“Conspirações Existem”: Os Blogs Sujos Hoje

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Tasso Jereissati atribui a queda de 15 pontos percentuais  nas pesquisas eleitorais ao jogo sujo que estaria sendo praticado nos rincões do Ceará. A oposição tem espalhado que ele, se eleito, vai trabalhar arduamente para acabar com o Bolsa Família.

Fonte: Relatório Reservado.

O remédio é fácil: chamar uma coletiva e assinar um compromisso solene de manter o programa.

Num daqueles inúmeros livros de «pensamento econômico para todos nós» — dos quais sou mal fá — um economista norteamericano chegou a sugerir que as promessas de candidatos sejan tratados como tendo a força de contratos — com o direito de processar se não houver tentativa de boa fé de cumprí-las.

Uma denúncia parecida sobre a tendência de fontes amadores de espalhar informações falsas ou distorcida deu manchete no Portal Imprensa, do UOL, hoje, onde repercute-se a sugestão feita pela Soninha — ex-MTV, ex-PT, e chamado de “jornalista” apesar de ser mais conhecida como apresentadora dos vídeos de Guns ‘n’ Roses  — de que o pane no metrô de São Paulo ontem seria ato de sabotagem contra o candidato contra a continuade do status quo.

Pelo mesmo raciocínio, Pedro Bial, anfitrião do BBB na Globo, é sempre chamado de “ator-jornalista”. Conspirações existem, disse a legisladora com a franja, citada pelo PI.

“Conspirações existem”, afirmou. “Teorias podem ser exageradas, mas conspirações existem. É óbvio que, nos movimentos sindicais, existe simpatia muito forte pelo PT”.

“Não acredito em tanta coincidência. É óbvio. É óbvio”, repetiu para reforçar sua crença em que há relação entre as eleições o caos no Metrô. A jornalista ressalvou que “não é contra todos os metroviários e sindicalizados”.

A insinuação remete ao factóide de 2006 segundo o qual o PT pactuava com as FARC e o PCC para assassinar PMs e assim minar a candidatura de Alckmin.

A Soninha introduziu os «hashtags» #SABOTAGEM, #valetudo e #medo para facilitar a repercussão da denúncia. Ela tem alguns 48 mil seguidores.

A Soninha — eu penso nela como nossa legisladora embora não há representação distrital aquí, pela proximidade do MTV, a antiga TV Tupi, à nossa casa — também divulga a denuncia de desinformação sobre o destino da Bolsa Família sob um eventual reino do tucanato:

O boletim eletrônico do PT da Macro ABC afirma que Serra vai acabar c o Bolsa Família, na cara dura. Um cand. ao Senado pelo PCdoB de AL tb.

Deu também no «blog sujo» do Brasil Confidencial — na verdade um folhetim continuista razoávelmente jornalístico no seu respeito pelos fatos e o contraditório.

Naturalmente, o BC bate na tecla das quebras de sigilo no governo tucano de RS, fato que tende a neutralizar a denúncia do uso político da quebra de sigilo pelo partido oposto.

Eu já conclui faz tempo que a segurança de dados sigilosos do cidadão brasileiro é uma piada generalizada e deveria ser tratada de maneira apartidária com legislação e regulamentação menos frouxa.

Apesar de informações ao contrário, parece que «a hora da virada» realmente virou o eslogan oficial da segunda fase da campanha anti-continuismo.

Acho que foi a Soninha que foi citada nos jornais negando que haveria mudança na palavra de ordem da campanha — «O Brasil pode mais» — com a chegada do consultor Ravi Singh, guru do «poder do turbante».

A Saída do Turbante

Estou vendo no Google News, aliás, que perdi a saída de tal autodenominado guru:

“Durou exatamente 1 mês o trabalho de consultoria de Ravi Singh para José Serra. Singh, que foi contratado pela Talk Interactive, que implementou na internet a campanha, nao está mais no Brasil. Além de mudar o slogan da campanha tucana, trocando ‘O Brasil Pode Mais’ por ‘É Hora da Virada’, também foi dele a estratégia de tirar do ar, nos dias 28 e 29 de agosto, os principais sites… Nao deu certo”. Comenta o Toda Midia que, dias atrás, segundo o Panorama Político de Ilimar Franco, o marqueteiro americano de origem indiana, contratado por sugestao da filha de Serra, teria perguntado, em reuniao – “Por favor, o que significa FHC?”.

