Os Blogs Sujos Hoje: Marina, Anita e a Grife Idealismo

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O Relatório Reservado é o folhetim de dicas de investimento mais odiado por diretores de relações com investidores, e portanto, vamos com cautela.

Deveriamos buscar mais informações sobrea versão divulgada hoje — segundo a qual a candidata Marina Silva fará uma campanha institucional d empresa do seu vice, dono da Natura — NATU3-NM, BRNATUACNOR6.

Foi no Vi o Mundo, acho, que vi  primeira tradução do inglês «greenwashing» — uma campanha publicitária associando uma empresa ou produto com valores verdes inauténticos ou desmentidos pelo comportamento real da empresa.

Seja Dita a Verdade, um blog partidário continuista, parece ter sido um dos poucos a tentar explorar essa polêmica potencial, com uma nota divulgada dia 1 de setembro e repercutido bastante entre os «blogs sujos»:

Defendida pela senadora Marina Silva (PV-AC), a exploração comercial de um fruto típico do Acre gerou um processo judicial por biopirataria contra a Natura. A gigante do setor de cosméticos tem relações próximas com a pré-candidata do PV a presidente.

A empresa é ré em uma ação do Ministério Público Federal na Justiça Federal do Acre em razão do suposto aproveitamento ilegal do fruto do murmuru, que é usado na produção de xampus e sabonetes.

Eu não sabia que a forma feminina de «réu» era ré».

Melhorei meu português um poquinho, o qual é tudo que pretendo com esse blog, na verdade.

O pior caso do que ouvi falar foi a empresa alemã que tentou virar dono do verbete «rapadura» — impedindo produtores do doce artesanal do Nordeste de usarem o nome. Pura maluquice.

A acusação é de uso comercial a partir do conhecimento tradicional do fruto pela etnia ashaninka, que vive na fronteira com o Peru.

Em 2001, o murmuru constava de um acervo de plantas do Acre levado por Marina à Natura, para possível exploração econômica. Em 2003, foi assinado um termo de compromisso nesse sentido entre a empresa e o governo do Acre, intermediado pela senadora.

O debate sobre esta denúncia podia ter sido uma das piores omissões da campanha continuista, embora “Dilma mata e come fetos” seja o sabor do dia.

Eu até senti isso quando minha mulher passou por sérias dúvidas quanto a vota em Dilma por causa do destino do Alto Xingu.

Temos um bom amigo, tucano e filho de um antropólogo conhecido como um leão dessa luta, que por pouco não convenceu-a de que o desenvolvimentismo da continuidade viesse as custas do ambientalismo.

Não vou entrar nos méritos do processo, sem ouvir a resposta da ex-ministra. Tampouco aceito o boato do RR sem mais informações.

Mas assim como tudo velho é novo de novo, achei que seria interessante voltar em tempo a outra figura polêmica do mundo de «empreeendedorismo social» de cunho verde: Anita Roddick do Body Shop.

Acima, a página de «auto-hagiografia por procuração» sem-vergonha da empreendedora reza

Anita Roddick, grande empreendora social e grande ser humano

O diretor de Greenpeace consta entre as testemunhas dessa real grandeza:

John Sauven, executive director of Greenpeace, said she was a “pioneer”, adding: “She was so ahead of her time when it came to issues of how business could be done in different ways, not just profit-motivated but taking into account environmental issues. When you look at it today, and how every company claims to be green, she was living this decades ago

… disse que Anita era «pioneira», acrescentando, «era muito em avanço dos tempos quando aos conceitos de com negócios podiam ser conduzidos de maneira diferente, não somente visando lucro mas levando em conta questôes do meio-ambiente. Da perspectiva de hoje, quando todo que é empresa se diz verde, ela estava vivendo isso faz décadas.»

O Greenpeace mantém um site sobre «greenwashing» que convida usuários a postar anúncios com tema ambiental e avaliar a autenticidade do compromisso ambiental do patrocinador. Segundo as medidas de SEO, não tem feito muito sucesso.

Trata dos setores de carvão, petróleo, energia núclear, eletricidade, e gestão florestal — mas omite produtos de consumo e a expropriação de patrimônio intelectual público.

Santa Anita Padroeira da Desilusão

Quando a Anita Roddick morreu recentemente, havia, de fato, um bom número do obituários nos moldes de «morre hipócrita».

Os Utne, ainda em 1995, chamou-a de «exploradora do idealismo do consumidor».

Uma biografia mais equilibrada do jornal Telegraph opina que, apesar de sincera, a Anita não escapou as contradições entre seu ativismo e sua gestão do Body Shop — como, por exemplo, quando apoiava um boicote a China no nome de direitos humanos enquanto continuava a comprar produtos do país.

Tradução rápida —

Críticos alegavam que o perfil altamente ético da empresária não eram consistentes com as práticas empresariais do Body Shop. Em 1994, uma campanha pela melhoria de ética empresarial estimava que os ingredientes «fair trade» — «comércio não-exploitativo» — comprados pela empresa sob o badalado chavão «Trade Not Aid» — comércio em vez de assistência — constituia aquém de 1% das vendas da empresa.

A afirmação de que nenhum dos produtos do Body Shop tinha sido testado em animais era um meia-verdade. A empresa nem sempre esclarecia que muitos do ingredientes utilizados nos produtos tinham sido testado em animais por outras empresas, ou que a política de empresa era vedar o uso de ingredientes testados nos animais durante os últimos cinco anos — uma regra bem mais frouxa que as regras de alguns concorrentes.

Em 1989, o governo de Alemanha Ocidental ganhou um processo contra o subsidiário do Body Shop no páis, alegando propaganda enganosa. O resultado foi que a empresa trocou a afirmação «não testado nos animais» pela menos categórica «contra os testes em animais».

Também foi dito que Anita, propositalmente ou não, as vezes confundia pragmatismo empresarial com purismo morl — por exemplo, quando apareceu num anúncio falando com entusiasmo de como pagou visitas a tribos empobrecidos com o cartão American Express.

Além disso, seus discursos moralizntes sobre os maus de capitalismo global, a busca de lucro e o sistema de comércio global não batiam com o papel de diretora-executivo de uma multinacional altamente lucrativa com 2,000 lojas em 49 paises.

Pessoalmente, eu não sou contra as experiência em animais — para remédios importantes, pelo menos. Quando alguém argumenta que cosméticos não valem a  pena — e dor, sou capaz de pensar, «hummmmm».

Por isso, os militantes de PETA me chamariam, não duvido, de o que equivale um racista do meu próprio espécie.

Mas acho que se quiser descobrir o fio oculto entre o IMIL e os PV, seria essa ideologia anarcocapitalista de «empreendedorismo social» — ao despeito do quanto o Olavo de Carvalho fala mal da Marina!