O João Kleber de Brooklyn e a Câmara Escura de Umberto Eco

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Um grupo radical da minha amada Brooklyn ganhou notoriedade durante a eleição de 2008, entrando em escritórios do grupo comunitário ACORN travestiados de cafetões e putas,. que pediam conselhos dos empregados presentes sobre como lavar dinheiro e montar um bordel.

Gravavam tudo na moita.

Lembrou o filme BowfingerOs Picaretas no Brasil, El sense-vergonya em Catalunha — onde um produtor, que não pode pagar o salário de um grande ator para aparecer no seu filme, encena o enredo do filme na vida real e filma as reações naturais do ator.

O candidato John McCain chegou a afirmar que o ACORN estava planejando um golpe de estado por meio de fraude eleitoral.

Agora, segundo CNN, o grupo repetiu a manobra na tentativa de desmoralizar uma repórter da própria rede.

Curiosamente, na reportagem, a CNN chega a afirmar que o incidente anterior levou ao desmantelamento do ACORN, que cadastra eleitores e promove políticas públicas favorecendo as classes C, D, e E urbanas.

Como o voto é facultativo, organizações como ACORN visam aumentar  a participação dos mais pobres.

Muitas das práticas mais escandalosas dos últimos anos envolvem tentativas pelo GOP de impedir essa participação — fato lembrado pela tentativa recente de obrigar o eleitor a apresentar dois documentos.

Um exemplo famoso foi a negaçao do direito de votar a pessoas — principalmente afrodescendentes, tradicionalmente eleitores dos Democratas — com o mesmo nome de pessoas condenadas por crimes em outros estados.

Assim, John Smith chega e eles dizem, “Você foi condenado por  assalto em Michigan, não pode”. O condenado de Michigan é branco. Nosso João Ninguém é negro.

Do fim do ACORN, entretanto, eu não sabia. O site do grupo continua no ar, mas sem atualização desde o desmentido das alegações.

Várias fontes de Google News confirma: O grupo deixou de existir, juridicamente, em abril desse ano, embora se reorganizou sob novo nome e continua em atividade.

Os militantes atrás estas táticas são os irmãos Breitbart, de Brooklyn, ligados com a extrema direita israelense.

Diz CNN:

Um militante conservdor conhecido por gravar vídeos clandestinos pretendia constranger uma correspondente da CNN pela gravação com câmeras escondidas de uma reunião ao bordo de um «bordel flutuante», fazendo comentários sexualmente sugestivos, segundo mensagens de correio eletrônico e um documento de planejamento.

James O’Keefe, conhecido pelos ataques contra ACORN utilizando uma armaçao de gravação clandestina, esperava convencer correspondente investigativa Abbie Boudreau a bordar uma embarcação cheio de objetos sexualmente explícitos e depois gravar a reunião clandestinamente, segundo estes documentos.

Boudreau foi avisado poucos minutos antes do começo da armadilha.

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O interessante é como os escritos e gravados do «jornalista-cidadã de pijamas» Breitbart — de Brooklyn sim, de Brooklin não — chegam a ser repercutidos no Brasil pelo latifúndio de blogs Verbeat — do latin, “deixou-o ecoar” — hospedado pelo Locaweb e assinado por Leandro Gejfinbein de Rio de Janeiro, o gerente de arquitetura de informação do Globo.com.

Também conhecido como XTREMEPAGEFUCKER.COM.

Ele é egresso do Grupo Publicis, entre os três maiores multinacionais de propaganda presente no Brasil. Começou na agência Aldeia — premiado recentemente por seu trabalho no GISELEBUNDCHEN.COM.BR.

Uma atravessada rápida sugere que o Verbeat seja muito, muito verde — um núcleo lusófono de ambientalismo internacional.

Descubri que dá para gerar um arquivo XML que representa a estrutura desvendada pela aranha.

Interessante. Resultados limitados a VERBEAT.ORG como ponto de referência.

Começo Sem Fim

Estou sem muito tempo de discorrer e pesquisar hoje, mas ultimamente estou cada vez mais interessado nesse tipo de Tríplice Fronteira virtual, e estes grandes latifúndios de samizdat digital — LSDs — que funcionam como despachantes nas alfândegas de ideias, enganando os motores de pesquisa.

Recentemente, por exemplo, o LSD Tumblr começou a hospedar os blogs oficiais da revista The New Yorker e outros títulos da editora Conde Nast.

O New York Times está no Tumblr agora, oficialmente, embora não ser ativo desde marcar a presença lá.

O LSD SKYROCK.COM, como vimos em nota anterior, hospeda centenas de milhares de blogs — muitos gerados por algoritmo, a julgar pelo grande número de URLs que seguem um padrão como, digamos, XXX–TEXTOALEATORIA69–XXX … São legiões de fantasmas.

A moda hoje em dia é de multiplicar sua interexistência quanto mais possível.

Um caso que pegou minha atenção recentemente surgiu de um análise do Millward Brown Brasil, aquela parceria WPP-IBOPE — IBOPE sendo o minoritário, que eu consigo saber — que me parece um dos negócios mais subestimados de tempos recentes.

O matriz da agência de pesquisa e mercadologia, integrante do grupo WPP, mantem um blog, na vizinhança do qual achamos um latifúndio de giro de conteúdo simplesmente enorme.

Chama-se de SPHINN.COM — foro de marketing e propaganda na Internet montada pela agência Third Door Media, Inc.

O Site Explorer de Yahoo! contabiliza 166 mil páginas no site e um pouco além de 14 milhões de citações por outros sites.

Eu o classificaria como um LSD.

Ora, tenho que parar aqui.

Deixe-me só dizer que estou numa fase de tentar identificar portos e despachantes que facilitam este comércio entre Tio Sam e o Gigante Pela Própria Natureza através de uma Tríplice Fronteira digital.

Eu tinha alguns análises do blog de Tiago Doria, por exemplo, mostrando ele como um despachante importante de conteúdo feito para inglês ver, e depois empacotado e reaproveitado para Tupy e Not Tupy igualmente. Aproveitando a reciclagem, não cria-se tanto conteúdo único e original quanto antes. Bem verde.

Também tinha algo a dizer sobre o componente brasileiro da rede de Millward Brown.

Mas tive que reinstalar meu sistema ontem — Debian 5 é o melhor de longe para minhas necessidades — e parece que perdi os infográficos.

Vou tentar recriar — mais depois. Ocupado.