Buemba! Enésimo instituto é criado para defender liberdade de imprensa e de expressão no país

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Entia non multiplicanda

Atualização 17 janeiro 2011: Até agora, sem sinais do dito Instituto, pelo menos como uma interentidade.

Instituto é criado para defender liberdade de imprensa e de expressão no país:  Buemba! Buemba! outro instituto estabelecido para defender as mesmas políticas pública que o anterior.

É como se todos os jogadores de São Paulo foram jogar em Grêmio de Terezinha enquanto continuavam jogando no Morumbi.

Nova e notável e requentada pelo Portal Imprensa como base em  uma reportagem da FSP — que tem tudo para ser uma mera cola-plágio do «release»:

A Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner), a Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) criaram o Instituto Palavra Aberta, que tem como objetivo defender a liberdade de imprensa e de expressão no país.

Ou melhor, tem como objetivo combater a regulamentação de «expressão comercial», onde entram, segundo alguns, questões contratuais como, «você prometeu sara minha careca, eu pageui cem pau, e ainda estou chamado de “bola de esnuca” pela rapaziada» …

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o Palavra Aberta tem como princípio combater decisões do poder Judiciário e propostas do Legislativo e Executivo que possam cercear a livre expressão, incluindo regulamentações para o setor “comercial, de empreendimento e de iniciativa”.

Quer dizer: é um grupo de lobby.

Em junho deste ano, o mercado de publicidade havia sofrido restrições da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quanto ao conteúdo de propagandas de alimentos e bebidas industrializados.

Eu jamais cheguei a entender as complexidades jurídicas e constitucionais do epísodio, mas fiquei suprendido — cada dia em Samboja traz suas surpresas — com o argumento que uma agência de saude pública não teria competência para fiscalizar mensagens comerciais sobre remédios populares.

Tem paises africanos onde o governo nega a causalidade enter a HIV e AIDS. Spam de Viagra faz 90% do trafêgo de correio eletrônico mundial. Se eu transe com alguem com HIV e depois com outras, existe um interesse público em cortando a cadeia de transmissão.

O Instituto assinou um manifesto contra a resolução da Anvisa, afirmando que a agência “exorbita sua competência ao legislar sobre propaganda comercial”. A Advocacia-Geral da União acabou recomendando a suspensão das restrições aos anúncios.

Em tempo, de quem foi a iniciativa de enfeitar o lado avesso do maço de cigarros com ratos e baratas mortas, o coto de amputados, e tristes meninas ao lado do leito do morte do seu pai?

A não falar na famosa imagem que sugere que tabagismo faz a gente brochar, minha campanha preferida de longe. Vocês são mesmos bons de propaganda, Ô Índios Tupy.

Nos EUA, é o Cirurgião-Geral, do Executivo, que manda pôr os avisos, com o apoio do DHHS (Sãude) e Justíça, querelante de sempre contra os impérios de tabaco. Anúncios de remédios sem receita são controlados em conjunto pela FCC e autoridades de saude, para evitar afirmações enganosas.

Trabalhei uma vez num mega-projeto de tradução de propaganda desse tipo, preparando o lançamento europeu do produto. Ora, a OAB deveria apoiar forte regulamentação por caralho.

O tempo que se desperdiça avaliando um anúncio simples de trinta segundos — do pato-karate da privada, meu preferido de todos os tempos, digamos — e cobrado a centenas por hora é extraordinário.

Uma nota do site da APP de Ribeirão Preto destaca-se por não plagiar a entrevista e release oficial por inteiro, como as centenas de outros veículos de comunicação sobre comunicação que há. Tem mais comunicações sobre comunicações que tem de comunicações sobre a coisa pública. Mais nóticias sobre o que o Duda Mendonça descubriu em umbigo próprio do que sobre o trânsito de hoje.

Traz valiosa informação técnica, por exemplo, sobre quem fará o trabalho.

Para desenvolver conteúdo que sustente a defesa do mercado diante dos inúmeros projetos de lei, o novo instituto já fechou parcerias com a consultoria Tendências e com a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) para a realização de pesquisas. O primeiro trabalho, que o Tendências deve concluir em setembro, mostrará os impactos econômicos que as restrições têm em toda a cadeia produtiva do mercado de comunicação. Um dos exemplos citados é a proibição de publicidade para mamadeiras e chupetas, baseada na suposição de que ela teria o efeito de desestimular a amamentação. “É um absurdo atribuir à publicidade esse tipo de responsabilidade”, ilustra Patrícia.

