New Yorker: O Kochtópode e o Estilo Anarco-Mercantilista

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Normalmente eu não leio o Google Notícias após entrar minha senha e ativar minha conta de Google.

Tem algo estranho acontecendo com o site: Quando eu fico loginado, presume que sou gringo que gostaria de ler as notícias em inglês.

Ora, eu ia buscar notícias num site pontobr se eu não quisesse saber algo do Brasil, na língua dela?

Quando saio da minha conta, porém, o site ainda apresenta uma versão de NEWS.GOOGLE.COM.BR que me redireciona ao mesmo noticiário em inglês.

Tenho que podar parte do URL para finalmente ler a colheita do dia da imprensa brasileira.

Agora, porém, compartilho uma planilha no Google Docs que nós ajuda a coordenar nosso trabalho. Acessando este documento me força a loginar, e portanto fico sabendo do mundo para inglês ver se eu quiser ou não.

Foi assim que eu cruzei com este artigo da revista The New Yorker, a Piauí iánqui:  The billionaire Koch brothers’ war against Obama, ou seja, a guerra de dois irmãos gazilionários Koch contra o presidente Democrata do mundo livre.

Jane Mayer caracteriza David e Charles Koch assim, em minha tradução rápida:

Os irmãos são libertários de longa data que acreditam na redução drástica de impostos sobre pessoas físicas e jurídicas, uma rede de segurança social mínima pelos necessitados, e muito menos fiscalização de grandes empresas — especialmente na aŕea do meio-ambiente. Essas opiniões se encaixam com os interesses empresariais dos dois. Em um estudo lançado na primavera desse anto, o Instituto de Economia Política da Universidade de Masschusetts, Amherst identificou a empresa, Koch Industries, como um dos dez piores poluidores nos EUA. Entretanto, o Greenpeace divulgou um relatório chamando a empresa de «elemento chave na negação de ciência sobre mudanças climáticas». O relatório mostrou que entre 2005 e 2008, os irmãos ganhou com folga do petroleiro ExxonMobil em doações a organizações que se opõem a legislação sobre mudanças climáticas, subsidiando uma grande rede de fundações, institutos de pesquisa, e grupos testas-de-ferro. De fato, os Koch têm financiados campanhas contras tantas políticas públicas do governo Obama, desde a reforma de seguro-saúde até o pacote de estímulo econômico, que dentro de círculos da elite política suas redes ideológicas ganharam o nome do Kochtópode.

Na próxima cena, visitamos um evento chamado de Texanos, Defendam o Sonho Americano, um treinamento para integrantes do movimento Tea Party — nome que vem de uma manifestação histórica contra impostos do El-Rei sobre o chá vendido aos coloniais do Século XVIII.

Alguns 500 assistiram a cúpula, que em parte foi um treinamento para ativistas do movimento Tea Party no estado de Texas. Propaganda descrevia o evento como uma rebelião popular contra o poder de grandes corporações. “Hoje em dia, as vozes de cidadãos comuns não são ouvidas por causa dos lobbies e interesses,” diz o anúncio. “Mas você pode reagir”. O anúncio deixou de divulgar seu patrocínio corporativo.

A animadora da torcida durante o evento foi uma executiva de Koch posando como gente que nem a gente.

Os irmãos são amigos íntimos de Mort Zuckerman, dono da editora que produz o New York Daily News e a semanária US News & World Report, além de ser magnato de imóveis em Manhattan. Zuckerman já serviu no conselho de empresários que aconselham o Pentágono.

Um dever de casa para hoje, portanto, seria identificar elementos deste kochtópode para ver onde cabem dentro da nossa Grande Aranhação.

Como sempre, começo com uma visita a SourceWatch.org, a inspiração para este projeto, seguindo a dica da repórter de que um grupo principal financiado pelos Koch é Americans for Prosperity — gringos que vêm com bons olhos a perspectiva de não ser pobres.

Na verdade, me considero um voluntário do projeto SourceWatch, embora no passado não consegui interessar os reponsáveis numa tentativa de aumentar a cobertura de assuntos internacionais.

Processando …

Nessa fase, o site AMERICANSFORPROSPERITY.COM ainda está isolado, suas conexões ainda para ser descobertas numa segunda rodada.

No site, porém, segundo SourceWatch, se diz parceiro do Heartland Institute e o TOWNHALL.COM, além do responsável de uma campanha contra a reforma de saúde chamada de Patients United Now — PUN, ou seja, «trocadilho». Hein?

Também destaca sua parceria com o Internet Freedom Coalition, um grupo guarda-chuva administrado pelo Institute for Liberty. Este recusa a divulgar as fontes do seu financiamento, segundo SourceWatch.

Tem o mesmo número de telefone de monte de outros grupos. Mantendo o instituto, que não passa um site bem profissional hospedando conteúdo sindicado de outros sites parecidos e uma longa lista de laços aos «parceiros» custa um mero $80 mil por ano.

Podiamos também começar com TownHall, um núcelo importante de ativismo que evoca a democracia direta e participativa de uma pequena cidade, na forma de reuniões da cidadania com o governo. Algo como o orçamento participativo de Porto Alegre.

Com essa terceira iteração da Grande Aranhação, feita em nova plataforma chamado do antineocondominio@spo.virtua.com.br, finalmente conseguimos dados sobre ambos:

Dentro de nossa amostra de 600 mil sites e e 8.4 milhões de páginas conhecidos, os norteamericanos opostos à pobreza tem IN DEGREE — número de laços indo — de 43 e OUT DEGREE de 3.