Novas informações sobre uma notícia ultrapassada: Singh trabalha no Election Mall, de Microsoft — portanto, talvez, a fracassada migração do site Serrista de Apache para IIS7 — e trabalhava aqui no Brasil com a agência DDBR Democracia Digital Brasil, junto com a Soninha.

É dito que a Verônica S. indicou o indiano-norteamericano. Da empresa citada, DDBR, não estou achando nenhum rastro. Ah, não, no DOU dia 17 de setembro:

10/062138-4 Democracia Digital Brasil Comunicacao Ltda

Aparece na AgenciaNet, do Ministério da Fazenda como uma «empresa participante disponível»:

DD/BR / DEMOCRACIA DIGITAL BRASIL COMUNICAÇÃO LTDA
SETOR COMERCIAL NORTE QUADRA 05 BLOCO A Nº 50 SALA 602
Ramo Comercial: PUBLICIDADE, FOTOGRAFIA, FILMAGEM DE FESTAS E EVENTOS E MICROFILMAGEM
Início obrigatório em 01/03/2011
Início facultativo, a critério da empresa, em 01/10/2009

A TV1 funciona no mesmo endereço — um grande shopping, seja dito. Cliente incluem Microsoft, Discovery Channel, Brasil Telecom,  Abril, ESPM, SESC-SP e São Paulo 450 Anos.

Produzia minidocumentários na série Criança Esperança, veículadas antes do Jornal Nacional.

É isso. A Globo exibe peça publicitárias como se fossem reportagens.

A Volta da Decencia

Até entreouvi outro dia o candidato Serra desenterrando o eslogan de 2006 — «Por Um Brasil Decente». Tecnicamente falando, a mistura de mensagens desse jeito é sinal de confusão dentro da campanha, e tende a confundir o eleitor.

O Ciberserra hoje bate forte na tecla da alegada ameaça à liberdade de expressão representada pela fustigação que a imprensa nacional vem recebendo do presidente da República. A mensagem é reforçada pela Soninha:

Demagogia é ainda pior que corrupção, porque é uma desonestidade com jeito de boazinha/coitadinha

Hein? Para mim, a pior desonestidade é aquela que tira dinheiro do erário público. Ponto final. Discurso é barato.

Como aforista, a cabeça-falante do MTV jamais terá os ditados colecionados como foram os pensamentinhos do grande Millor, no indispensável e imortal Bíblia do Caos.

Entretanto, a candidata de «continuar mudando» — quem pensou naquele eslogan merece promoção — destaca hoje o apoio de evangêlicos e um pedido pelo promotor eleitoral de que o candidato opositor deponha sobre eventuais provas da denuncia sobre a quebra de sigilo da Verônica S.

Estavamos outro dia na PF, entregando documentos no meu processo interminável de permanência, quando a Verônica estava lá para depor no caso dela. Clima de circo, furgão da Globo em toda parte, embora o depoimento não deu muita notícia.

Não tenho tempo de dizer muito hoje sobre a evolução da campanha, apenas que os boletins dos candidatos principais bem podiam ser produzidos pela mesma agência de propaganda … salvo que o folhetim da campeã de «continuar mudando» não vem salpicado com todo que é colunista política daqueles — a gente fala dos «chattering classes», ou seja, «a turma do nhemnhemnhem».

Opino que se a fustigação da imprensa brasileira virou uma tática altamente eficaz, é da culpa da imprensa brasileira. Meio óbvio, isso.

Uma redatora graúda da Folha foi citada nas páginas da imprensa dizendo textualmente que se a oposição se encontre enfraquecida, por não ter jeito, seria o dever da imprensa dar uma força para restaurar o equilibrio.

Fiquei boquiaberta.

Aponto com orgulho que eu não tuito faz duas semanas.

Agora, se eu pudesse dizer a mesma sobre o cigarro.