Com Razão, O Estadão

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O Estadão teve razão ontem.

Eu guardei a manchete para ver se seria motivo de admiração ou de piadas prontas. Pode notar que a manchete foi colhida em Puppy Linux, eu ficando com pobremas com o teclado e rato PS/2 da minha nova máquina. Cheguei a ser obrigado a fazer uma cirurgia para reinicalizar o BIOS, manipulando o chip CMOS. Que aventura! Em fim, a mudança de uma linha de código no xorg.conf concertou tudo.

Agora, o rápido crescimento da Marina, que ficava sem vento na vela por muito tempo — no começo a campanha foi objeto de piadas por ter fracassada numa tentativa de pedir doações pela internet — é muito interessante.

Segundo eu li, o Movimento Marina acabou sendo a campana mais cara de todas — R$13 milhões.  Tenho que confirmar. Esqueci-me de onde li isso. Onde pode baixar as contas das campanhas? Aqui no TSE.

De fato, o PV relatou em agosto — útlimo mês com dados disponiveis — um saldo de R$ 18.6 milhões.

O PT, R$ 162 mil,  embora com despesas de R$ 5.6 milhões de campanha, R$ 1 milhão do qual por propaganda.

O partido do vice, o PMDB, R$ 62 milhões. O PCdoB estava endividado e pensando em leiloar o bigode de Aldo Rebelo no MercadoLivre..

Os DEM, acima de R$30 milhões. O PSDB, R$ 67 milhões. O PPS, R$ 298 mil.

Agora, enquanto as outras campanhas alcançaram seu nível e ficou lá, Marina cresceu quase 10 pontos dentro de pouco tempo.

Como explicar isso? O efeito de escândalos é a explicação padrão nos jornais de hoje.

Estou cético enquanto essa teoria.

Sempre havia um certo grau de coordenação sub-rept[icia entre as duas campanhas anti-continuistas, me parece — além do óbvio caso de Gabeira e o PSDB de Rio — que, para tucanos,são uma turma respeitavel. O desempenho enganador me levou a subestimar a sinergia, porém.

Pensei várias vezes de uma estratégia de divide et impere,  mais não levei-a muito a sério porque a campanha Verde ficou tanto tempo na moita, aos 10%;.

Subestimamos a Onda Verde, então — ou como a última mensagem do Time45 disse, a onda verde e amarela.

A construção da imagem dos Verdes — pregando responsibilidade empresarial, créditos de carbono, e todo mais, e pegando bastante ímpeto do maré alto de propaganda colateral pela nova Economia Verde — tinha sinergias com o estilo «imprensa amarela» — vocês chamam-na de «marrom» — dos PSDB-DEM-PPS.

A guinada verde repentina dos Marinhos e Civitas deveria ter sido levado mais em conta, talvez.

Os 20 milhões de votos conseguidos foram impressionantes e fala bem do idealismo do eleitor brasileiro — minha mulher, petista incorrigível, é apaixonadmente verde com v minúsculo.

Mas uma história Davi e Golias não era, exatamente. A bancada Verde no Congresso continua minúsculo, por exemplo.

Meu chute é que Marina é Davi e a máquina partidária construída com ela no papel de garota de propaganda é o Golias.

O Nassif aponta hoje dicas gerais sobre o posicionamento de militantes que sugere isso.

Uma parte dos assessores próximos de Marina, filiados recentemente ao partido, defende a ideia de que ela se mantenha neutra, sem declarar apoio a nenhum dos dois candidatos. Por outro lado, integrantes da direção nacional do partido querem o alinhamento com Serra. Um deles é o presidente da legenda, José Luiz Penna. Essa atitude seria natural, do ponto de vista dela, considerando que em alguns Estados, como São Paulo e Rio, PV e PSDB já são aliados.

Eu li as respostas no foro «Que deve fazer Marina no segundo turno» e tive a mesma impressão.

Um comentário sintomático, eu achei:

Marina para presidente do PV!

Tenho simpatia pelo sentimento. Tantas vezes na política moderna o candidato vira fantoche da máquina, mas o moral inegável da Marina é somente sua, e ela deveria mandar lá em casa, porque foi a pessoa e biograifa dela e não a mercadologia que fez o sucesso. Eu acho. Mas que sei eu?

Vou ver se tiver comentário inteligente sobre o assunto por pessoas com mais moral de opinar.

Com certeza vou dar um olhada mais cuidadosa à campanha Marina e sua evolução — e nesse Jose Luiz Penna, cineasta paulista e idealizador do Parque de Villa Lobos, em especial.

Desde Reagan nos EUA — e o Exterminador do Futuro, governador de California, nos dias de hoje — não confio no acasalamento de entretenimento e política.

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Em qualquer caso — deveríamos inspeccionar as contas para averiguar isso — era uma campanha com bastante apoio empresarial — como a escolha do dono de Natura com vice deveria ter indicado.

Também, como observei, o apelo verde até despertou dúvidas no meu grupo de foco de eu sozinho — a minha mulher petista desde sempre.

Vamos ver. Minha reação visceral é meio negativa.

Enquanto o FHC fala da Onda Vermelha como um PRI brasileiro potencial — o partido único que governava México por 70 anos — eu antes apontaria uma analogia entre o PRI e o PSDB hegemónico de São Paulo. Se quer apontar o desleixo resultante quando qualquer partido que seja vira máquina, este caso deve fazer parte do relatório.

No México de hoje, o PV é aliado com quem? Com o PRI — assessorado pelo notório J.J. Rendón.

Em fim, entre as diversas emoções do dia, podemos dizer sem discordâncias maiores, tédio não consta!