A Indig-iNação no Latifúndio de Faça-Clique: Uma Memeologia Livre

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Notada: Serra vai à TV rebater discurso de Lula | Estadao.com.br.

SÃO PAULO – Após a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no programa da candidata a presidente Dilma Rousseff (PT), na terça-feira, 7, feriado do Dia da Independência, quando acusou os adversários de partirem para os “ataques pessoais” e “baixaria”, o candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, usou nesta quinta-feira, 9, o tempo no horário eleitoral gratuito na televisão para manifestar a “indignação” sobre o episódio do vazamento de dados fiscais da filha Verônica Serra e do genro, o empresário Alexandre Bourgeois. Serra afirmou que o episódio está ligado ao PT e condenou o “deboche” do governo no caso.

Pulando os hórarios eleitorais na TV, estou muito provalmente perdendo os momentos mais importantes da briga continuismo-mudancismo desse ano.

Na verdade, a política não me interessa tanto por si só.  Interessa a mim principalmente por ser o consumidor mais sofisticado de serviços de propaganda.

Só direi que o blitz de indig-i-nação — como um verbete de cinco sílabas, ecoando o estilo de discurso do falecido ACM — sobre a suposta quebra de sigilo me lembra muito da campanha «donde veio o dinheiro?» de 2006.

Foi muito memorável a insistência neste assunto no último debate daquele ano — quando a Globo literalmente tornou o debate eleitoral num circo! Lembrem-se? Lula botando a mão mutilada no ombro de Alckmin, um gesto do mais puro teatro de Antunes Filho?

Só que naquele caso, houve fatos firmes, nomes aos bois, e comportamentos comprovados que, se não foram ilícitos, eram decerto desagradáveis.

Estão, portanto, recorrendo mais uma vez a uma estratégia falha — uma estratégia, aliás, que não podia ser mais neoudenista — montada sob alicerces ainda mais fracos do que antes.

Não pode-se sobestimar o poder do «meme» antineoudentista, acho. Me surpreende não ter ouvido mais sobre a fase neoeduentista do PT, que amigos juram ter acontecido durante os anos FHC — e indícios da qual estou achando na bíblia cultural da época, a «biografia não-autorizada de FHC», de Angeli.

Houve alguma agitação logo no começo organizada em torno da frase «neopetista», mas não estou sentindo seu impacto mais nos foros de mundancismo. Vocês?

Além disso, o mundancismo parece ter desistido de ligar sua campanha com suas propostas concretas.

A Lei de Verônica

Nos EUA, quando tem um caso exemplar que desperta a indignação das massas, sempre há um projeto de lei levando o nome da vitima — a Lei de Megan, por exemplo, obrigando condenados predadores sexuais a se cadastraram e divulgarem publicamente sua presença na comunidade.

Coitada da Megan foi vítima de um predador compulsivo.

Nesse caso, se realmente prentendem seguir o roteiro, o mudancismo de rumo brasileiro teria que baixar um PL de Verônica Allende pela proteção do sigilo de dados.

O dilemma em denunciar os notáveis esforços contra o crime organizado sob o governo do continuismo brasileiro, porém — assunto de capa até da Veja, com «Os Novos Intocáveis» — é que continuam sendo bem-vistos pela população, apesar do sucesso do filme mais novo de Sam Peckinpah,  «Traga-me a cabeça de Paulo Lacerda».

O sargento de milicias de Yeda e o «mensalão do DEM» são dificilmente varrados embaixo da tapete sob a alegação que sejam caças de bruxas de inspiração política.

Embriagados com o Efeito Kassab em 2008, «as oposições» — como insiste em chamá-las o César Maia, dando um tiro no pé do palanque — não podem se esquecer do Efeito Daslu.

Num pais onde grande proporção da população continua vivendo na mais profunda informalidade — estou relendo o livro de Hernando de Soto sobre o assunto — este ainda não pode ser objeto de temor universal.

Seu momento ainda não chegou. Só pode chegar quando o último «vendedor de cachorro-quente» de Lula está pagando impostos e portanto se sente na pele o investimento pessoal no assunto.