Entre os clientes de Tendências:

Ou seja, os maiores grupos de mídia e os maiores anunciantes.

Cada vez que defesores da autoregulamentação de propaganda abrem o bico, é para dizer, «nós não somos responsáveis, e não podemos ser responsibilizados». Sempre deixa um impressão de incoerência. Para que deixar a responsbilidade nas mão de quem se diz irresponsável, em princípio e na letra morta da lei.

Era uma vez nos EUA quando uma marca de cigarros jactava-se do factóide de que 9 de 10 médicos recomendava os Laramies ou Lucky Strikes ou que seja. Charlatanismo foi promulgado na hora nobre para explicar como o tabagismo fazia bem para você. O caso é folklórico. Deu em CPI. Nos anos 1950s.

Não é de estranhar, portanto, que, diferentemente de pesquisas verdadeiras, os estudos a serem feitos terão o objetivo de comprovar um preconceito preconcebido. Já sabemos dos resultados, antes de começar.

O objetivo dos estudos e seminários que serão promovidos pelo Palavra Aberta será justamente o de esclarecer que a simples proibição da publicidade não traz os resultados imaginados.

Assim é que «institutos de pesquisa» como Cato encomendam pesquisas negando tabagismo ser um vício ou aquecimento global ser um efeito da queimada de hidrocarbonos.

Havia quem recebia para jurar que crianças nascidas sem braços e pernas não foram um efeito do uso talidomida durante o gravidez .

Tecnicamente, chama-se de petitio principii, ou seja, assumindo a hipótese a ser testada.

O que se monta aqui é uma fábrica de falácias. O momento apropriado para anunciar o resultado de pesquisas empíricas é após a execução das mesmas — se comprovarem a tese desejada ou não.

“Nada substitui a educação, missão na qual a boa publicidade sempre foi aliada”, diz Patrícia, citando o exemplo da autorregulamentação do mercado liderada pelo Conar nos últimos 30 anos.

Os padrões aplicados pelo Conar são frouxos em comparação com outros cantos do mundo desenvolvido, segundo meus trinta minutos no Google alguns meses atrás.

Além dos projetos de lei, também fazem parte do rol de preocupações da entidade as propostas aprovadas durante a Conferência Nacional de Comunicação 2009, que sugerem controle social dos meios de comunicação; e as de natureza semelhante defendidas na Conferência Nacional de Cultura, realizada em março.

Vão buscar moralizar essas pesquisas alugando o prestigio dos meios acadêmicos — objeto de escândalos sem fim nos últimos anos lá em casa.

Puxa, as cadeiras na faculdade de gestão empresarial de Harvard levam os nomes de determinadas empresas, como se o corpo docente fosse uma frota de carros F1.

E se eu ganho uma calorosa recomendação do Professor Nokia de Mídia e Marketing e depois pretendo trabalhar no Samsung ou Motorola?

Parte desse trabalho será feita pelo permanente monitoramento de tendências nacionais e internacionais referentes ao tema, além de interação com o meio acadêmico através da promoção de pesquisas e até concursos de monografias. O instituto terá Evandro Guimarães (Abert) como presidente de um conselho formando por Antonio Athayde (ANJ), Daniel Pimentel Slaviero (Abert), Judith Brito (ANJ), Luiz Lara (Abap), Paulo Tonet Camargo (Abert), Roberto Muylaert (Aner) e Sidnei Basile (Aner) como membros da diretoria.

Donde virá o dinheiro?

O Observatório Permanente associado com uma rede internacional de obervatórios de «tendências» — e por isso que chamamos «pesquisa» desse tipo de tendenciosas — é um elemento essencial do modelo PROMEDIA praticado pela USAID.

É assim que funciona IREX, por exemplo — instituto, ou «clearinghouse», internacional agregando informações sobre políticas públicas recomendadas pelo Consenso de Washington no setor de mídia e propaganda.

Tem tantos outros exemplos, como por exemplo tantos projetos parecidos sobre propriedade intelectual.

Deixa ver se eu consigo fazer uma lista com dados da minha Grande Aranhação do Estilo Neocon — do qual este blitz de propaganda sobre a fundação de uma fábrica de noções preconcebidas é um exemplo clássico.

Oir enquanto, uma ONG que tem logotipo — ou pode ser dois logotipos — mas apenas existe na forma de um release multiplicado n vezes.