Domingo no Laboratório: Quem é o Corretor Honesto?

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Acrescentei recentemente a ferramenta UCINET a minha caixa de equipamentos, apesar dela não ser livre e grátis, uma precondição férrea dessa experiência.

Oferecem uma versão de teste que vence em 60 dias, rodando no emulador de Windows, WINE.

Gostaria de aprender o quanto possível antes de chegar o momento de decidir se vou comprar ou não. Apesar de ser um .exe, interopera com Pajek e outras, e parece bem bacana.

Uns dos algoritmos que tem que me interessou de imediato é o análise do Corretor Honesto.

De Pajek, conheço a teoria geral de corretagem, mas qual pode ser a definição técnica que consegue diferenciar o Agiota do Corretor Honesto? Segundo algumas fontes que acabo de googlear, o conceito é distinto daquilo utilizado pelos autores de Pajek.

A estatística de corretagem honesta tenta identificar atores que fornecem a única rota entre atores isolados, ou atores que juntam outros com apenas fracas — ou seja, não-reciprocadas — relações.

Pode ser dito, então, que são atores que tem como missão a identificação de «buracos estruturais« e a montagem de uma entidade que unificaria elementos isolados ou aumentaria a densidade social de uma rede fraca.

Mais o papel tem outra face, com outra fonte de poder: sendo uma ponte entre dois atores aos quais a ligação é mais valiosa que é ao corretor, tem a ameaça de sair da rede como uma táctica de incentivar adesão a seus próprios termos.

O primeiro Presidente Roosevelt falava de «falar manso mais levar um cacete grande».

O dever de casa de hoje, portanto, é brincar com esse algoritmo para poder entender como pode nos ajuda a aperfeiçoar nosso modelo geral weberiano de redes. Uma lembrancinha: Redes são classificadas segundo três eixos. São

  1. abertas ou fechadas,
  2. hierárquicas ou não, e
  3. de pessoas ora físicas ora jurídicas

O modelo gera quatro categorias básicas nas primeiras duas dimensões, segundo um estudo que tenho na minha bibliografia mas ainda preciso localizar:

  1. O «círculo de elites» (fechada, hierárquica)
  2. O «shopping de inovação» (aberta, não-hierárquica)
  3. A «comunidade de inovação» (aberta, hierárquica)
  4. O «consórcio» (fechada, não-hierárquica)

Eu tenho em mente essa noção doida que deveriamos poder dar nomes às versões destes modelos na terceira dimensão. Um partido político com democracia interna limitada a militantes cadastradas, por exemplo, eu chamaria de um «consórcio de pessoas físicas», por ser fechada e pelo princípio de «um petista ou que seja de carteira, um voto».

Mas qual seria um bom nome para essa situação, para difereciá-lo de consórcios de pessoas jurídicas, como aquelas que formam-se para leilões de grandes projetos públicos como metrô ou represa hidroelétrica?

Estes, na verdade, se encaixam no model «consórcio» definido asssim, se cada um tem poder de decisão proprocional ao seu investimento? Odebrecht tem 51% e Alston 38%, digamos?

Podemos apontar, entre os casos que levantamos nessa série, vários exemplos do que eu chamo, com vários sociólogos, de «ágio de papel» ou «ágio regulatório».

Esta oportunidade existe para atores que «usam dois chapéus à mesma vez», tanto que possuem a capacidade de explorar a zona cinza entre dois marcos éticos ou regulatórios. O modelo mais conhecido desse tipo é o QuaNGO, ou «ONG como se fosse não-governamental». Outro jeito de defini-la, porém, é como uma «ONG como se não fosse governamental», também conhecido como um GONGO, ou «organização como se fosse não-governamental orquestrada por um governo».

Eu tenho apontando casos que eu julgo serem exemplares dessa estratégia, como, por exemplo, a tese, «o shopping de inovação é um latifúndio de faça-clique».

Para todos nós, isso quer dizer, por exemplo, que a liberdade aparente do «shopping de inovação» é contradita pelo fato da oferta de componentes para inovação ser controlado por um «círculo de elites« ou «consórcio» de pessoas jurídicas, não tenho certeza sobre qual seria.

