A Globolização da Forbes e o Imperio de Spam

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Deu no DailyFinance: para inaugurar um novo visual, a revista Forbes publica capa anti-Obama escrita por um dos mais aguerridos guerrilheiros neoconservadores.

A materia chega a ser chamado por blogueiros da propria revista de puro lixo.

A materia, na qual Dinesh D’Souza argumenta que o Obama herdou um preconceito anti-colonial e anti-empresarial do seu pai, provocou denuncias que vinham ate da Casa Branca, onde o portavoz Robert Gibbs o chamou de «a mais baixa de baixarias». Forbes disse ao Washington Post que continua a apoiar a materia — um atitude não compartilhado de maneira universal dentro da propria revista

D”Souza e um pensamentologista de carreira dos «think tanks», egresso do Instituto Hoover de Stanford. — monumento ao presidente que presidiu a Grande Depressão.

Um redator da revista libertaria Reason, um dos blogueiros da revista — os blogs são uma novidade no site dela — alega a divulgação de « fatos inveridicos» e chamou a materia de «doidice intelectual».

A alienação do autor do movimento conservador maior — entre paleos e neos — começou com um livro de 2009 chamando o que passa pela esquerda norteamericana do «inimigo interno» —The Enemy at Home — responsavel pelos atentados do 11 de setembro.

O artigo de Forbes foi uma previa promocional do novo livro d’Souza, «Obama: As Raizes da sua Raiva».

Um empregado de Forbes, revisor e critico de livros, chamou o artigo de … . aqui a tradução ficou difícil … «estupifardiamente burro, uma bomba terrorista quase-racista sem qualquer retidão ou integridade intelectual».

Segundo a nota no diário financeiro, o novo executivo-chefe de conteúdo, Lewis D’Vorkin, pretende fomentar esse tipo de discordância interna com a novamente adquirida rede de blogs True/Slant — ou seja, «Verdade/Viês» — que deve fornecer a revista com o plataforma do seu crescimento digital.

O artigo não aparece mais na pagina da revista, salvo como a oitavo artigo mais lido-comentado da semana.

Um presidente que botou $700 bilhões no resgate de bancos beirando falência pode ser dito antipatico ao setor privado?

Eu, entretanto, passei a semana passada lendo relatorios de grupos de saude que estão salivando com a perspectiva de apanhar os 11 milhões de consumidores que vão entrar no mercado, consumindo mais serviços, por causa da reforma de saude.

As reasseguradoras de Bermuda estão infelizes, mas vão sobreviver. Ao final, o governo não vai estatizar os convênios medicos privados. Vai fazer com que Medicare concorra com eles.

Não e injusto por si so especular sobre a influência da formação de alguem sobre seu pensamento, seja dito. Eu, por exemplo, confesso que favorecia a reforma da saude por ter passado por uma doença seria sem seguro medico algum, nos anos 1980.

Em vez de passar por uma cirurgia que sarava a condição em poucos meses, passei por um tratamento quimico mais barato com duros efeitos colaterais que durou quase dois anos. Foi um pesadelo.

Gestão de Reputação

Recibo um convite do IAB Brasil — sou assinante — para aprender mais sobre o crescente setor de «gestão de reputaçãzo».

Tambem no correio de hoje, o boletim da SIFMA — o lobby dos bancos de investimentos e emissoras de titulos — traz noticias, cortesia da Lexis-Nexis, de um esquema de gestão  de reputação dos mais doidos.

Vou resumir.

Um programador foi condenado por ter divulgado um virus que infetou 100 mil computadores, tomou controle deles, e mandou as maquinas atacar sites que mencionavam seu envolvimento em um escândalo decorrente do hacktivismo dele.

Ele tinha trabalhado num projeto chamado Justiça Pervertida, que identificava pedofilos na internet e armou uma arapuca midiatica para eles.

Chegando ao que achavam ser um encontro sexual com menores de idades, marcado pela Internet, os acusados foram emboscadas por um reporter da rede de TV NBC, e acabaram presos em rede nacional no horario nobre.

