A Necessidade de uma CPI de Propaganda, Processo 99/2010

Padrão

A mesma mesmice, mais ainda notável:

Fonte: o fluxo RSS da revista Exame, categoria Marketing:

São Paulo – As agências de publicidade DCS e SL&M, de Porto Alegre, e o departamento de marketing do Banrisul – Banco do Estado do Rio Grande do Sul – estão sendo investigados por uma força-tarefa da Polícia Federal, do Ministério Público Estadual e do Ministério Público de Contas por supostos desvios de recursos da instituição financeira do Estado.

Continuo insistindo, e me perdoem o pleonasmo, que o único jeito de desvendar os mistérios da caixa dois no Brasil será uma CPI de Propaganda parecida com a grande commissão de inquerito sobre jabaculê na indústria de rádio de 1959, nos EUA.

Sempre tem algum Marcos Valério no olho do tufão.

A situação da indústria marketing em geral parece meio anublada hoje, segundo as Últimas Notícias do fluxo:

  • 02/09/2010 | DCS, SL&M e Banrisul investigados por desvio de R$ 10 milhões
  • 01/09/2010 | Volkswagen usa aplicativo de iPad para promover SpaceFox
  • 01/09/2010 | Grandes narrativas entraram em crise, diz Abel Reis
  • 01/09/2010 | Redes sociais são mais eficientes para marcas locais
  • 01/09/2010 | Sex Pistols lança perfume inspirado em single `God Save the Queen´

Grandes narrativas estão em crise — esta mesma uma grande narrtiva um pouco cansaada — enquanto  redes sociais não são eficientes para marcas globais e os Sex Pistols lançam um perfume, confirmando o que suspeitavamos na época: tudo não passava de um pose com um apelo comercial calculado, como qualquer movimento de moda.

Uma coisa é certa, porém: o lançamento de mais um de centenas e centenas de dispositivos do iPhone por mais uma marca global é sempre novidade empolgante!

Curiosa na reportagem da Exame — acho que veio da Agência Estado — é a falta de informações ou hipóteses sobre o eventual destino do dinheiro.

Sabemos donde veio, mais para onde ia?

A suspeita é que de as campanhas de marketing contratadas pelo banco junto as agências eram superfaturadas. …

Até o momento, a Polícia Federal prendeu o superintendente de marketing do Banrisul, Walney Fehlberg, um representante da agência SL&M, Gilson Storke, e um diretor da DCS, Armando D’Elia Neto.

Como quase sempre é, o como fica mais interessante que o quem e o o quê.

Segundo a PF, as agências terceirizavam o serviço para empresas que subcontratavam os responsáveis pela execução das ações a preços muito menores do que os cobrados do banco.

Como costumam dizer no mundo de TI, a encrenca quase sempre começa com os «hand-offs» — no ponto de tranferência entre um sistema ou processo e outro.

Cabe observar aqui que a terceirização em cadeia desse tipo é o fundamento do pós-moderno conceito da agência de propaganda como «organização em rede», seguindo o modelo do «mash-up» — um todo nebuloso e efémero, composto de diversos componentes provindo de fontes diversas.

Bom exemplo [é a página iGoogle, aquele agregador de «widgets», vindo de servidores em todo que é canto do mundo — um dos quais sempre está fora do ar quando você precisa dele.

O Nome Dessa Agência é SL&M OGILVY

De fato, trata-se aqui da agência SL&M Ogilvy — apesar da insistência do Google que eu provávelmente queria saber de agências de sadomasô.

O sucursal da histórica agência multinacional Ogilvy — parte do Grupo WPP — dá o Banrisul como estudo de caso de clientes satisfeitas.

Poupando a nave-mãe pela omissão do nome completo e oficial da agência ilustra mais um efeito da «organização em rede» — a difusão de repsonsibilidade.

A amostra do serviço feito ao pedido do banco estatal é um arquivo Flash dentro de uma janela «pop-up» — na cabeçada dessa nota — que não consigo engarregar dentro do meu browser. O indicador de progresso fica no 0% quase quinze minutos até eu desistir.

Jumpin’ Jack Flash

O site de DCS me informa que preciso baixar uma versão mais nova do tocador de arquivos Flash.

Para que?

A própria Exame hoje fornece um exemplo perfeito do absurdo de apresentar o que pode ser divulgado como texto simples por meio de alguma bugiganga.

Para ler a transcrição de uma sessão de bate-papo com analista, precisa-se um dispositivo complicado que falha várias vezes — talvez por causa do meu bloquedor de Flash — antes de apresentá-la em formato de um cliente de IM.

Salve a sessão como texto simples e cola no editor.

Não queira desperdiçar meu tempo!

Googleando o S(L)&M, entretanto, aparece em um velho folhetim do PT, que orgulha-se de ter poupado dinheiro contratando um cooperativo para fazer um trabalho pelo qual o SL&M e Prisma queriam cobrar R$ 50 mil.

E por final: Não pode haver um escândalo sem AS FOTOS DA MONTANHA DE DINHEIRO VIVO — acima

Fonte: Brasil Confidencial, que eu assino desde ser chamado de “blog sujo” eu assino, para avaliar o nível de sujeira. Até agora, vejo um boletim pró-Dilma que mantém os padrões jornalísticos mínimos. Mais um folhetim de candidato, e nihil obstat. Recibo os boletims anti-Dilma e não são muito diferentes.