A Analogia Mexicana: Os «Médios-Miedos» e os Riscos Reais

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Buemba! Maílson da Nóbrega martela no teclado de medo na sua coluna na revista Veja do fim de semana passado:

A percepção de que Dilma poderá ser a próxima presidente despertou os piores temores. O pavor não é de ruptura na política econômica — como em 2002 –, mas de retrocesso democrático: o projeto de poder em curso levaria à mexicanização do Brasil Não é por aí, a meu ver.

…. As declarações de José Dirceu assustaram. Para o ex-ministro, “a eleição de Dilma é mais importante do que a de Lula porque é a eleição do projeto político, porque a Dilma nos representa”. Seria o retomo das insensatas ideias econômicas do PT?

Ou seria que não?

Segundo eu li na Economist e Financial Times, as apostas dos operadores do mercdo são que nenhuma das opções políticas vão trazer surpresas maiores ao gestão da economia. A expectativa é de estabilidade em qualquer caso. Se você acredita que o Mercado é um eficiente processador de informaçãoes e avaliador de riscos, seria melhor emprestar mais credibilidade a essa mente-colmeia.

O discurso de Veja nem martelo é.

É marreta de um vandalismo ideológico  fundamentado no apelo mais cru possível a emoções primitivas.

É um filme B sobre casas mal-assombradas, infestadas por  psicopatas armados de machados e motoserras

No trocadilho feliz do pesquisador espanhol, é o «médio-miedo» por excelência. A gente fala do  «one-trick pony » — o cavalinho de circo que apenas sabe um único truque.

Mas de certo jeito eu concordo quanto ao motivo de todo esse medo e à analogia que deveriar amedrontar.

O risco não é de mexicanixação. A fantasma de bolivarianismo também é homem de palha.

O risco mais apovorante para o Brasil seria sua colombiazação;

É o risco representado, por exemplo, pela suposta telefonema entra o candidato e o ministro que pediu vista em processo que interessava o candidto por razões dificeis de explicar — assim como foram suas denúncias de arpongagem almejando o STF. transcritas e botadas na capa em garrafais pelo jornalista que depois virou o assessor de imprensa do mesmo candidato.

É risco representado pela letargia da promotoria em apurar a denúncia, se para confirmar ou desmentir.

Um poder judiciário politizado é um pesadelo sem fim.

Considere o caso da senadora Liberal colombiana Piedad Córdoba, cassada por supostamente ter servida como elo entre as FARC e políticos à esquerda de La U, a coalizão de Álvaro Uribe.

A política colorida e polêmica, a mais conhecida personalidade da comunidade afrocolombiana, alega ser vítima de uma caça de bruxas política.

Deixem de lado pelo momento a força da sua defesa afirmativa — o caso torna na custodia das principais provas contra ela, uma série de correios eletrônicos, enquanto a Semana fica no jornalismo de «não se sabe com certeza» sobe o caso –, embora bem-feita e sem ilações indevidadas.

Apenas considerem o contexto no qual ela alega isso.

Da mesma revista Semana, baixadas hoje, por exemplo, notícias de grampos montados por um estado-partido policialesco-paramilitar que nesse caso não inexistía — ou seja, que existia fora da imaginação fecunda dos artistas de agitação e propaganda.

A procuradoria-geral do país acaba de cassar por até 20 anos dois punhados de alta autoridades do governo anterior — inclusive o ex-Dilma de Uribe. o diretor da ABIN colombiana, Jorge Noguera do DAS, e a diretora do que equivale a COAF — por espionagem clandestina e ilegal e constante e continuada até virar banal.

La Procuraduría encontró responsable a Noguera por haber permitido, “de forma continua”, que el G3 interceptara lllamadas telefónicas y correos, sin orden judicial, de diversas ONG, periodistas, activistas políticos, entre otros. A Narváez por haber ordenado a funcionarios del DAS interceptar a algunas personas, “en una clara extralimitación de sus funciones”. A Arzayús por los mismos hechos, pero también por “haber obtenido información de manera ilegal”. A Tabares por haber permitido que funcionarios adscritos a su unidad participaran en tareas de seguimiento ilegal. A Lagos por haber ejecutado una orden, de Hurtado, de “realizar labores de seguimiento”. A Hurtado haber dado órdenes en ese sentido. Y a Peñate por haber “omitido” su deber, pues no puso en conocimiento de las autoridades las irregularidades de las que tenía conocimiento.