Este programador deu-se mal com o fundador do grupo e começou a falar mal dele, do projeto e da NBC.

O fundador se vingou armando, pela internet, um encontro amoroso com uma mullher — adulta e ficticia — no aeroporto de Newark. O programador apareceu, prometendo largar a sua mulher para ficar com Holly.

Foi então que ele armou o esquema de «botnet», visando apagar paginas fazendo menção do episodio.

A tecnica mais utiilzada, embora menos sofisticada, e invadir a pagina de Wikipedia sobre você ou sua empresa e patrulhar o conteudo com redatores anônimo-roboticos, apagando ou minimizando eventuais criticas.

Batalhões de Tanques em Campo Aberto

Se este configura um exemplo da guerra assimetrica de informaçãos, a briga entre o Jorna do Brasil e a rede Bandeirantes seria o confronto tradicional em campo aberto entre batalhões de panzers e artilharia pesada.

Lembra a famosa fala do dono do matutino El Espectador de Colômbia, em uma biografia não-autorizada escrita por um reporter do El Nuevo Herald de Miami:

Jornais são como revolveres. E bom ter alguns a mão quando chegar o momento de abrir fogo.

Alem das reportagens sobre o endividamento de ambas empresas e os editoriais venenosos, ambos os orgãos respeitados da midia brasileira alegam ser alvos de ataques de hackers.

E o endividamento de cada um? Trata-se de um fato relevante ao meu trabalho. Mas ha barulho demais para ficar sabendo de algo solido.

Mentiras, Mentiras Malditas, e Pesquisas de Opinião

Das três maiores pesquisas, duas apontam uma vitoria no primeiro turno de Geraldo Alckmin, ex-governador aproveitando o palanque de mudança, vai saber.

A terceira, a Vox Populi — cujo diretor aparece bastante na mídia alternativa como comentarista de tendências politicas — aponta crescimento suficiente da campanha de Mercadante para forçar um segundo turno.

Julgando pelas respostas do meu grupo de foco — 100% petista, sendo composto tão somente da minha mulher — o Mercadante sofre de duvidas quanto a uma suposta falta de perfil como homem publico de peso, enquanto a repetição de um governo Alckmin fica impensável.

Mais uma vez, eu não entendo como um partido no meio de um crise exacerbado de identidade pode lançar candidatos perdedores em outras eleições, com fama de caciques de um partido que veda previas internas para escolher a sua chapa.

Recebemos folhetins de deputados federais e estaduais do PSDB que vem com bons argumentos e a imagem de jovens idealistas, geralmente advogados, que parecem sinceros no desejo de ver a coisa publica bem administrada. Bote aquela rapaziada, são simpáticos. A coisa não pode piorar.

O Gênero «Xô, X!»

Fica difícil saber quem anda vendendo meu e-mail para os bandeirantes do spam.

Tenho uma estrategia não muito rigorosa: Dou nomes diferentes quando me cadastro num site — C. Brayton, C.E. Brayton, Colin E. Brayton, Colin Edwards, C. Edward Brayton, Braytonio Banderas, Frei Braytô, ou que seja — para ver se a mesma variação aparecesse nos spams, identificando o Judas.

( Recebi um spam outro dia argumentando que não fosse spam porque compraram meu endereço de uma empresa, pelo visto, que prometeu não fazer uso comercial das minha informações. Eu, hein? O laço para apagar meu nome da lista não e valido.

Me desculpem, mas esse tipo de coisa faz com que o Brasil ganha fama de um pais de vigaristas — o setor informatizado da sociedade, pelo menos. )

Me esqueço de qual nome dei para qual interentidade, porem.

Devo fazer uma planilha e começar de novo com conta de e-mail virgem.

O spam mais atrevido de hoje vem de um serviço chamado de KickApps.com.

Menciona como clientes empresas como a rede de televisão australiana de Rupert Murdoch, ligas profissionais de esportes, as revistas PC e National Geographic, e jornais regionais.– alem de Microsoft e Intel.