O que se divulga pelo iPhone, outrossim, só vai espalhar este temor diretamente ao cachorro-esquentador quando ele tiver conta de TIM, ou BrOI, ou Nextel — dito o preferido pelas milicias de Rio nas páginas do Globo — ou que seja.

Além disso, o Brasil é um páis onde os sites de e-comêrcio e e-governo costumam pedir, com a maior naturalidade, o CPF do usuário no ato de se cadastrar para serviços gratuitos.

É um escândalo! Na gringolândia, você aprende desde criança: ninguem mas ninguém além do Leão tem direito ao número correspondente, o SSN. Eu sou freguês desde o começo do Amazon.com, por exemplo, e esta empresa admirável jamais pediria este dado de mim.

O partido da Lei Eduardo «Mensalão Mineiro» Azeredo dificilmente fará acreditar no atitude de defesor de sigilo informático entre que se preocupem por tais questões

Mas tudo isso está sendo apurado muito bem no blog do Nassif ultimamente, e não precisa de elucidação por mim.

Redemoinho: Twister e as Torcidas Políticas

Analise HITS — «autoridades» do blog — continuista OOOUTROLADODANOTICIA.WORDPRESS.COM

Burburinho e amigos aprofundam na observação de dados de que, quando os sites do mudancismo sairam do ar recentemente, foi para uma mudança de sistema, de Apache/Linux para Microsoft IIS7.

Foi o quê eu observei também.

Outro irregular nassifiano observa que quando os sites voltaram ao ar, foi com a versão 6.0 do IIS — o Internet Information Server.

Propõem a hipótese da eventual falha técnica pelo equipe de campanha ou terceiros.

Não é uma noção ridícula. Houve casos disso no passado. O lançamento premaduro de novos produtos tem assombrado várias empresas do mundo de TIão, aliás.

Na mesma nota, os irregulares de Nassif apontam um exemplo novo — para mim — do «shopping de inovação» no site eleitoral de Microsoft, Election Mall — ou seja, o«shopping eleitoral».

Mais interessante ainda, um contribuidor dos Baker Street Irregulars — o exército de Pixotes do detetive Sherlock Holmes — de Nassif desenterra um documento da CPI da Violência Urbana que aponta uma interentidade, dita dos EUA — Twister — como fonte de dados sigilosos de vários figurões dos vários lados da briga eleitoral.

Pode-se alegar que o requerimento tem seu próprio cheiro político, servindo para contrariar a tese do uso político generalizado de um partido ou outro par fins eleitorais, mas provindo de um deputado federal do PTB, este argumento me parece um pouco ambíguo — tal como  o partido mesmo.

Mas este é assunto para vocês Índios Tupy.

Dos nuances e histórico seu sistema partidário entendo pouco.

Assumindo Posturas

Este tal de Twister, porém: do que se trata?

Não consigo achar notícias sobre o assunto numa busca no Google News para «twister +privacy» — Twister sendo o suposto culpado de

«violar os maiores bancos de dados [dos EUA, que estão sendo] devastados de maneira criminosa».

Se ainda não apereceu no Slashdot … mas peraí, tem um dispositivo chamado de IP Twister — um fornecedor de procuração entre tantos outras de navegação anonimizada.

Será que foi a isso que o deputado se referia? O talvez seria RUNNINGTWISTER.COM, site de um dispositivo que promete algo parecido?

Deixa ver se eu acho informações complementares sobre o assunto.

O primeiro talvez seria a referência cultural a um brinquedo popular dos anos 1960 e 1970, que dava o pretexto par meninos e meninas entrelaçarem os braços e pernas num tabuleiro de viníl segundo os mandos aleatórios de uma roleta, acima. Trilha sonóra: The Eagles.

Fomos uma geração que crescia sob a influência do famoso livro «Joy of Sex»,com suas ilustrações tragicamente definidas pela moda da época —  os cabelos compridos e costeletas dos homens barbudos, os sovacos e pernas femininas que jamais conhecerem a tortura de cera quente à brasileira.

Havia bastante sinergia cultural entre o livro e o brinquedo, ambos fundamentados na novidade de «posições».

Mas qual foi o assunto?

Ah, sim, o requirimento da CPI ao novo Secretário Nacional de Segurança Púbica e esse tal de Twister.

