El Verdadero, Espólio de ACM, no Observatório da Mídia da Mídia

Padrão

É raro meu trabalho de verdade cruzar com minhas anotações à toa nesse espaço, mas houve uma história de «M&A» — ou seja, F&A, de «fusões e acquisições» — hoje no fluxo matinal de fatos e factóides: O espólio de ACM, acima.

O destino da retransmissora da Globo, TV Bahia — o falecido dono já foi Ministro de Comunicações, sabia? —  continua uma questão aberta e uma disputa acirrada, segundo o Relatório Reservado — sobre o qual um cavalheiro muito gentil do ramo de relações com investidores tinha palavras, digamos, abruptas comigo na semana passada, seja dito.

Entretanto, nova e notada:

A situaçao no Equador é o seguinte: é uma kleptocracia de longa data agora tocada pelo jovem economista, formado, se não me engane, na Universidade de Wisconsin. Fica identificado com a ameaça chavista, mais dificilmente comparam-se um tenente-coronel golpista e um um economista pacato com formaçãõ de «cheesehead».

O setor midiático realmente é corrupto e mentiroso, como alega o presidente. Puxa!

Recentemente — e aqui voltamos ao ângulo de F&A — vários veículos de mídia entraram em collapso financeiro. Que eu consigo saber, não era nenhuma maldade do governo, mas o juizo do Mercado, que matou os jornais, TVs e rádios em questão.

Mas essa estoria é mal-contada pelo blogueiro dos Civita Dei — o último relatório financeiro do qual saiu em 2007, que eu saiba — e terei que me atualizar sobre ela hoje, quando der tempo.

Só lembro-vos das reclamações que deram quando os campeões do livre mercado viram sua fatia do orçamento federal de propaganda redistribuída para veículos menores.

E do caso do jornal deficitário que recebeu R$100 milhões em propaganda estatal num ano no qual divulgou faturamento de R$10 milhões — com direito ao décimo-terceiro para todo mundo!

Esse caso de Equador é o pior pesadelo dessa turba, virado realidade.

E assim que o Mercado só favorece as Televisas e Globos desse mundo  — os monopólios herdados merecidos, segundo o discurso deles — deve ser a culpa do Governo!

A nota chega a ser interessante também por expor o observatório de mídias da Agence France-Presse, do qual o blogueiro dos Civita Dei simplesmente cola.

Chega a ser uma variação interessante sobre o gênero de blog que já comentamos, o «observátorio de mídia» nos moldes de Mídia Sem Máscara, xerox de tantos outros projetos desse tipo.

Nesse caso, podíamos chamá-lo de um «observatório da mídia da mídia» — a repetição foi de propósito — ou «ODM quadrado».

O elemento individual mais forte na rede do blog, que abrange a maioria dos maiores multinacionais de mídia, e o laboratório Nieman, de Harvard, segundo meus dados preliminares.

Conta o JJ, sob a manchete anotada acima:

“Todos devem comprar ‘El Verdadero’ e ajudar a derrotar estas empresas voltadas para o lucro e que dizem fazer comunicação; na verdade, só defendem os próprios negócios e interesses”, disse o presidente Rafael Correa, que chama de corrupto e mentiroso um setor da imprensa equatoriana.

Acompanhe a mídia equadoriana por um dia só.

Correa, certo ou errado — é para os eleitores de lá dizerem — tem toda razão sobre este ponto.

…Correa, no poder desde janeiro de 2007, renovou igualmente uma emissora de rádio e pôs no ar um canal de televisão e uma agência de notícias, ao mesmo tempo em que se promove através de um jornal eletrônico.

“O PP de nenhuma maneira será público porque é um diário que pretende ser a voz do governo, a voz do regime”, declarou à AFP o analista Mauro Cerbino, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso).

Cerbino afirmou, ainda, que a “revolução cidadã” (como Correa chama o projeto de governo) em princípio está fortalecendo seu poder na mídia, mas “é preciso ver até quando dura”.

“Claro que fortalece seu poder, mas é preciso esperar para ver a aceitação do PP. Os meios de comunicação demoram muito tempo em ser aceitos pelas pessoas”, assinalou por sua vez o especialista José Laso, da Universidade Andina.

O governo promove, além disso, uma lei de comunicação que os principais órgãos da imprensa consideram uma tentativa de censura, mas que, no entender de Correa, defende a responsabilidade social da imprensa.

Dever de casa: saber mais sobre essa estoria da falência do Telégrafo e o nascimento do Verdadero.

Feito por robôs: o ecossistema digital de MEDIAWATCH.AFP.COM.

Dos dados mais novos, a Tradição, Família e Propriedade perante o mundo neocon.

Agora, entretanto: vá trabalhar vagabundo!