A mensagem requenta a demonização do Bispo Macedo ja ouvida tantas vezes, essa vez sob o titulo «Xô, Crivella» — variação de campanhas como «Xô, Sarney!» e «Xô, CPMF!» Todos os velhos videos que estavam no YouTube em 2006.

Suspeito, sem provas — como disse o candidato anticontinuista recentemente — que os DEM sejam o partido de Xô!

Veio no exato momento do endossamento dos evangélicos a campanha «continue mudando».

E a IURD?

O Bispo seria o Sun Myung Moon do Brasil?

Impossível saber.

Fora uma reportagem de capa da Carta Capital uns dois anos atras, que não poupa a Igreja mas pelo menos aplica a peneira ao joio, a cobertura de uma das instituições mais relevantes do Brasil contemporâneo fica totalmente distorcida pela briga Globo-Record — Tradição, Família e Propriedade Fazendo o Opus de Deus contra o Evangelho de Mobilidade Socioeconômico.

Todo Mundo Menos Eu!!!!!!

Para Cesar Maia — sou assinante, e parece que não vendeu meu endereço, pelo qual o agradeço — o caso de Erenice & Filhos expõe a falta de controle interno que aflija o Brasil sistematicamente a cada nível do governo — federal, estadual, municipal.

Não faz um moral incabível por inteiro ao conto de fadas, se não fosse que haveria uma única exceção em todo o Pais — a prefeitura de Rio quando ele era prefeito.

Ou seja, durante a ascendência das milícias.

Vocês falam de cara de pau.

A gente fala de culhões de aço.

Sanguessugas do Noticiario

E por final, uma nota meio escandalizante sobre um discurso recente por um executivo do Washington Post — encouraçado maior da frota norteamericana de jornalões que aguardam os torpedos dos Almirantes Yamamotos da nova mídia.

Da o site Huffington Post como exemplo de “agregadores parasiticos” no trabalho jornalístico dos equipes de profissionais que gastam a sola dos sapatos apurando as noticias.

Eu dou-lhe certa razão — e meio obvio, isso — mas também dou certa razão a grega Arianna, que houve no Brasil recentemente,  festejada como genial do século XXI.

A simbiose entre a Nova e Velha traz beneficios mutuos ao parasita e ao hospede.

Não e por outra razão que o portal G1, da Globo, figura tanto entre o universo de samizdat digital de Google Blogsearch quanto entre as fontes do Google News. As fronteiras ficam borradas.

Cabe observar, porem, que o executivo levanta a possibilidade de sites como o Huffington Post começar a produzir mais reportagens originais, e diferencia os «latifundios de conteudo» de projetos serios de jornalismo digital.

De fato, o site acaba de contratar o jornalista econômico Peter Goodman do New York Times, alem do correspondente veterano do falecido Newsweek, Howard Fineman.

Traduzo preguiçosamente.

Ainda mais problemáticos que os agregadores são os «latifundios de conteúdo», no qual escritores freelance são pagos uma marreca para produzir artigos com informações sobre vários assuntos para motores de pesquisa e outros sites de audiência de massa no qual o conteudo e gerenciados por algoritmos no lugar de redatores humanos. Os artigos são triviais e de qualidade duvidosa, tanto que nem merecem o nome de jornalismo.

Eu assinei, por curiosidade, um desses moinhos de conteudo, Textbroker.com. E uma zona de baixa meretrice.

Um contraste dramático e fornecido pelo numero crescente de sites noticiosos especializados que contratam profissionais  para fazer cobertura de assuntos estreitamente enfocados, tal como negócios, regulação, industrias especificas e politica, para leitores dispostos a pagar um prêmio para informação de qualidade e que atraem anunciantes querendo almejar esse tipo de leitor.

Espero que tenha razão. Meu cliente mais importante nos últimos anos trabalha com essa hipótese, e esta dando certo, que eu saiba. Vai fundo em assuntos escuros como a fusão e aquisição de engenhos de cana operados pela mesma família desde a Capitania. Um dia, pode virar relevante!