Reductio ad Catonem: Perfurações de Teste no Disco /media/nhemnhemnhem

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Ceci N’est Pas um Folhetim de Candidato

Chega com o correio: o que parece ser mais uma revista de circulação grátis como tantas outras.

O título esbanja civismo: VIVE SÂO PAULO.

Na capa, um filhote de Golden Retriever que não podia ser mais fofo.

A matéria em destaque: O código federal de proteção aos animais.

A interesse da minha mulher é garantida.

Ele sempre mantinha uma cachorrada que passeava aqui na praça, com tantos outros vizinhos. Temos um adesivo no Esputnicão — nosso novo carro, maior do velho Esputniquim — chamando as pessoas de ter pena do sofrimento de animais. Eu insisto em acrescentar paralamas levando o retrato de Yosemite Sam, tipo «su você puder ler isso, está perto demais a minha bunda!»

Abre-se a revista, porém, e verás que na verdade não passa do embrulho de mais um folhetim de candidato.

A chapa se compõe de 45700 Fernando Capez, querendo virar deputado estadual, e 4565, Tripoli, aspirante à Câmara Federal com o endossamento caloroso do Grande Gabeira.

Todos os santinhos levam o retrato de um cachorro fofo. Nós somos o partido pró-fofice! Aqueles outros não passam de um bando de churrasqueiros koreanos! Eu, hein?

É um golpe de marketing enganoso — e mal-calculado, no meu ver.

Somos um bando de profissionais com ensino superior exagerado nessa vizinhança: eu, o eterno doutorando; a vizinha, a arquiteta boa que projetou minha sala de trabalho, e fundadora do PT; minha mulher, da mesma turma do Cásper Líbero de Bonner; o vizinho, fotógrafo e artista plástica; a outra vizinha, contadora e gerente de banco.  A vizinha assassinada no estilo da esquadrão de morte no ano passado era psicóloga.

Entendemos de ironias, por sermos paulistas.

Por isso, a brincadeira chega a ser insultuosa, a enganação um apelo infantil a um sentimentalismo que o Zeitgeist dessa cidade impede de vingar por muito tempo.

Demite aquele gênio de marketing o quanto antes!

Pode ser verdade que um apelo verde funcione bem entre essa turma do bairro — minha mulher, petista crónica, passou umas horas de dúvida agonizante sobre a opção Marina — mas reduzindo um ambientalismo sério ao sentimentalismo que temos para nossos bichos de estimação reflete mal na seriedade do candidato.

Pena que não tenho máquina fotográfica comigo para documentar tudo.

Talvez eu pego da patroa depois. É de um breguice inacreditável.

Entretanto, na Mesa de Trabalho

Entretanto, na mesa de trabalho …

É uma hipótese forte da análise de redes sociais de que a macroestrutura de uma rede muitas vezes é — estasticamente tende fortemente a ser — um reflexo da sua microestrutura dominante. Ou seria o contrário?

Vamos levar a hipótese em mente enquanto detalhamos os passos pelos quais chegamos a macroestrutura mostrada acima: um triângulo de laços recíprocos entre, grandes núcleos fortemete conectados internalmente e representados pelo Konrad-Adenaeur-Stiftung, o Instituto Cato, e a Rede Atlas de Pesquisa Econômica — estes dois com uma parceria anunciada no começo deste ano.

No meio, um COMPONENT_ISLAND, uma ilha, de sindicalismo institucional.

Parece que a parceria Kennedy-Adenauer sobreviveu o ocaso do muro, assim como seu filho natural, o Realpolitik de Henry Kissinger — ainda com uma cadeira confortável e fora do alcance do magistrado espanhol Garzón na Escola Kennedy de Assuntos Internacionais.

Este foi o resultado de uma cirurgia exploratória que eu fiz com Pajek, ferramenta de análise de redes, com dados recolhidos por meu robô.

Explico.

O Estado da Aranhção

Transferi minha Grande Aranhação a outro disco de 250 giga, controlado por outra máquina agora, uma Acer AMD64 que consegui consertar e configurar com Debian 5 versão 64-bit.

Completamos 57 iterações de um planejado 2*47 = 94 — por razões esotéricas envolvendo os trotes que sofri na faculdade, o número 47 possuindo um sentido meio místico.

No momento, temos conhecimento de 668 mil URLs únicos e 8.8 milhões de páginas.

Começamos com uma amostra de «sementes» calculadas, durante estudos preliminares, a expor as redes póliticas desse ano eleitoral no Brasil e suas ligações com uma indústria de «exportação de democracia« europeia-estadounidense.

O assunto tem interesse intrínseco, como uma exploração focada em determinado assunto, assim como interesse geral, uma vez que as técnicas mais avançadas de propaganda em rede costumam ser aplicadas por campanhas políticas tal com por lobbies e doadores organizados as ditas campanhas.

