O Pinto Nas Nuvems: A Política de Catarse à Brasileira

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Nova e notável:

Fonte: Ontopsicologia | Blogs Abril.

Eu chamo a nota de notável por ser um reflexo de uma tendência marcante mas pouco conhecida dentro da consultoria política contemporânea.

O praticante confesso mais notável da «ontopsicologia« no campo de marketing político bem podia ser o consultor venezuelano J.J. Rendón, que tem como clientes mais destacados o bom e velho Partido Revolucionário Institucional (PRI) de México e a coalizão La U de Colômbia.

Já conchecemos o J.J. — chamado do Novo Rasputin uma vez pela semanária colombiana Semana e o matutino El Tiempo, e se dizendo especialista em «rumorologia» — em nossa nota sobre

Tudo que pode ser dito sobre o assunto resume-se na imagem mostrado acima, anunciando um congresso sobre os uso de imagens no apelo ao inconsciente.

No meio das nuvems, um pinto!

Eu, hein?

É o que chama-se hoje em dia, aparentemente, de «imagogia», a pedagogia por meio de imagens.

A ontopsicologia habita o mesmo nível intelectual de que a programação neurolinguística — que também ensina técnicas do apelo ao inconsciente — mas ainda assim, tem seus adeptos, assim como tinha na Avenida Madison nos anos 1950 e 1960.

Livros mais-vendidos daquela época como Os Persuasores Ocultos — «The Hidden Persuaders –, do sociólogo Vance Packard, denunciavam o uso de imagens subliminares na propaganda de álcool e cigarros.

A prática encaixa-se muito bem, de um lado, com a pedagogia de Rudolph Steiner, pai do metódo Waldorf de pedagogia, e de outro com o marketing de «zumbido» ou «empolgação» — o «buzz».

Um bom exemplo dos métodos dessa escola de propaganda foi a campanha contra o candidato de mudança no México em 2006.

Um vídeo circulava na TV e no YouTube com cortes rápidos entre cenas do candidato fazendo discursos e cenas de velhos documentários sobre os discursos de Hitler.

A trilha sonora era uma música rap barra-pesada do grupo Control Manchete, “Puto” — o coro da qual simplesmente grita repetidamente a mensagem «[ele, você] é filho da puta!»

Só tenho tempo agora para um pano rápido dessa escola de samba no Brasil.

Vamos fazer um censo rápido de interentidades nessa ecossistema, com o blog da Editora Abrindo servindo-lhe de «jornaleiro» central.

wget -rH www.foil.com.br
wget -rg www.psicologiadolider.com.br

Aparece logo em seguida uma galáxia de sites dedicados ao tema.

Vou ter que deixar o assunto lá por enquanto.

Notável, porém, a tendência de deixar campanhas políticas nas mãos de auto-denominados gurus de verdade, enquanto o grande lançamento de Globofilmes do ano trata do Chico Xavier.

Né?

A tendência vem de longa data.

Me lembro de assistir um evento uma vez no Nielsen//NetRatings no qual o palestrante convidado foi um antropólogo que falava de lições aprendidas com os shamãs de Papua Nova Guinea — o poder de «imagens que conquistam a mente inconsciente com a velocidade de percepção!»

Juro. Textualmente.

O condicionamento de Alex no filme Laranja Mecánica parte da mesma premissa.

Desde 1974, este tipo de propaganda é considerado enganoso embora não criminoso pelo FTC, reguladora norteamericana.

A indústria patrocina estudos apoiando a posição de que esta prática nem eficaz seria.

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