As Verônica: Estudar e Decidir

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Nem tão nova assim, embora continua notável:

Leandro Fortes de Carta Capital conta como, em janeiro de 2001,

por cerca de 20 dias, os dados de quase 60 milhões de correntistas brasileiros haviam ficado expostos à visitação pública na internet, no que é, provavelmente uma das maiores quebras de sigilo bancário da história do País. O site responsável pelo crime, filial brasileira de uma empresa argentina, se chamava Decidir.com e, curiosamente, tinha registro em Miami, nos Estados Unidos, em nome de seis sócios. Dois deles eram empresárias brasileiras: Verônica Allende Serra e Verônica Dantas Rodenburg.

Puxa, se eu tivesse acesso aos dados sigilosos de pessoas jurídicas brasileiras, eu viraria rei do análise de fusões e acquisições dentro de pouco tempo.

Foi meio constrangedor: Fortes depois escreveu uma matéria para o Observatório da Imprensa reclamando da repercussão nula ou pífia dada a sua reportagem original, que na verdade é uma bela peça de investigação.

Uma “falha”no sistema teria deixado os dados abertos ao público. Para acessá-los, bastava digitar o nome completo dos correntistas.

Acho que não bastava, como explico mais por diante. Parece que tinha-se que cadastrar-se no site primeiro.

Falha técnica foi a mesma desculpa, entretanto, dada pela corretora de dados estadounidense, ChoicePoint, em caso parecido que deu CPI no Congresso daquele país.

As pessoas andam dizendo — algo que Leandro não diz — que tivesse sido o maior furto de dados de todos os tempos, com 60 milhões de fichas apropriadas indevidamente.

Mas o vazamento do banco de dados eleitoral de Mexico em 2005 — ChoicePoint pagou propinas para conseguir 65 milhões de cadastros de eleitor, crime pelo qual servidores públicos foram condenados  — foi maior.

Eu tenho uma pequena dúvida sobre a matéria de Leandro, porém: Os dados ficavam expostos a qualquer pessoa, ou apena aos assinantes do serviço?

Acima, o cardápio de serviços oferecidos pela empresa no site como era em dezembro de 2000. O serviço de accesso as informações de crédito é rotulado e rubricado «Novo!»

Acesso é limitado a usuários cadastrados, segundo a página de busca.

Não sei se faz muita diferença, uma vez que, segundo Leandro, o crime consiste na transferência dos dados a terceiros.

A ação do Decidir.com é crime de quebra de sigilo fiscal. O uso do CCF do Banco Central é disciplinado pela Resolução 1.682 do Conselho Monetário Nacional, de 31 de janeiro de 1990, que proíbe divulgação de dados a terceiros. A divulgação das informações também é caracterizada como quebra de sigilo bancário pela Lei n˚ 4.595, de 1964. O Banco Central deveria ter instaurado um processo administrativo para averiguar os termos do convênio feito entre a Decidir.com e o Banco do Brasil, pois a empresa não era uma entidade de defesa do crédito, mas de promoção de concorrência. As duas também deveriam ter sido alvo de uma investigação da polícia federal, mas nada disso ocorreu. O ministro da Justiça de então era José Gregori, atual tesoureiro da campanha de Serra.

É a empresa, pagou o BB pelos dados valiosos? O único ponto que continua um pouco nebuloso diz respeito à transferência desses dados, e o marco jurídico no qual foi feita.

Suponho que terei que aguardar o livro de Amaury, a uma cópia do qual nosso Leandro teve acesso.

Acho que tem um pequeno erro de fato aqui:

Na Decidir.com, em 2000, Verônica S. era diretora para a América Latina da companhia de investimentos International Real Returns (IRR), de Nova York, que administrava uma carteira de negócios de 660 bilhões de dólares.

São milhões de dólares, como consta na biografia oficial da Verônica S. no site de MercadoLibre, o eBay tropical-gaúcho sediado na Argentina, e repetido no site de One Equitty Partners, onde a VS é diretora.