Já detectamos uns 700 «p-cliques» fortes nessa rede, a maioria componentes de apenas dois nós.

O maior componente desse tipo tem alguns 58.000 nós fortemente conectados entre si, representado pelo semente CENTROPOLITICO.ORG.

O segundo, com 40.000 nós dando sinais de uma coesão muito além da aleatória é representado por CATO.ORG.

O terceiro, com 1.289 nós, é representado pela semente ADS.ORG.BR, um instituo de pesquisa dentro da rede do Cental Único de Trabalhadores, a rede da qual também serviu de semente.

Uma vez que começamos com o que esperamos fosse uma lista equilibrada de sementes — DILMA13.COM.BR ao lado dos vários CiberSerras, por exemplo — parece que possamos concluir que o mudancismo está muito mais em evidência na Internet.

Também faz sentido concluir que o continuismo-sindicalismo só começa a dar alguns passos nest sentido — como seu patrocínio ao recente congresso de blogueiros progressistas em São Paulo, por exemplo.

Um corolário a este último ponto: o risco de uma colmeia de «blogs sujo» tomar conta da Internet é muito pequendo, extrapolando dos meus dados.

A Autopsia de uma Rede

Dizem que o Brasil não é para principiantes — concordo! — mas eu ainda estou principiante nesse análise de redes sociais, e portanto tento deixar anotações de passos executados enquanto surfo a onda de dados agora disponíveis.

Como sabe-se que o análise da rede produzida por estas sementes não seja o produto de uma caixa-preta que simplesmente soma as sementes com 0, produzindo como resultado o equilíbrio preconcebido original?

Bem, o desequilíbrio entre as estruturas detectadas nos arredores da Ciberdilma e o Híperserra é um resultado significativo.

Também temos o fator de mídia social de levar em conta.

Assim como o velho quadro de distribuição dos centrais de telefonia, estes sites fazem conexões ligando tudo mundo a todo mundo.

Como sabemos que as ligações que percebimos não sejam artefatos deste efeito? Eu sou ligado a Aluizio Amorim, ur-blogueiro de Ternuma, por ter ele como amigo de Facebook, por exemplo. Atuamos em concerto? Acho que não. «Amigo » é apenas uma metáfora.

Agora, eu estava olhando a «vizinhança« da Fundação Getúlio Vargas — especificamente seu Centro para Tecnologia e Sociedade, sócio de longa data com o Centro Berkman de Harvard e o projeto Creative Commons de Stanford — e cheguei a tentar responder essa dúvida.

Acima, já tive tirado os nós representando os «quadros de distribuição» — é assim que meu dicionário traduz «switchboard» — mais poderosos, Facebook e Twitter, dessa vizinança.

Vamos ver agora se tirando a grandes agregadores de multimídia — YouTube, Vimeo — e o encolhedor de endereços TinyUrl.com tem efeito sobre a distribuição de autoridade e a coesão desta vizinhança.

A Interentidade Sine Qua Non

O metódo básico é de tirar nós de uma rede coesa até esta perder a coesão, fragmentando-se em núcleos menores.

Acima, a vista original da rede, com a livraria Amazon, o Facebook, o Twitter, o núcleo Boston.com — leia-se o Times-Mirror Group, dono de ABOUT.COM e o New York Times — e a plataforma WordPress pesando pesados.

O EFF é a ONG libertária presidida por Ethan Zuckermann, homem internacional de mistério e eminência parda do Berkman Center de Harvard e suas várias emanações e reincarnações.

Trabalha muito com o Instituto Cato.

Um exemplo mais claro é a redução acíclica da rede RELIAL.ORG — organizado pelo Alejandro Chafuen da rede Atlas.

Aqui, sem o componente CATO.

Aqui, com o componente CATO.

A hierarquia do componente Cato:

A composição do elemento CATO:

Nesse formato, o primeiro endereço é a fonte e a segundo, o alvo do laço.

Centralidade e Autoridade

Outro caveat muito importante a ser lembrado aqui é que a posição do HUB — o site relativamente mais conectado — não é a mesma coisa que uma AUTORIDADE — esta a qualidade de sites conectados com o maior número de outros sites bem-conectados, relativo ao todo.

Aqui, a preponderância do Instituto Cato na vizinhança da FGV é marcante, após a remoção de amplificadoras da plataforma social. Funciona aqui como HUB — como central de telefonia, digamos.

Sua autoridade, nem tanto.

Assim, tirando o efeito da Plataforma Social aumenta a importância do CATO.ORG como central de telefonia, mas reduz sua aparente autoridade a uma igualdade com todos os outros nós.

Nessa perspectiva, a autoridade é distribuida igualmente a todas as interentidades da vizinhança.

