Sra. eBay, os EUA ainda não tem conseguidos prevenir um único episódio de limpeza étnica.

Alías, o NewsGator parece ser o agregador de nóticias oficial de Hillary e Foggy Bottom — nossa diplomacia — hoje em dia.

O documento está se mostrando difícil a baixar …

Vou tentar uma sessão «incógnito» no navegador Chrome.

Até agora, nada.

Dinheiro de contribuinte paga e o Harvard não disponibiliza, embora eu consigo uma cópia de uma versão anterior de outra fonte.

Subo quando der tempo. É muito pentagonês, uma verdadeira agonia.

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