Disso ainda não ouvi falar, mas pelo visto tem sabor do Caso Hildebrando de México.

A comunidade de informações dos EUA, por meio de ChoicePoint,  subornaram oficiais eletorais do país e receberam os dados sigilosos de 64 milhões de pessoas no banco de dados eleitoral de México.

Pessoas foram condenadas publicamente por traição  — e receberam multas.

Deu no jornal, até.

Deu até CPI no Senado —  site cortesia de ColdFusion, da Macromedia-Adobe, com dados indisponíveis no momento devido a um laço morto  — e um PL sobre o furto de dados.

Mas só quanto às brechas na segurança de dados de cidadãos norteamericanos.

Fonte: MSNBC.MSN.COM.

Em tese também temos legislação que criminaliza o pagamento de propinas em outros paises. Em tese.

Depois, um site montado pela empresa cunhado do candidato de continuismo apoiado pelo governo dos EUA — cliente do mercadologista do partido de governo na época, Dick Morris — diponibilizou um interface aos mesmos dados.

Deu no CNN Español, ao vivo, utilizando computadores da própria rede.

Deu no Independent na mesma época

Agora, o Twister …

Googleando …

Os Tuites de Twister?

Ora, tem também o plataforma de bancos de dados, Twister, oferecidor por uma empreiteira militar dos EUA que se orgulha de grandes projetos realizado em iniciativas de transformação — a famosa «reengenharia de processos» do consultor Michael Hammer — no Pentágono e a Comunidade de Informações Agregadas …

A razão social da empresa atŕas do sistema é SMSi Partners LLC — razão social relacionada com Solutions Made Simple, Inc.

Solutions Made Simple, Inc (SMSi)
11720 Sunrise Valley Drive, Suite 320
Reston, Virginia 20191
Phone: (571) 323-5730

Não aparece no banco de dados de empreiteiras no orçamento federal até 2008, no qual consta apenas um Twister Group LLC, que forneceu $1.500 em grampos — de papél — e outros produtos básicos de escritório em 2008.

Aparece sim com um contrato de $30 mil para «software de ADP» em outro banco de dados de contratos gederais.

Isso deve querer dizer «application database programming», né?

Solutions Made Simple, Inc. (SMSi) was founded in 2002 as an information technology company focused on solving data integration and data management problems for U.S Government defense and intelligence organizations. The company’s main office is in Reston, Virginia, and as of August 2010, SMSi employees 60 people in the Washington DC metropolitan area. Virtually all SMSi employees have security clearances, most with TS/SCI and polygraphs.

Consta na lista das 5.000 empresas com o maior crescimento da revista INC., diz o site — isso com contratos de somente $13.000 em 2008 e 60 empregados, «quase todos» com credenciais de segurança governamentais.

Acontece: um jeito de driblar a fiscalização é simplesmente reorganizar a empreiteira sob novo nome um pouco antes da divulgação de dados sobre seus contratos.

Você vai correndo, na Junta Comercial, atrás de S/As donos de LLCs donos de S/As patrocinadores de ONGs sócios de LLCs … até ficar tonto e desistir.

Tem conta própria de Twitter — sem atualização desde maio de 2010 –, Facebook e tudo mais.

Quer dizer, a «lenda» completa de sempre nas «mídias sociais».

Oferece a oportunidade de baixar uma demostração do software — mas não fornece o laço prometido.

Foi selecionada como um das melhores empregadores da região pela revista Washington Business Journal, segundo os tuites da empresa.

Chama atenção também aos dois integrantes do conselho consultativo: um antigo ministro auxiliar do Departamento de Defesa e um antigo CTO da CIA. Ou seja, homems acostumaados a um grande poder de decisão sobre investimentos públicos em tecnologia em escala industrial.

Sei Lá Eu

Mas se for o nome sinistro invocado pelo deputado federal brasileiro e o informante do Nassif, sei lá eu!

Voltarei à nota para ver se alguém tiver mais detalhes.

Diagnóstico: divagação totalmente  inconclusiva — tal como o que passa pelo jornalismo de investigação na Editora Abril às vezes, quanto aos casos de dados sigilosos.