Ms. Serra is the founding partner of Pacific Investments with 14 years of experience making private equity investments in a variety of sectors. Pacific has been the Brazilian investment advisor for One Equity Partners since 2006. Before founding Pacific, she headed the Latin America investments group of International Real Returns LLC. Prior to International Real Returns, Ms. Serra worked for Leucadia National Corporation, Goldman Sachs & Co. and Banco BBA Creditanstalt. She is a member of the Advisory Board of Endeavor Brazil, a Director of Fundação Estudar heading the Endowment effort and a Board Member of Mercado Libre (NASDAQ: MELI) and member of its Compensation Committee. Ms. Serra received her M.B.A. from Harvard Business School and a law degree from the University of São Paulo. Ms. Serra is fluent in English, French, Italian, Spanish and Portuguese.

Corrijo: O Pacific Investments referido acima parece não ser o Pacific Investments fundado pela Verônica S, assim como ela não consta como integrante do equipe. Estou confuso.

Vamos ao EDGAR, banco de dados da SEC, a CVM de lá. Lá, a VS consta apenas como acionista de MercadoLibre, empresa cotada na NASDAQ (NASDAQ:MELI).

Em outras biografias — ela e diretora da revista Forbes também, por exemplo — destaca-se também sua formação em arte e design, segundo eu li.

One Equity Partners divulga que cuida de um fundo de $8 bilhões como contratado exclusivo de JPMorgan Chase. Aí vem os bilhões.

JPMorgan Chase está pronto para tomar controle do Gávea Investimentos, de Armínio Fraga, segundo eu li no Brasil Econômico.

Na cópia do site preservado pelo Archive.org, não dá para chegar à página que trata do preço do serviço, embora na página de cadastro, pode-se ver que a empresa leva o selo «empreendedor certificado» do Endeavor — roxo, énfase meu cortesia do GIMP.

Eu não sabia que o projeto de fomento de empreendedorismo — que tem parceria hoje em dia com a Globo pela produção de programação sobre «empreendedors sociais«, Pequena Empresa, Grande Negócio — veio da tão longa data.

Apoio de mídia do Endeavor Brasil:

Apenas uma anotações nas margens da revista.

É interessante saber que Pacific é o representante do One Equity, que trabalha com exclusividade para JPMorgan Chase. O nexo histórico entre A Casa de Morgan e a Harvard continua ininterrupta em pleno Século XXI.

Que mais podiamos acrescentar?

Fosse a ONG Estudar uma ONG norteamericana, teria que divulgar o formulário 990, explicitando suas fontes de renda — doações e  investimentos, a responsibilidade da Verônica segundo seu perfil.

Seria interessante sabe mais sobre Pacific Investments — um desconhecido de Google, parece — e Estudar.

Pelo princípio de transitividade, pelo menos, podemos concluir que se o (outro) Pacific representa One Equity, e One Equity representa com exclusividade o JPMorgan Chase, então o Pacific Investments da VS representa JPMorgan Chase.


Quado ao Fundação Estudar, serve essencialmente de uma ponte entre as maiores empresas da Bovespa e as melhores faculdades de direito e gestão de empresas dos EUA.

Os dados vem de Navicrawler.

Secundariamente, serve como corretor de bolsas de estudo para uma longa lista de colegios de elite e doadores nacionais e estrangeiros, eu diria — inclusive o Brazil Foundation, filantropia que recebe doações de servidores públicos do governo norteamericano.

No canto inferior, acima, uma boa porção do Novo Mercado.

Como antigo bolsista, seja longe de mim criticar um programa de bolsas para estudos de pós-graduado na Liga de Hedra.

Podia-se perguntar, no entanto, qual a relação da  Revista Escola, da Editora Abril, com a fundação. É quase o unico veículo de mídia achado no órbita da fundação.

Têm convênio parecido com aquilo no qual Abril e Globo comprometem-se a divulgar os programas de fomento ao empreendedor do Endeavor Brasil — outro projeto no qual a primeira filha do ESP toma parte?