«Escola de Propaganda Ensinará Jornalismo»

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Comunique-se relata que a Escola Superior de Propaganda e Marketing acaba de lançar um curso de jornalismo.

A Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) lançou oficialmente seu curso superior em Jornalismo. O lançamento aconteceu no IV Fórum ANER, nesta terça-feira (14/9) em São Paulo.

A ideia foi anunciada em abril deste ano, poucos meses depois da queda da exigência de diploma para o exercício do Jornalismo. Segundo a entidade, o momento é de oportunidade, já que acredita que só sobreviverão os cursos que atenderem as exigências do mercado.

Para mim, se eu fosse rei de todas as mídias brasileiras, diploma de jornalismo emitido pela fábrica de propaganda do Coronel  Golbery seria a mesma coisa que um mestrado em direitos humanos da Escola das Américas.

Seria meio como Lehmann Brothers contratado alguém que cursou o MBA na Universidade Lumumba de Moscou antes da queda do Muro de Berlim.

Eugenio Bucci, uspiano e antigo diretor da estatal Agência Brasil, vem levantando essa bola nas páginas do Observatório da Imprensa e vários seminários e congressos ultimamente: Será que a publicidade-propaganda e o jornalismo não seriam profissões distintas e, já pensou? contraditórias, do ponto de vista ética?

O publicitário zela pelos interesses do cliente, escrevendo e divulgando peças de advogacia que buscam apresentar o cliente na melhor luz possível. O cliente tem todo direito de utilizar esse serviço sob o princípio da liberdade de expressão.  O publicitário não tem obrigação nenhuma de dar o contraditório.

No melhor de mundos possíveis, o publicitário ou propagndista reconheceria a vantagem de zelar pela credibilidade do cliente perante a imprensa, produzindo informações que resistem o olhar crítico do jornalista e assim construindo uma relação de confiança. A grande maioria de  profisssionais com quem eu tenho trabalhado na minha modesta carreira de jornalista trabalham assim.

Na pior hipótese, poŕem, o publicitário e propagandista reduz o jornalismo ao mero Ctl-C, Ctl-V do release. A assinatura do jornalismo passa a servir tão somente como carimbo de uma legitimidade não merecida, símbolo de uma apuração-fantasma jamais feita. O Comunique-se pratica esse tipe de jornalismo quase sempre, por exemplo.

Quando eu quero saber da posição oficial de uma empresa ou outra instituição, assino um serviço que divulga releases. Tem pessoal talentoso produzindo essas informações. Melhor ir direto à fonte que ouvir falar, em forma abreviada e muitas vezes faltando a sutileza do original, de segunda ou terceira mão.

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Mas ai, se tu soubestes da má-fama da palavra «propaganda» em inglês!

Expressão comercial legítimo é «advertising».

«Propaganda» é definida em todos os dicionários como algo sub-reptício, ardiloso, enganoso.

Quando Edward Bernays, sobrinho de Freud, fundou a Associação Americano de Relações Públicas após a Segunda Guerra, foi explícito quando da necessidade de deixar de usar o term «propaganda » — embora continuava defendendo o uso dos mesmos métodos empregados por ele como consultor aos Aliados durante a guerra dentro da nova profissão.

Nos últimos anos, porém, a indústria entrou com um discurso tentando livrar a palavra das conotações negativas.

Quando uma revista alemã divulgou uma matéria criticando os métodos da agência Edelman Worldwide uns anos atrás, por exemplo — cliente âncora: Microsoft — o filho do sócio-fundador falou de um pânico moral «fundamentado em fantasias de Hollywood e um horror ultrapassado de propaganda que remete à Segunda Guerra».

O revisionismo da indústria brasileira nesse mesmo sentido ficou em evidência com a história de relações públicas divulgado pela FENAJ em 2007 — um conto cheio de factóides, distorçoes e as mais puras inverdades. Veja

Chico tinha razão: não existe pecado de lado debaixo ….