Tem perfil que eu gosto de chamar de O Profeta, o O Âncora. Ele não ouve ninguem mas é ouvido por todos.

Em comparação temos O Jornaleiro ou Bibliotecário, que tem alto OUT DEGREE com IN DEGREE = 0 < n < 1. Ele agrega tudo mais não tem leitores. Esse perfil é típico de alguns sites de «spamdexação» — sites nebulosos cujo raison d’être é influenciar o cálculo da influência de sites-clientes, enganando o algoritmo que determina a prioridade dado ao site-alvo pelo motor de pesquisa.

Tem alguns 130 sites de Tea Party dentro da amostra, organizados em cidades de meio-porte fora dos grandes centros metropolitanos.

Estou no meio de extrair e processar os dados que nos permitirão a diagramar a rede:

wire-info-extract --sitelinks

Depois,, e vou rodar mais 47 iterações e chamar isso do banco de dados definitivo.

Tenho outro projetos para meu intrépido robô Trystero, construindo retratos de vários setores industriais — informação que me ajudará no meu trabalho que é trabalho, o trabalho que paga o IPTU e os charutos, a não falar nas toneladas de ração de gato.

Aqui ô: uma visão da rede dos gringos contra a execução da sua hipoteca.

Reduzimos os outros núcleos fortes para isolar os vizinhos dentre de um grau de separação da interentidade. O tamanho relativo do nó representa «autoridade» segundo o modelo HITS.

Aqui, as camadas representam grau de separação. O entrecruzamento de citações entre o Instituto Cato e os AFP é notável.

Uma visão segundo o modelo Fruchterman-Rheingold mostra um circúito parcial da rede inteira. Precisamos de mais dados. No momento, o robô está na zona de baixa meretrice, numa nuvem de domínios obscenos –digite  XTREMEPAGEFUCKER.COM e veja qual site aparece — e sites de pornô que agradariam o pornologista político Arnaldo Jabor …

O Instituto Cato domina esse núcleo e forma laços recíprocos com interentidades como OrdemLivre.org e o Instituto Liberal.

Townhall.com faz parte do núcleo.

Tomamos agora a «k-vizinhança« de Townhall.com para ver a importância de Americans for Prosperity dentro dela.

The Hill, Cato, Newsbusters — prototipo de Mídia sem Máscara — Atlas, Pajamas Media, Right-Wing News, todos giram em torno do consultor político e cabeça-falante de Rupert Murdoch, Dick Morris — vitorioso com Clinton em 1994 e general de divisão do antiobamismo-hilarismo hoje em dia.

O domínio Look at the Left sugere uma tentativa de montar uma resposta ao Right Watch, observatório da extrema direita e sua organização. Tem o mesmo equilíbrio entre Accuracy in Media — a mídia tem viés esquerdista! — e FAIR — a mídia é fascista!

Na verdade, nunca li, e portanto não falo mal do projecto antes de avaliar seu conteúdo. Eu acho possível e necessário fazer uma critica isenta do estabelecimento em poder agora também.

Não pode-se deixar a selvageria, a idiotice e a forete tendência à desinformação e boataria da oposição radical isentar o poder de críticas sensatas– assim como no Brasil o PT em poder tem sido longe de ser o salvador da pátria, embora tem tido realizações importantes do qual o eleitorado fica sabendo apesar da grande mídia.

Howard Dean e Ariana Huffington brincam do mesmo jogo, aliás.  Num duopólio Fla-Flu, Republicano-Democrata, ou Globo-Record, os dois polos tendem a concentrar poder nas mãos de blocos minoritários e radicalizados, que praticam a comunicação social de pânico moral.

Tem mais em comum entre si do que com os copartidários, muitas vezes — com o Centrão que a mídia cada vez mais sensacionalista estudiosamente ignora quando não estiver tentando matá-lo de susto.

Um voto é marcado na Cãmara sobre o fim da guerra em Afeganistão. O debate é disponível ao vivo no C-SPAN. É um assunto de vida e morte e um teste do equilíbrio de forças entre o militarismo e o obamismo, que mandou fechar Guantánamo durante o primeiro dia no governo.

A manchete do dia: determinado figurão do outro partidão é gay!

Metros e metros de discursos anti-gay e pró-família do cara. Uai.

Agora estou olhando o Look at the Left. Ah, não, apesar do domínio imponente .com, não passa de mais um exemplo de samizdat raivosamente islamofóbico.

O grande assunto é a proposta de construir um centro islámico perto do local das Torres Gêmeas — destruidas por hashshashin fanâticos de um seito que, como acontece, é a religião de estado do melhor aliado dos EUA na Guerra Contra Aquela Emoção Difusa, Arábia Saudita.

Dias desses eu conto a história de mais uma pauta que não consegui vender sobre a força dada por um congressista Republicano à comunidade islámica, ajudando-os a começar a equilibrar o enorme poder do lobby pró-Israel, certo ou errado.

Eu até tenho aqui na minha mesa uma bíblia traduzida no estilo poético do Korão, presente de um amigo missionário. É linda, assim como é o Korão. Sendo historiador das Idades Médias, eu sou um daqueles traidores que acham nossa civilização, não simplesmente judia-cristão, mas judia-cristão-musulmana.

Sem os árabes, a gente teria perdido o Aristóteles, por exemplo. Aliás, a moralidade do meu vizinho não é tão estranha assim. A ironia foi como o cidadãos musulmanos votaram em Bush em 2000, em bloco, como o imam urgia.

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