Embaixo, porém, removidos todos os componentes da máquina de lavagem de conteúdo, novas centralidades aparecem — essa vez medida por «betweenness centrality», a soma simples de dutos saindo e chegando, divido pelo total de «entridade» na rede.

Dentro dessa perspectiva, uma tentação existe de concluir que o nó representando pela semente FGV.BR é dominado por elementos da mídia neoconservadora norteamericana institucionalizada.

O SLATE.COM, com linha editorial mais «progressista» — é lá que se encontra o Doonesebury, HQ «liberal» que vem desde os anos 1970s — parece exceção. Lembre-se, porém, de que a revista online SLATE é a voz cultural de Microsoft, pela qual é subsidiada para concorrer com SALON, revista eletrônica pioneira que surgiu do WELL de Berkeley nos anos noventa.

Cabe observar que a FGV ganha em centralidade nessa perspectiva — provalmente pela parceria com Creative Commons, do sucursal Tupy do qual o presidente do CTS, Ronaldo Lemos, 17 anos, é — ainda! — também! — presidente.

O CC, aliás, também produz o efeito «lavagem social» pelo grande número de sites que ligam aos seus contratos de direitos autorais em rede, hospedados nos servidores CC.

Nota bene: o presente site não liga nem lixa para o CC.

Me plagies e acabáras no nono círculo do inferno com les faux monnayeurs.

Hierarqúias Emergentes

E agora?

Sabe de uma coisa?

Entre a primeira aranhação, na qual o robô chegou cedo ao site do tucano magnato de e-comércio, assim como à nuvem de samizdat digital rodeando o Instituto Millenium, estes tendiam a sumir no fundo de barulho cósmico em iterações mais novas.

«Drilldown»: Pouços de Teste

Passei a maioria do tempo ontem ensaiando várias reduções dessa e outras redes.

Acima, um análise mais sofisticado provocoado pela deteção de um componente forte de sites de campanha política dentro da vizinhança com que começamos.

Deixa ver se ainda consigo explicar como cheguei lá.

Vou cair em gerigonça aqui, me desculpe.

Fiz uma redução acíclica-simétrica da rede original, e tirei os maiores componentes da lavandaria social.

As mesmas autoridades dominam que originalmente, me parece, mas agora surgem alguns novos componentes fortes, isolados na perifería da rede. A Fundação Telefônicia, por exemplo, no canto superior, à direita, ilhada, e o triângulo tipo 210U dos múltiplicados Josés Serra, no canto superior, à esquerda.

A campanha do Serra, porpem, não pode ser dito integral ao núcleo, que é mais para um reflexo das multitudinárias parcerias FGV-Harvard.

A FGV se encontra dentro da hierarquia representado, nominalmente, pela Knight Foundation — esta, com Carnegie, Microsoft, e George Soros, um dos maiores financiadores do Novo Jornalismo, ou seja, a grande arte da reportajabaganda.

Aqui, começo chutando na interpretação de dados.

Vosmecês  foram devidamente avisados.

Primeiro chute cego e preconceituoso: A FGV serve de porteiro no condomínio fechado do embaixador americano na sua vizinhança, onde tem menos autoridade que aparece à primeira vista.

Se pudessemos separar a rede em dois núcleos, lusófono e inglêsfalante, os brasileiros seriam os moradores de rua dessa vizinhança — se não fosse o barraco montado em mutirão com o Ministério da Cultura, ao lado do movimento Software Livre, promovido, mais ou menos, para inglês ver, pelo MiniCult.

Considerando essa hipótese, viu? eu fiquei curioso sobre uma interentidade que tenho encontrado em muitos lugares na rede maior.

Acesso 2 Konhecimento

Trata-se do A2KBRASIL.ORG.BR, o sucursal brasileiro do projeto Access2Knowledge — que aparentemente deskonhece que a sigla em português seria AAC, ou seja, «acesso ao conhecimento».

Nesse momento, o site do projeto AK47 destaca os tuites de Ronaldo Lemos — do CC-Br e CTS-FGV — e José Murilo Júnior, ainda da MiniCult.

Que eu saiba, o projeto inteiro consiste dos tuites desses dois.

Foi Murilo Júnior que antigamente editava o caderno de Brasil no Global Voices Online — sem divulgar ser servidor público do governo tupi, mas sim divulgando ser o «Webmaster» mundial do movimento Santo Daime — movimento subsidiado nos EUA pela família Bronfman, dinastia tradicional de bebidas alcóolicas virado controladora de Vivendi-Universal, agora NBC-Universal.

Juro.

Um titã do complexo de infotenimento banca a União do Vegetal USA, pessoa jurídica do estado de Arizona.

