Vocês Não Sabem de Dick!

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Aprendi algo essa semana: acompanhando as teleconferências de empresas no setor de saúde na semana passada — um trabalho chato mas alguém tem que fazer.

Foi o seguinte: fora as grandes seguradoras, a reforma de saúde do governo Obama é visto como um chuva abençoada do céu.

A perspectiva de trazer milhões de pessoas dentro de uma sistema antes aberto somente aos assinantes de convênios privados é uma enorme oportunidade,  e grupos de serviços médicos estão ocupadíssimos reestruturando-se para aproveitar ao máximo o novo sistema.

O plano Obama favorece empresas com conhecimento do melhor jeito de entregar serviços eficientemente ao paciente — empresas antes subordinadas ao controle do setor de saúde pelo setor financeiro.

Apesar da fantasma de «socialismo» levantada pelos opositores do plano, a iniciativa continua vindo o setor privado.

Portanto, venda seguradoras e bota a grana em empresas que realmente sabem rehabilitar um coração ou transplantar um rim.

O interessante para mim é observar os reflexos de o quanto a articulação de propaganda tanta contra quanto favorável à legislação era enorme durante o embate histórico — reflexos capturados na «aranhação» que vamos fazendo de propaganda política em rede.

Nunca na historia daqule País havia tantas ONGs de cunho ideológico montada com tamanha pressa para sujar as águas e iludir tantos eleitores! Um exemplo trivial entre tantos outros — acima — é o Healthcare Economist, uma peça de samizdat digital tirando seus argumentos do Instituto Cato.

Como tantas outras campanhas conduzidas na moita, é cadastrada com o GoDaddy, latifúndio de faça-clique oficioso da extrema direita.

Fala-se do PIG — partido da imprensa golpista — aqui no Brasil, por razões históricas bem documentadas, mas a aplicação dessa estratégia à nossa política começa, talvez, com a campanha visando tirar Clinton da Casa Branca.

A campanha está sendo repetida agora no caso de Obama, com campanhas organizadas para denunciar os «crimes hediondos e desvios de conduto» contemplados na Constituição — todas orquestradas pelos interesses opostos às reformas de saúde e o setor financeiro.

Tem outdoors comparando Obama ao Adolf Hitler, explicitamente. O páis pirou de vez.

Agora, o estilo neocon — a frase sucincta do jornalista Luis Nassif para descrever métodos da revista Veja — resume-se no estilo Dick Morris, o General Rommel dessa campanha sem limites visando impedir a passagem e regulamentação da legislação em disputa.

A exploração da rede política no Brasil nesse ano eleitoral acrescenta, como efeito colateral, bastante dados novos sobre a articulação do Grande Dick em rede. Apneas quero anotar o que são para mim algumas novidades.

Acima, a vizinhança de DICKMORRIS.COM segundo os dados colhidos pelo WIRE ultimanente.

Acima, os «hubs» — núcleos? — e «autoridades» da mesma rede.

Entre as autoridades principais achamos a revista cultural de Microsoft, o SLATE.COM, alimentado por agregadores de notícias como NEWSY.COM e NOOZHAWK.COM, além de institutos de pesquisa e o Claudio Humberto gringo, Matt Drudge.

Estou desfrutando hoje uma nova edição do software de diagramação yEd que roda com mais eficiência nessa minha máquina alternativa de 64-bit.

Tenho que abrir o arquivo criado no Pajek com Gephi, salvar a rede como uma «matriz de adjacência» em formato CSV, e finalmente traduzir este em arquivo de Excel para poder brincar com os dados no yEd.

Um saco, mas a gambiarra funciona.

Aplico um análise de centralidade –«betweenness», ou  «entredade», se quiser — e depois um auto-agrupamento dessa rede de alguns 350 nós.

Dou com representante de cada agrupamento o nó com o maior índice de «entredade».

Assim, identificamos alguns sites de maior interesse, tal como

  1. Eu Odeio Al Gore — o ex-vice de Clinton, agora um lobista e diretor de Apple Computers
  2. Vários proprieades digitais de Disney — dono da rede nacional de TV ABC
  3. Opposing Views, ou seja, Opiniões Contrárias, um projeto de jornalismo-cidadão sem divulgação de patrocínio ou responsibilidade;
  4. Global Change, ou seja, Mudança Global, um projeto do Pacific Institute sobre mudanças climácticas e gestão de recursos hídricos
  5. Stateline, um projeto do Centro Pew sobre política estadual
  6. WESTERNJOURNALISM.COM, um projeto de não se sabe quem visando derrubar Obama
  7. Processe o presidente para crimes hediondos e mal-conduto, e afasta-o da Casa Branca!

Palavras de ordem:

The Left hates America because of our belief in God, our belief in rugged individualism, our belief in private property, and our belief in the right to keep and bear arms.

«A esquerda odeia os EUA porque odeia nossa fé em Deus, nosso  individualismo vigoroso, nossa crença na propriedade privada, e porque acreditamos no direito ao posse e porte de armas».

E o direito de exportar armas de assalto ao narcocarteis de México, é claro.

Os blocos representados pelo NOOZHAWK e o Relatório Drudge são os maiores e mais importantes  nesse contexto e compõem um bicomponente forte.

Dá para isolar e analisar os compenentes separadamente. O de Drudge:

«Stop the ACLU» é uma campanha de longa data contra a importante e histórica associação de sociedade civil pela proteção de direitos civis.

Despertou a ira dos neoconservadores desafiando a política de prender e deter suspeitos de crimes de terrorismo sem mostra causa, sem habeas corpus, e sem qualquer acesso aos remédios da justiça civil, por exemplo.

O discurso golpista do movimento Fora Obama! é realmente estarrecedor. No Brasil, é de praxe. A gente está acostumada. Já vimos todos os discursos de ACM no plenário do Senado, antigamente arquivados no YouTube. Ninguém leva-o muito a sério.

Lá em casa, lembra os momentos de filofascismo crescente de quase um século atrás.

Parece que eu virei inimigo do povo americano, muito sem querer.

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