Propaganda: «Febre de Fusões»

Padrão

Aftosa?

Gripe de galinha?

Gripe espanhola?

Sarampo?

Dengue?

Propaganda.

M&A fever lifts the tempo in Brazil: O Financial Times de Lóndres — do mesmo grupo que acaba de comprar a empresa de educação SEB, negócio de enorme significância do qual quase não ouvimos nada da imprensa além do registro burocrático — diagnostica uma «febre de fusões» no setor de propaganda — e ninguém aqui fica empolgado, parece.

É curioso o que chega a ser repercutido e o que não recebe menção quando ao Brasil visto com olhos estrangeiros.

Um exemplo é a matéria no Financial Times de hoje sobre uma «febre de fusões» alvejando agências de propaganda e publicidade.

A autoria é de Jonathan Wheatley, o cão danado no sol de meio-dia do FT aqui desde sempre, em parceria com Jonathan Bevins. Vale a pena prestar atenção do que o Sr. Wheatley anda falando de vocês, em geral.

Naturalmente, entretanto, a vasta maiora dos resultados de buscas no Google Notícias hoje sobre «propaganda» e «publicidade» têm a ver com o TSE e propaganda eleitoral.

Com toda seriedade, o STF ponder se a comêdia faz parte legítima da vida política do Brasil, por exemplo.

Cinquenta anos de carreira fustigando todo mundo, e só agora perguntamos se o grande Angelí ser sinal de democracia saudávelo ou influência perniciosa, mofando e sacaneando os poderosos sem piedade como ele faz.

Mas a falta de repercussão de uma nota prevendo uma corrida doida para comprar agência tupiniquins de propaganda, chamando o setor nativo de «um dois mais dinámicos do mundo», chega a me surpreender.

Andam falando bem de vocês.

Sempre há repercussão quando andam falando mal mal de vocês — como, por exemplo, quando os orgãos multilaterais dizem que a polícia brasileira continua corrupta, impune e incubadora de esquadrões de morte, como dizem cada ano com a regularidade de um relógio atômico.

O Estadão, o olho que jamais pisca entre os jornais do Brasil, repercutiu os negócios sobre a acquisição, mas omitiu o entusiasmo e obaobaismo:

JOUY-EN-JOSAS – O executivo-chefe da agência de publicidade francesa Publicis, Maurice Levy, afirmou que a empresa está “muito interessada” no mercado brasileiro, mas não quis comentar relatos da imprensa de que estaria em negociações avançadas para comprar a agência brasileira Talent.

Então, eu repercuto. Na minha tradução mambembe, o que o FT anda falando de vocês hoje:

Quando um executivo brasileiro de propaganda leu que a francesa Publicis, terceiro grupo de propaganda do mundo, preparava-se para acquirir parte da agência local Talent, avaliando a agência em R$350 milhões, virou para sua mulher e disse, “Acho que viramos  ricos”.

Muitos diriam que o executivo — um dos mais renomeados da indústria — já fosse rico o suficiente. Mais o alto valor posto no Talent — nos arredores de sete vezes o faturamento por ano — fornece mais um indicio de uma correria entre os grandes grupos internacionais para conseguir sua parte do mercado brasileiro — ou pelo menos daquela parte que continua com donos locais.

A indústria está zumbindo com boatos!

A indústria está zumbindo com boatos da possibilidade de outros negócios. Marco Oliveira, vice de operaçãoes de Lew’Lara/TBWA, diz, “Restam poucos agências que são 100% da propriedade de brasileiros, e recebem visitas dos grandes grupos do mundo, como Omnicom, Havas, WPP e Publicis, com bastante regularidade”.

Esta não é a primeira febre de acquisições a varrer a indústria brasileira de propaganda, amplamente reconhecida como uma das mais criativas e dinámicas do mundo

A agência de Oliveira já era simplesmente Lew’Lara, mais mudou de razão social depois de ser comparado pelo TBWA, integrante do grupo Omnicom, faz três anos.

A agência — acima, o interface Flash que demora para sempre a se encarregar, mostrando os clientes — recentemente fez uma campanha sob encomenda de Esso, agora propriedade de Cosan, o império horizontalmente integrado incipiente de biocombustíveis, em parceria com Shell.

No começo dos anos 1990s, grupos estrangeiros pagaram múltiplos exorbitantes do faturamento annual das agências para entrar no que na época era uma dos poucos mercados em franco crescimento.

Preços costumam aumentar quandos os bens ficam escassos.

Nesse caso, parece que aquela espécie em extinção — a agência de propaganda brasileira controlada por capital brasileiro — pode estar para sumir da face da terra.

Talent ponto com ponto br e URL número 24.205 de 750.000 na Grande Aranhação, mais continua ainda um «componente indefinido». Esperso que com mais 47 iterações a natureza da sua hiperpresença será revelada.

Da agência Talk2 já temos alguns dados, por exemplo, talvez por sua conexão com Campus Party.

Sites programados em Flash costumam ser menos ricos em hiperlaços, os únicos indicadores de relacionamento que temos.

Tenho anotado aqui alguns detalhes sobre o Talent.

Acho que é bem representada na liderança do Internet Advertising Bureas, Brasil — mostrado no mapa conceitual acima. Em geral, o IAB-Brasil é dominado direta ou indiretamente por agências do Grupo WPP.

Mas tenho outros quefazeres a fazer no momento.

Processando …