Na prática, é uma oligopsonia, ou seja, um mercado com número artificialmente limitado de vendedores.

Eu quero poder dizer, então, que o ágio física-jurídica que vemos em casos de propaganda clandestina — um agente institucional infiltrado apresenta-se como «gente que nem a gente» — é um caso de corretagem manipuladora.

Seu navegador não serve se não tem instalado o cliente de Flash, por exemplo.

Flash f***do no Chromium. Énfase minha, graças ao GIMP.

Eu tenho este exato problema no momento após mudar para um ambiente AMD64: o cliente de Flash não funciona no Chrome, funciona mal em Firefox, e tenho fontes de informação sem as quais não posso fazer meu trabalho de verdade.

Ao Diogo

Agora, ao Diogo e Cujo e Não-Diga nos detalhes.

Entendo, em geral, que o algoritmo do Corretor Honesto cruza relações de corretagem dentro de uma rede com sinais de confiaça mútua, na forma de laços recípricos. Isso posso começar a entender nos termos do modelo L.I.A.R., que trata do “circúito crítico” em redes abertas.

Oliver serve de corretor entre Bob e Alice. Bob tem pergunta técnica que Oliver não sabe responder, mas acha que Alice pode. Mas Bob, sabendo de A1 e A2 que Alice trabalha no Apple, também pergunte a Carl, que trabalha no projeto GNU.

Oliver ainda pode ser, ou não, um corretor honesto.

Talvez não soube do viés de Alice, ou achava-o sem importância, como bem podia ser.

Ainda assim, a honestidade dele é estruturalmente suspeita. Quer dizer, ele está em uma posíção de iludir o Bob. O teste da sua honestidade seria, por exemplo, se divulgasse que Alice é iMac e outros fatos que ajudaria o Bob avaliar seus conselhos. Ela não deveria ser descontada de antemão, mas a transparência aumentará a confiança mútua.

Eu gosto dos termos dos velhos romanos para esta dinámica: tertius gaudens — o intermediário aproveitador — e tertius iungens — o corretor honesto, que junta pessoas em relações de benefício mútuo.

Começo com a vizinhança de BLOG.USAID.GOV dentro de três graus de separação — o nó-alvo tem grau 0 em relação a si próprio.

Em geral, a rede mostra um fluxo de informação que

  1. vem do governo,
  2. é relatada pela imprensa — conservadora, nesse caso o Tribune sendo uma Tribuna da Imprensa do movimento neoconservador  —
  3. analisada por um instituto de pesquisa, e finalmente
  4. repercutida, com o viés do think tank, pelos blogs — nesse caso, representado pela voz de um islamofóbico racista dos mais virulentos

É um fluxo de informações bastante natural. O governo faz, a imprensa relata, e as pessoas opinam.

Encarrego os dados no UCINET e executo o algoritmo “corretor honesto”

E aí?

Quem está na posiçao de tertius gaudens-jungens relativo a quem?

Um fato interessante, para começar, é que inexiste relações de «corretagem itinerante » nessa rede. Tem várias relações de «coordenação» — fortalecendo e facilitando a cooperação de atores dentro do mesmo grupo — e muitos de «guardião de portal» — pontos de engarrafamento onde um único autor monopoliza o acesso a informações de um segmento por outro.

Um grupo de mídia que inclue a CNN, o jornal Washington Times e a agência United Press International — ambos de Sun Myug Moon — e o Newsday, jornal suburbano de Nova York — formam um grupo forte desse tipo, mais o maior corretor deste tipo é o núcleo representado pelo instituto de pesquisa American Entreprise Institute.

Quase for definição. o «coordenador» não pode jogar o jogo de tertius gaudens, por ser um «túnel» entre nós distantes mas ainda conectados. Digamos que a campanha do Partidão em RS ouve de um terceiro que algo importante está acontecendo do Partidão em RR. Se este intermediário está aproveitando, os sucursais do Partidão tem jeito de ficar sabendo.

À posição de «liaison» — elemento de núcleo A conectando elementos em núcleos B e C, pode ser o mais interessante de tudo quanto a questão de corretagem honesta — o juiz de campo não deveria ser nem Fla nem Flu —  mas é ausente dessa rede.

