Os Progressistas e o CiberPT

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Logo cedo na campanha eu observei que enquanto a articulação da oposição na rede parecia bem sofisticada, a Ciberdilma me parecia bem «mamãe e papãe» — quer dizer, conservadora e sem grandes esquemas de se articular na rede.

Não pode ser dito mais.

Graças à sétima rodada da Grande Aranhação — a última antes de começar aranhações de natureza comercial — e as articulações dos «blogs progressistas» nas últimas semanas, patrocinados pela CUT, Gol–! — e outras, dá para registar os contornos de uma articulação mais profissional em termos de técnicas de marketing — uma ofensiva um pouco tardia, mas com conselhos de agências profissionais — Cafe Azul — e a turba de Harvard — Global Voices Online, com quem o Blog do Mello foi o primeiro a se aliar, acho.

Cuidado com aquela turba de Harvard.

Como fachada de uma campanha de lobby, testa-de-ferro de USAID, e servil aos patrocinadores empresariais, são politicamente oportunistas. Patrocinaram o Instituto Millenium também, por exemplo.

O que eu jamais perdoo foi o aval que deram ao governo de Ruíz em Oaxaca quanto às circumstâncias do assassinato do jornalist de Nova York, Brad Will, por um esquadrão de morte político. Emprestou sua suposta credibilidade à propaganda oficial do governo do estado e omitia fatos percebidos como favoráveis ao movimento popular do sindicato local do corruptíssimo SNTE.

O Ruíz era aliado de La Maestra, Gordillo, presidente nacional do SNTE e do partido PANAL, articulador essencial da vitória duvidosa do candidato de PAN, Calderón — o candidato preferido pelo regime Bush, tanto que mandaram dois pistoleiros políticos, Rob Allyn e Dick Morris, para articular o jogo sujo contra o principal opositor na Televisa — participação de estrangeiros que contravem a legislação mexicana. Morris admitiu publicamente que recebeu da campanha de Calderón.

Soíam apresentar o Reinaldo Azevedo apenas como um «bloqueiro brasileiro»,  por exemplo — como se fosse uma voz clamente no sertão e não o cão de fila assalariado do maior grupo de mídia no País. São mentirosos.

Os Progressistas contam com sites próprios agora — BLOGPROGRESSISTAS, montando só depois do evento, se não me engane, e BLOGUEIROSPROGRESSISTAS, um pontorg sem o br que serve de agregador.

Será que o GIF animado acima esteja piscando com deve, mostrando os patrocínios? São divulgados no site do evento, em qualquer caso. Aqui ô:

Como já disse, considero a profissionalização dessa contrablogosfera uma evolução natural, e já era tarde, até.

Ora, a primeira ciberentidade mora num prédio comercial normal no Brasil — 189.38.90.25, também conhecido como CAFEAZUL.UNI5.NET. A agência representa IBM, Microsoft, Claro, Bradesco e a cerveja Devassa, entre outros clientes.

O segundo — 66.147.240.185 — mora num servidor nos EUA, BLUEHOST.COM, e identifica o responsável como o dono de GUTOCARVALHO.NET — um blog pessoal que hoje de manhã comemora, com toda razão, o talento musical de Almir Sater.

Guto se diz estrategista digital. Não fica claro que os dois sites são ligados, pelos dados que tenho, mais esta ciberentidade também mora no BLUEHOST, 66.147.240.185.

Eis os notórios “blog sujos” do PT, suponho.

Eu já lia a maioria deles, so não podendo aguentar o PHA, embora reconheço sua influência como cunhador da palavra de ordem PIG — partido da imprensa golpista. Este «meme» tem sido muito bem-sucedido.

Com a repetição da Grande Aranhação, começando com sites brasileiros do componente MAIN_OUT da primeira iteração, alcançamos a campanha virtual do continuismo — que a primeira iteração, começando com o Instituto Millenium e seus parceiros brasileiros — não alcançou.

Faço alguns análises simples com Pajek, principalmente para identificar adminráveis internautas novos, como PARTICIPABR.COM.BR, um site Dilmistas nos mesmos moldes do REDEMOBILIZA e MOBILIZAPSDB da oposição. A estratégia em ambos os lados me parece bem parecida.

OS.ORG.BR, por exemplo, é novo para mim.

Pego a vizinhança de PT.ORG.BR dentro de três graus de separação, com 737 URLs.

Calculo os «hubs» — «Estações da Luz» ou Grand Central Terminal– e «autoridades» dessa rede, e, mais uma vez, começo tirando elementos da «plataforma social» — os «latifúndios de faça-clique», ou seja, os agregadores algorítmicos e redes sociais — na medida que aparecem como amplificadores ou multiplicadores neutros que só servem para aumentar o «churn» — o giro redundante — de conteúdo.

Aqui, tirados sites como AddThis e Migre.me — o preferido dos continuistas para encurtar URLs, não sei porque — das autoridades, o CiberPT apresenta o perfil seguinte.

Agora, dá para brincar com várias reduções da rede aos seus componentes fortemente coesos.

Aqui, faço

Net > Partitions > Core> All
Operations >  Shrink Network According To > Partition
Partition Left Unshrunk = 0

Agora, dá para fazer uma série de análise, deixando vário núcleos abertos — escolhendo o número do núcleo na partição para não ser encolhido.

A rede continuistas tem pontos de contato com o Instituto Millenium, por exemplo.

Elementos associados com o núcleo da FGV.

Sites que tem em comum o uso de Goople Maps, algo que até meu site pessoal pode fazer hoje em dia — por meio de um módulo de Drupal cuja programação foi subsidiada pela USAID e recebe dados de NASA.GOV — assim como IPODDER.SOURCEFORGE.NET foi patrocinado pelo DNI, o diretoria nacional de informações, cujo primeiro diretor é irmão de Nicholas Negroponte do Media Lab de MIT.

Essa tecnologias são disponibilizadas para campanhas de advogacia com patrocínio parecido, com USHAHIDI.

Google Maps deve ser eliminada como componente da «plataforma social», talvez.

O núcleo USP.

CUT, patrocinador dos Progressistas.

O Mi([ní]sterio de Cultura.

Agora seria interessante analisar o fluxo de contéudo no segmento acíclico da rede ora com ora sem a plataforma social, que costuma funcionar como uma Autoridade sem autoria — ou seja, como observou o Jaron Lanier, uma máquina que despe o conteúdo da autoria de outros, que quase sempre remete aos profissionais de uma instituição de jornalismo da velha guarda.

Mas ai, que preguiça!

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