Talvez pior é a condenação de dois sucessores de Noguera — conivente com naroparamilitares e sua estratégia de parapolítica — dos quais um faxina da polícia secreta estivesse esperada;

Rosas tem espinhas: A Senadora, na capacidade de negociadora, com dois dos FARC

O caso contra a Senadora — acusada de aconselhar os FARC por meio do nome de guerra Teodora — parece seguir a lógica de um argumento do tipo que tenho chamado de  «putas somos todos nós». Como observa Semana,

Desde que arrancaron las investigaciones sobre la parapolítica en el segundo semestre de 2006, algunos sectores, incluido el gobierno de Álvaro Uribe, han exigido que se hiciera lo mismo sobre las relaciones entre políticos y las Farc. Hasta el fallo de Ordóñez, no se había presentado decisión condenatoria alguna -disciplinaria o penal- en ese sentido. Incluso la Fiscalía precluyó las investigaciones que adelantaba contra el ex ministro Álvaro Leyva y el directo de Voz, Carlos Lozano, por la farcpolítica. La Fiscalía dijo que “los funcionarios judiciales constataron que tanto Leyva como Lozano figuraban en los archivos del extinto jefe guerrillero (Raúl Reyes) en calidad de impulsores de procesos de reconciliación y como gestores de acciones humanitarias avaladas por el Gobierno Nacional respectivo”.

Então, enquanto continua crescendo o escândalo da «parapolítica» — grupos armados apontando essas armas ao eleitor no momento de votar (como ainda acontece no Brasil, aliás) — vira obrigatório um escândalo oposto e igual para equilibrar o fluxo de notícias, enturbar as águas e manter uma visão maniqueista do cenário.

É no nome de «equilíbrio» também que os deslizes éticos de petistas são apresentado como sintomas de uma imoralidade endémicw, e não se admite fatores atenuantes. Não se admite comparações de mais ou menos, ou medidas de progresso e retrogresso.

Assim vemos os assessor responsável pela imagem de Arruda, ex vicepresidenciável e benfeitor generoso de um jornalão de perfil nacional, coordenando uma campanha de indignaçao moral agpra que pretende convencer o eleitor que seus opositores não são melhores — o que no caso de Roriz é uma gleba fértil e arável, é claro.

Desde 2000, quando México acabou com o monopólio do PRI , elegendo um executivo de Coca-Cola do PAN, que fez a  suja guerra em 2006 junto com agemtes de atraso como o PANAL — sócio com os Jovens Democratas do Brasil da rede Relial — e o Mexico Business Forum — que tem o Instituto Cato como principal cliente — para dar continuidade a um projeto que mal conseguiu o apoio de 35% dos eleitores — a mexicanização significa outra coisa.

O Brasil, enfrentado com risgos parecidos — não somente o poder do crime organizado como também a corrupção da justiça e a uma militarização de segurança pública que põe em questão se Calderón seja o dono do próprio nariz — já frez passos importantes no sentido contrário ao caos reinante na Ciudad Juaréz e os estados pobres do sul, onde caudilhos como Ulíses Ruiz ainda contam com a impunidade enquanto o primeiro ato do novo governo federal foi de garantir o monópolio de Televisa em perpetuidade.

Se eu tivesse que fazer a famosa escolha atrás a Venda de Ignorânica, eu escolhava nascer brasileiro antes de mexicano em 2010. Com o processo de verdade e conciliação em Colombia, até com seus eventuais defeitos, talvez nascer um filho de Juan Valdez não seria por inteiro sem perspectivas positivas.

Talvez a mexicanização seria o risco maior mesmo, no fim das contas, na sua forma milenar.