Town Hall: A Casa Que Abramoff Construiu

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Opa, amigos brasileiros!

Venho hoje — estando com preguiça demais de fazer qualquer outra coisa — dizer que seu escândalo da alegada firma de sub-reptícia de Erenice Guerra & Filhos — fato ainda não comprovado —  não me está impressionando muito.

Imagina, por exemplo, que você fosse sócio de um dos maiores fundos de investimento no mundo, altamente investido da indústria bélica dos EUA e OTAN.

Acontence que seu filho é o presidente dos Estados Unidos e pretende lançar uma guerra na Oriente Media.

Consultores e empregados de empreiteiras nas quais o fundo tem participação aparecem na televisão, ditos especialistas no risco de guerra. Não divulgam o contrato de consultoria ou emprego.Indignadas, as redes de televisão os demitem. Tarde demais.

Todos dizem que o pais-alvo tem uma bomba nuclear para cada dia da semana em cada banheiro de cada palácio daquele bigodudo que a gente apoiva conta o Irã nos anos 1980s.

Com certeza! Está na hora de renovar os estoques de aviões não-tripulado! Vamos vencer essa bagunça sem derramento de nem uma solitaria gotinha de sangue por nosso lado! O pais será a Ucránia da região até 2005!

Eu, hein?

Agota, eu fiz um certo alarde outro dia sobre a afinidade electiva do blogueiro Ângelo da C.I.A. — blogueiro do Instituto Milllenium —  para o Red State e o TownHall.com, núcleos da máquina de propaganda do chamado movimento neoconservador.

Deixei, porém, de explicar porque essa afinidade pode ser visto como algo ruim.

Town Hall, alias, é um nome tão redolente de comunidade e democracia participativa, em primeiro lugar.

Não é? Foi no Town Hall de Nova York que eu assisti um show inesquecível de Rita Lee faz alguns anos. A Rita arrasou.

Como explicar. Aciono a CmapTools — uma otima ferramenta se você gostar, como eu gosto, de pensar fazendo — e comecei a recolher alguns dados sobre a historia do  projeto..

Apos uma horas de conferir com fontes, acabo com um dos meus famosos «pratos de linguine», mostrando relações de patrocínio, parceria e outros modos de influência nas quais a interentidade  vem embutida.

É mais ou menos o seguinte.

Em 1985, o lobista Jack Abramoff e o tenente-coronel Oliver North, que presidia o Conselho de Segurança Nacional dentro da Casa Branca, reuniram-se no encapamento dos rebeldes Angolanos, liderados pelo Jonas Savimbi.

Também presentes foram guerrilhas anti-communistas de Laos, os Contras de  Nicaragua, os mujahedin de Afeganistão, e a polícia secreta de África do Sul.

Formaram o que seria chamado do International Freedom Foundation.

Durante o período 1985-1992, receberia $1.5 millhões por ano do governo sudafricano, que com isso pretendia ligar o carro da sua luta com o ANC ao locomotivo do anti-communismo geral daquela época. Todos os envolvidos sempre negava conhecimento da procedência dos fundos.

Com Abramoff no papel de mestre no levantamento de fundos, continuavam em atividade até o fim do segundo mandato  de Reagan e o desfecho do affaire Irã-Contra.

Durante aquele tempo, o braço de lobby dessa organização-fachada, junto com a Fundação Heritage, participou na fundação do Town Hall, que inovou, de verdade, ao lado do famoso MoveOn.org, na mobilzação partidaria pela internet em 1996.

Logo em 2001, o Bush Pai nomeou uma colunista do blog —  Linda Chavez — Secretaria de Trabalho.

Ela tirou seu nome de consideração quando apareceu que empregava uma imigrante guatemalteca como trabalhadora domestica.

Ele insistia que a mulher trabalhava na sua casa, sim, e que ela dava-a dinheiro, mas que o dinheiro não havia nada a ver com o trabalho.

Citou o grande shibboleth dos caidos dos anos Bush — culpando “a politica de destruição pessoal”

Em 2004, lançou o livro «Traição: como lideranças sindicais extorquem trabalhadores e corrompem a politica»..

No entretanto, o tenente-coronel daquele confabulação de Angola tinha sido condenado por testemunha falsa e obstrução de uma investigação do Congresso naquela merda toda do affaire Irã-Contra.