Considerem os influxos nesse cenário, acima, e considerem também os resultados do programa SoftwareLivre do governo brasileiro.

Essa afirmação sera polémica, mas eu ainda não consigo rodar sistemas educacionais como Pandorga em uma máquina nem tão ultrapassada assim, e olhem, eu consigo rodar tudo que é filhote e neto natural de *IX.

Eu considero o programa simbolicamente importante mas, talvez por causa de interferências burocráticas, e julgando apenas pelo nível de produção, um vilarejo Potemkin para inglês ver que abusa da boa-fê de quem contribui aos projetos.

É para vocês virarem um país de programadores para o iPhone em vez de inovadores do Ginga ou Samba ou, quem sabe, algo até melhor e mais barato que o Android.

O Brasil tem reservas enormes dos minerais exóticos utilizados na fabricação de microprocessadores.

O Brasil não fabrica microprocessadores.

Por quê?

Estou imaginando um processador tupi barato e bom chegando no mercado americano e reduzindo o preço ultrajante da minha máquina iPinguim. Seria bom demais para todo mundo. Continue sonhando.

Não é somente minha opinião.  Eu acompanho os foros do FISL. Faz uma pesquisa de opinião entre aquela turma.

Rodas Dentro de Rodas

De volta ao técnico, porém: Cabe lembrar de novo que estamos trabalhando com núcleos compostos dentre dois e centenas de nós únicos, fortemente ligados, nesse caso, como «redes-estrelas», como a rede mostrada a seguir.

Aqui, por exemplo, uma interseção das redes FGV-A2K, acíclica e assim permitindo-nos a falar de metáforas e dominação e subordinação ou dependência e independência.

Acima, a expansão do nó #direitorio.fgv.br em nossa rede reduzida hierárquica.

Dentro da sua vizinhança, a FGV é rádio de pilha, parece.

Só recebe, não emite.

Ou melhor, funciona como retransmissora aos canais que dependem dela.

Aviso: A Virtualidade do Virtual É Apenas Virtual

Também cabe lembrar que estas relações todas são meramente simbólicas, determinadas pela presença ou ausência de um hiperlaço.

Para entender o laço unindo o projeto GNU com um site para empreiteiras militares do governo estadounidense, vislumbrada acima, será necessário averiguar a ligação no mundo real, por exemplo.

É bom as FFAA pouparem dinheiro com GNU/LINUX. Não seria bom uma militarização do movimento código-aberto.

Ora, o valor de navegações como essa é que levanta possibilidades estruturais, representando oportunidades e cenários plausíveis que passariam desapercebidas de outro jeito.

Mas ciberentidades não são pessoas.

Algumas são instituições posando de pessoas, outras são robôs controlados por uma única pessoa para projetar a imagem de uma presença institucional.

Se possamos pensar na «partição de  profundeza de uma rede acíclica» como um modelo de influência — como é utilizada no análise de redes de citaçoes em publicações acadêmicas, para medir e rastrear o percurso de ideias bem- e mal-sucedidas — então considerem a posição de componentes ponto-brasileiros nesse processo de difusão.

Agora estou ficando meio exaltado e confuso. Meu bem, mais café!

O que quero dizer, ao final?

Vou chutar de novo.

Recebi minha cópia de Relatório Reservado outro dia para achar que a metade do folhetim tratava da seleção do ministério da candidata Vanda, que deveria começar o quanto antes.

A opera bufa é quase concluída. Só falta Fafá de Belém agora.

Eis a sabedoria das cariocas que sabem.

Talvez a ilhação do componente continuista-trabhalhista em nossa rede sirva, portanto, para explicar a repentina entrada da turba de CIMA-NED-Harvard-Stanford-FGV no apoio de mídias alternativas que não são as produzidas pelas pijamadas de TERNUMA, seguindo à risca o modelo de Pajamas Media.

Como foi demostrada no congresso dos blogueiros progressistas a semana passada — organizada com tamanha pressa que os cadastros fecharam antes mesmo de eu ouvir falar do evento. E eu costumo ouvir falar das coisas. Nem site próprio teve.

Essa turba apostaram tudo no cavalo errado — de novo — talvez pelo fato de quem interpreta o Brasil para eles ser um servidor público do Estado Permanente de Baderna Burocrática Total — e dedicado tomador do Chá.

Em tal caso, seria necessário enfrentar a possibilidade de que algumas das Vozes Globais que vocês estão promovendo estão sendo psicografadas pelas almas irrequietas de ACM, Roberto Marinho, e Chico Xavier, O Filme.

Entretanto, meu proprio sonho de dominação:

Tenho o interruptor de Ethernet, só falta-me o cabo e uma tomada a mais. O Antineocondominio pretende escravizar Lixão, Nhennhemnhem, e Macuinamachine!