A rede, então, parece dominada por dois pontos de engarrafamente: um representante forte e um guardião de portal — ou «leão de chácara», se quiser.

Ambos são a mesma entidade aliás: O núcleo AEI.

Cada nó pode ser aberto para ver seu conteúdo. A maior subrede aqui, por exemplo, é Common Dreams:

Eu tenho o hábito de pensa nesse cenário — de componentes fortes compostos de vários elementos, reduzidos a um vetor único — com se fosse a soma de todos os sermões pregados no mundo cristão hoje.

Terão tendências teológicas na escolha do texto e das interpretação autoritativa dos textos, mas todos citarão algum parte do Bom Livro quase como era conhecido belo bom e velho São Jerônimo, padroeiro e príncipe de tradutores.

Processando …

Agora, o correto honesto é definido pelo UCINET como

o alvo de laços com aspectos de confiança por atores que não necessariamente tem tais ligações entre sim …

Mas quais os aspectos estruturais «parecidos com confiança»? Pode ser algo com a ausência de ligações com atores ocupando uma posição de contradizer a fonte, por exemplo?

O UCINET também tem um algoritmo chamado de PLI, o índice de independência política.

O produto do análise de «corretagem honesta» é uma rede «2-core», ou seja, uma rede na qual cada ligação vai de um integrante a uma classe que ele integra.

Por exemplo: «Brayton –> Família Paranhos».

Eu sou um Breitanhos por força do meu casamento.  Tenho uma co-cunhada Sánchez, e portanto tenho envolvimento com elementos da classe Paránchez — dua sobrinhas chilenas que adoram Carnaval.

O exemplo dado pelos autores de Pajek são diretoria entrecruzadas. Fulano integra o conselho de empresas A, B, e C, enquanto Sicrano integra o conselho de B, C, e Z.

Mas o que fazer agora? Eu exporto uma rede bipartita de Pajek, abro, faço dela uma rede «2-core», e visualizo.

Deve ser errado. O produto do análise, aliás, foi uma matriz mostrando um valor para cada nó em relação as categorias «Pairs» — número de duplas — e «Size», ou seja, tamanho.

Em seguida, vem as colunas  HBI0, HBI1, HBI2, com valores integrais.

Como valores ponto-flutuante são nHBI0, et cetera.

O análise dos cinco papeis de corretagem da rede mostra que sem, estas categorias são corretores itinerantes a um grande número de nós.

Está na hora de ler o manual, não acha? Infelizmente, não tem muita documentação para todos nós, mas há essa dica — traduzo:

A medida conta o número de pares fora do ego para quem o ego serve como corretor honesto.

É, mas então HBI0 queria dizer «o numéro de duplas para quem o nó determinado não é visto como corretor honesto?

E portanto, HBI1 seria o número de duplas para um dos integrantes o percebe assim, e HBI2 o número de duplas ambos os integrantes dos quais confiam na isenção do corretor?

nHBI0, nHBI1, nHBI2, então, seriam simplesmente a porcentagem de duplas intermediadas por determinado nó que o percebem como corretor confiável — isto é, que percebem-no como faltando incentivos estruturais para jogar a estratégia tertius gaudens.

Ou seja, para todos nós, que falta-lhe conflitos de interesses estruturais, como se fosse, digamos, líder da bancada ruralista e a mesma vez presidente do maior lobby ruralista — caso que existe.

O modelo e de uma dupla de investigadores, Kilduff e Mehra.

Sobre o uso destes dados em Pajek ou outras ferramentas, termino o dia ainda perplexo.

O que quer e fazer das relações HBI um «cluster», ou categoria, e dos índices nHBI um vetor que indica a força de confiança com valor da linha representando a relação.

Estã no jeito de exportar os dados. Aqui, consigo exportar HBI0 como elemento categórico — .clu.

Tem .clu para cada categoria.

Os .clu de nHBI, que é vetor, podem ser descartados.

Do msmo jeito, exporto os dados como um conjunto de arquivos .vec — um valor derivado que caracteriza a força de um laço  — e descartar os arquivos que não são desse tipo de dado.

Oba. Acho que consegui aprender algo hoje.