Hoje, ele trabalha como pacato radialista sindicado na rede de 1.100 estações da Salem Communications, alem de colunista sindicado do TownHall — comprado por Salem em 2003.

Sala de Espelhos

A fundação Heritage fez duas coisa interessantes nos meados dos anos 2000.

Primeiro foi a cisão do TownHall, antes um projeto isento de impostos — sob o famoso Parágrafo 501(c) — da fundação, que agora virou uma empresa de midia, com fins lucrativos, independente.

Na mesma época, a Heritage fundou outra empresa de fins lucrativos, essa vez da propriedade da fundação, chamado de Heritage New Media Partners, Inc., agência de propaganda digital fundado por um ex-executivo e consultor de Reuters e Thomson Financial — agora fundidas.

Reuters continua o patrocinador  — assumido — mais importante do projeto Global Voices Online.

Esta firma, por sua vez, fundou uma ONG, isenta sob as provisões de 501(c), chamado da New Media Alliance.

Quem seriam os aliados dessa aliança, sei lá.

Evitam divulgar.

Entretanto, o HNMP, Inc. — o unico cliente divulgado do qual é o Alliance Defense Fund , tipo um anti-ACLU que defende casos de «perseguição religiosa» — faz uma promessa aos clientes que tem que ser lida varias vezes antes de cair no que importa.

Through our companies, services, partnerships and publications, we successfully integrate our network of resources within the new-media, such as blogs, ezines, writers and activists with established issue based organizations and traditional media outlets.

«Por meio de nossas empresas, serviços, parcerias e pubilcações, conseguimos integrar nossa rede de recursos dentro da Nova Mídia tal como blogs, ezines, autores e ativistas com organizações de advogacia estabelecidas e veiculos da mídia tradicional.»

Mais que isso, eles se definem em outro lugar como «um único ponto de entrada capaz de levar sua mensagen para todo que é mídia, tradicional ou nova» — desde latifundios de blogueiros anônimos prontos para inundar o ombudsman com «conteudo» até os programas de entrevistas das grandes rede nacionais, domingo de manhã.

São reis da reportajabaganda.

Todos salvo o Abramoff, condenado por montar uma esquema de caixa dois de verdade — nada desses mensalões pífios do Brasil, que nem trilhões consegue jogar na mesa de poquer  — no qual extorquia tribos de indígenos querendo entrar ou ficar no ramo de cassinos para montar a mãe de todos os «slush funds», beneficiando correligionários da Revolução Reagan-Gingrich.

Serviu 42 meses de uma sentença de seis anos e está cooperando com as autoridades em casos de corrupção, como condição da sua liberdade.

Não sei não, mas eu não teria enfarte se eu ficasse sabendo que os clientes da agência da fundação são os mesmos doadores da fundação. So o futuro dira. Bote a música-tam dos Arquivos X.

Eu sempre penso, nessa conexão, do caso de Dawn Eden.

Militante anti-aborto infiltrada como simples revisora-estagiária do New York Post — do qual foi demitida por ter contrabandeada  mensagens radicais nas manchetes e chamadas do jornal — virou uma herói da direita religiosa em vez de uma desgraça e um aviso à profissão de jornalismo.

«Dawn Eden» — certamente não e o nome na certidão de nascimento dela — foi vislumbrada ultimamente sendo entrevistada no noticiario matutino da rede MSNBC, promovendo seu novo livro sobre abstinência sexual — publlicado por um editora empresa-irmã dentro do General Electric.

Na verdade, entretanto, o site da New Media Alliance não passa de um agregador de noticias recolhidas de fontes ideologicamente comprometidas, notavelmente Fox News, Newsmax e outros projetos de mídia levando o imprimatur inimitável de Dick Morris.

Mais para encurtar o relato: o TownHalll é fruto de um esquema criminosa de longa data visando subvertir a ordem constitucional e executar uma pollitica externa paralela e clandestina, pelo beneficio de clientes corporativos do Grande e Velho Partidão.

A evolução da sua razão social tipifica o método de construir labirintos jurídicos — uma ONG dono de uma S/A dono de uma ONG dono … — para ofuscar o fato de que empreiteiras militares estão tomando conta da república, apoiadas em campanhas de guerra psicológica contra a própria cidadania em escala industrial.

Chame-me de noia se quiser, mas repito:

Estamos vivendo uma nova idade do zaibatsu, e suspeito que historiadores do futuro dirão que o Cafofo de Bill foi sua Casa de Mitsubishi.

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